Venda do Banco Terra dá prejuízo de 3,6 milhões de euros ao Montepio

O Montepio saiu oficialmente de Moçambique. Concluiu a venda do Banco Terra, obtendo um proveito de 3,2 milhões de euros. Operação vai pressionar lucros do banco em 3,6 milhões.

A Caixa Económica Montepio Geral (CEMG) já concluiu a venda da posição de 45,78% que detinha no capital social do Banco Terra à Arise, saindo oficialmente do mercado moçambicano. Num comunicado enviado à CMVM, o banco liderado por Carlos Tavares revela ainda que, com a operação, obteve “um proveito estimado de 3,2 milhões de euros” e que os resultados líquidos do Montepio “vão ser afetados desfavoravelmente em 3,6 milhões de euros”.

“A CEMG informa que concretizou a venda da participação de 45,78% que a sua participada Montepio Holding detinha no capital social do BTM – Banco Terra. A venda (…) proporcionou um proveito estimado de 3,2 milhões de euros nas demonstrações financeiras consolidadas de 2018″, informa a empresa, que é detida pela Associação Mutualista.

O banco informa que “a concretização desta operação originou a perda de controlo desta subsidiária, tendo determinado, de acordo com as normas contabilísticas aplicáveis, a reciclagem da reserva cambial negativa de 6,8 milhões de euros por contrapartida de resultados do exercício”. “Assim, os resultados líquidos da CEMG vão ser afetados desfavoravelmente em 3,6 milhões de euros”, assume o Montepio.

Apesar do impacto negativo em termos de resultados, a operação acaba por se traduzir positivamente nos rácios de capital da instituição bancária. O rácio Core Tier 1 melhora em nove pontos base, enquanto o rácio de Capital Total melhora em seis pontos base. A melhoria dos rácios de capital da CEMG resulta da “diminuição dos ativos ponderados pelo risco”.

O Banco Terra é uma instituição com operações em Moçambique. A posição de 45,78% em causa foi vendida à Arise, uma holding holandesa que é composta pelo fundo soberano norueguês Norfund, pelo banco de fomento holandês FMO e pelo Rabobank, que tem missão “apoiar o crescimento em África através de investimentos em instituições financeiras africanas”, informou o Montepio num comunicado emitido no final de agosto de 2018, no qual comunicou a assinatura do acordo da transação.

Como recordou o ECO em agosto, já no relatório e contas de 2017 o Montepio apontava para a venda da posição no Banco Terra e de outros ativos detidos em África: “Importa referir que a CEMG se encontra num processo negocial com um conjunto de investidores com vista a recentrar a abordagem no mercado africano, tendo em vista a desconsolidação do Finibanco Angola S.A. e BTM – Banco Terra”, lia-se no documento.

A concretização da venda do Banco Terra acontece no mesmo dia em que Tomás Correia volta a tomar posse como presidente da Associação Mutualista Montepio, dona da CEMG, depois de ter sido reeleito em dezembro com 43,2% dos votos.

(Notícia atualizada pela última vez às 11h22)

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