Greve dos motoristas é “braço de ferro privado”. Governo só pode “interferir diplomaticamente”, diz Rio

O "caos" nas bombas de combustível é culpa do Governo? Rui Rio diz que não. O presidente do PSD salienta que este é um "braço de ferro" no setor privado, no qual o Executivo pode apenas "intermediar".

Ao contrário de Assunção Cristas, Rui Rio não culpa o Executivo de António Costa pelo “caos” nas bombas de combustível resultante da greve dos motoristas de matérias perigosas. Em declarações aos jornalistas, o presidente do PSD sublinhou que o “braço de ferro” por detrás desta paralisação diz respeito ao setor privado, cabendo ao Governo agir apenas “como um diplomata” ao interferir e intermediar entre as partes de modo a que se chegue a um acordo.

Não vou atacar o Governo naquilo que o Governo não tem responsabilidades, porque não estaria a ser sério. Portanto, o que compete ao Governo fazer é intermediar no sentido de se chegar a um acordo e fazer a requisição civil que já fez para garantir os serviços mínimos”, salientou Rui Rio, esta terça-feira.

O social-democrata frisou que espera que o Executivo tenha a “capacidade de intermediação” para que a greve termine o mais rapidamente possível, mas deixou claro que este “braço de ferro” não “depende do setor público.

Estas declarações de Rui Rio seguiram-se às do deputado Emídio Guerreiro, que disse que a “causa deste tipo de situações” é o facto de o Governo “gostar de tudo prometer e a todos prometer”, o que cria “um sentimento de desilusão por parte dos diferentes grupos profissionais”.

“O PSD insta ao Governo para que se sente rapidamente e que, em diálogo, resolva este problema. Os portugueses não podem continuar a padecer por força das incompetências do Governo”, disse o parlamentar social-democrata.

Rio choca com a opinião da líder do CDS-PP, que culpou esta tarde o Governo pelo “caos” instalado nos postos de abastecimento um pouco por todo o país. “O Governo não sabe governar, não é capaz de prevenir problemas como este e, de repente, toda a gente se surpreende como é que o caos se instala em tão poucas horas no nosso país, por todo o lado”, afirmou Assunção Cristas, em declarações aos jornalistas.

Entretanto o Governo já marcou uma reunião com Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP) para esta noite, de modo a tentar terminar esta paralisação.

Recorde-se que a greve nacional dos motoristas de matérias perigosas começou às 00h00 de segunda-feira, tendo sido convocada pelo SNMMP por tempo indeterminado. Os profissionais lutam pelo reconhecimento da categoria profissional específica.

Esta manhã, o Executivo de António Costa aprovou em Conselho de Ministros Extraordinário uma requisição civil para garantir os serviços mínimos definidos pelo Governo e que, dizem os governantes, foram violados no primeiro dia de greve.

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Greve dos motoristas é “braço de ferro privado”. Governo só pode “interferir diplomaticamente”, diz Rio

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião