Constâncio reage à omissão no caso Berardo. “Não me lembro de nada disso há 15 anos”, diz no Twitter

Vítor Constâncio diz no Twitter que ainda está a "investigar" as informações que revelam que o Banco de Portugal teve conhecimento prévio do financiamento a Berardo. Mas diz que não se lembra.

Instado por um utilizador no Twitter a comentar a notícia do Público sobre o facto de ter omitido do Parlamento que autorizou Joe Berardo a levantar 350 milhões de euros da Caixa Geral de Depósitos (CGD), Vítor Constâncio disse que ainda está a investigar essas informações. Mas adianta que não se lembra de nada dessa situação, nem foi questionado sobre isso, e defende que “normalmente o supervisor (como Instituição) não tem interferência em operações concretas desta natureza”.

O Público revelou esta sexta-feira que o antigo governador do Banco de Portugal omitiu aos deputados quando disse que o supervisor não teve conhecimento prévio das operações de financiamento da CGD. Porém, foi o próprio Banco de Portugal a solicitar à Fundação Berardo detalhes sobre o financiamento de 350 milhões que euros que serviriam para reforçar a posição no capital do BCP, segundo mostram cartas trocadas entre as duas partes.

Depois de ter conhecimento das condições da operação, o Banco de Portugal acabou por dar aval à Fundação Berardo para aumentar a sua participação no BCP até 10% do capital do banco.

No Parlamento, durante a audição na comissão de inquérito à recapitalização da CGD, Vítor Constâncio disse que era “impossível” o Banco de Portugal ter sabido previamente sobre as operações de crédito. “Como é óbvio”, por “ser impossível”, o BdP não podia saber que a CGD ia financiar Berardo, antes de o crédito ser dado, disse aos deputados no dia 28 de março.

Numa primeira reação, Vítor Constâncio disse que “não era verdade” que tenha omitido informação no Parlamento e que não tinha sido questionado sobre essa situação. Depois, num segundo tweet completou a resposta, dizendo: “Não fui questionado sobre isto e ainda estou a investigar. Não me lembro de nada disso há 15 anos e normalmente o supervisor (como Instituição) não tem interferência em operações concretas desta natureza”.

Por causa disto, os deputados pretendem chamar novamente o antigo governador do Banco de Portugal para prestar esclarecimentos adicionais.

(Notícia atualizada às 14h16)

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