Fitch abre a porta à subida do rating depois das legislativas

Agência de rating avalia dívida portuguesa esta sexta-feira. Analistas prevêem revisão do outlook para "positivo". Travão económico na Zona Euro, dívida e malparado deverão impedir subida já.

O crescimento da economia e a estabilidade política deverão levar a Fitch a rever em alta a perspetiva de rating de Portugal, esta sexta-feira. Os analistas preveem que o outlook da dívida portuguesa passe para “positivo” do atual nível “estável”, mas consideram que ainda não há condições para o país subir mais um nível na notação financeira.

“Não descartamos uma subida do rating da dívida portuguesa para ‘BBB+’ (face ao rating de ‘BBB’ atual). No entanto, o nosso cenário central é uma melhoria do outlook para ‘positivo’, o que abriria as portas a uma eventual revisão em alta em novembro, uma vez superadas as eleições legislativas”, afirma a equipa de research do Bankinter.

A Fitch surpreendeu em dezembro de 2017 quando subiu o rating de Portugal em dois níveis para ‘BBB’, já no patamar de investimento de qualidade. Nas duas avaliações feitas em 2018 manteve a notação inalterada, com perspetiva ‘estável’. Desde a última revisão, em novembro, a economia portuguesa fechou o ano com um crescimento de 2,1%. No primeiro trimestre de 2019, o PIB expandiu 0,5% face ao final de 2018, o que levou a uma subida de 1,8% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Os números do arranque do ano ficaram acima do previsto pelos economistas. “Se será ou não suficiente para que a Fitch melhore o rating já este mês, vai depender da perceção sobre o risco político do país, que enfrenta eleições legislativas em outubro“, sublinha o Bankinter, lembrando que a Fitch referiu na última avaliação que prevê que o atual Governo consiga ser reeleito.

Se a agência norte-americana decidir passar o outlook para ‘positivo’, sinaliza que poderá vir a rever em alta o rating, tal como fez a DBRS. Já a Moody’s e a Fitch têm também a notação portuguesa em grau de investimento, mas com perspetiva ‘estável’. “É essa a tendência que esperamos para o futuro“, dizia o ministro das Finanças, Mário Centeno, há um mês, sobre potenciais subidas no rating.

No entanto, o Governo ainda poderá ter que esperar. “A trajetória recente do défice e das taxas de juro de longo prazo até poderia justificar a melhoria do rating, mas o facto de a perspetiva estar estável, o muito elevado nível de dívida face ao PIB [121,5% em 2018] e a aproximação do ciclo eleitoral deverão levar a agência a apenas melhorar a perspetiva“, explicou Filipe Garcia, economista e presidente da IMF – Informação de Mercados Financeiros.

Além da dívida, o impacto do elevado crédito malparado na estabilidade do sistema financeiro tem sido igualmente um dos alertas feitos pelas agências de rating, enquanto os riscos externos poderão também ser sinalizados pela Fitch.

Os grandes riscos da economia portuguesa continuam associados a quebra do ímpeto das reformas estruturais, quer na Zona Euro, quer a nível nacional, onde muita da estabilidade económica vive do nível muito baixo de taxas de juro“, aponta Luís Tavares Bravo, board member e economista do Instituto Francisco Sá Carneiro, que tem como cenário base a manutenção do rating. “Depois, noutra frente, o agravamento potencial das relações da UE com os Estados Unidos (sobretudo relativamente ao setor automóvel) pode ter impacto em termos de deterioração de expectativas futuras”.

Entre setembro de 2017, quando Portugal saiu do ‘lixo’, e março deste ano, o país poupou 1.270 milhões de euros em juros nas emissões de nova dívida. A taxa média paga por Portugal situou-se, no primeiro trimestre, em 1,7%, o valor mais baixo de sempre. Em mercado secundário, também a yield dos títulos a 10 anos caíram para mínimos, tendo já negociado abaixo da fasquia de 1%.

Sobre uma subida do outlook de rating esta sexta-feira, Garcia considera que “o mercado já espera uma melhoria na perspetiva e a notação já está em níveis de investimento pelo que não haverá impacto quanto a fundos que não possam hoje comprar dívida pública portuguesa e passassem a poder”.

Ainda assim, Tavares Bravo considera que uma revisão em alta “é sempre positiva, caso aconteça, não tanto pela redução dos prémios de risco, ou dos juros, mas porque sustenta de forma sólida o acesso aos mercados internacionais”.

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