Cristas pede mediação de Marcelo no conflito com os enfermeiros

Assunção Cristas, presidente do CDS, pediu ao Presidente da República que sirva de moderador no conflito entre os enfermeiros e o Governo.

A líder do CDS apelou ao Presidente da República para que exerça um poder “de moderação” do conflito entre os enfermeiros e o Governo, depois de o Executivo ter interposto uma requisição civil para travar a greve daqueles profissionais. Um pedido que surge depois de Marcelo Rebelo de Sousa ter avisado que “um movimento cívico não pode declarar greve”, referindo-se ao financiamento da paralisação com crowdfunding.

Numa conferência na Assembleia da República, Assunção Cristas pediu a Marcelo Rebelo de Sousa que adote o papel de mediador. “Perante uma situação de grande crispação social, o CDS apela ao Presidente da República para que, no exercício dos poderes de moderação, exerça a sua magistratura de influência e possa ajudar a mediar este conflito”, disse a líder centrista, em declarações transmitidas pela RTP 3.

“Assistimos a uma grande crispação, a um extremar de posições. Apelamos ao Presidente da República para que, no quadro dos poderes constitucionais, possa ajudar a descrispar o conflito”, reforçou.

No entanto, Assunção Cristas defendeu que “a lei tem de ser estritamente cumprida por todas as partes”. “A lei da greve existe e ela tem de ser estritamente cumprida. O exercício do direito à greve tem de ser exercido dentro do quadro legal e sem qualquer tipo de abuso”, apontou. E criticou o Governo, acusando-o de ser “incompetente” e de “cortar negociações” quando tem o dever de “resolver conflitos”.

“[O primeiro-ministro António Costa] tem revelado incapacidade de negociar, de estabelecer a paz social. Estamos a assistir na Saúde, mas assistimos ao caso dos professores. Afinal, não tem o dinheiro que apregoava ter”, rematou Assunção Cristas. “Isto só revela incapacidade, inabilidade e incompetência”, concluiu.

O apelo dos centristas à intermediação do Presidente da República surge um dia depois de Marcelo Rebelo de Sousa, na Circulatura do Quadrado, na TVI24, ter levantado dúvidas quanto à legitimidade da greve dos enfermeiros, recordando que “um movimento cívico [referindo-se ao financiamento da paralisação com crowdfunding] não pode declarar greve” e substituir os sindicatos.

O chefe de Estado também sublinhou que “é intolerável” que os enfermeiros não respeitem a requisição civil aprovada pelo Governo em Conselho de Ministros. Já esta sexta-feira, os enfermeiros anunciaram que vão interpor uma providência cautelar para travar a decisão do Governo e estão a ponderar avançar com a impugnação da medida.

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