“Constâncio não é vítima de nada. Vítima é o pais da sua incompetência no BPN”, diz Marques Mendes

Marques Mendes deixa três perguntas que os deputados devem colocar ao ex-governador do Banco de Portugal na sua nova ida à comissão de inquérito à recapitalização da Caixa Geral de Depósitos.

Constâncio não é vítima de nada. Vítima é o pais da sua incompetência no BPN“, disse Luís Marques Mendes no seu espaço habitual de comentário na SIC, sobre a estratégia defensiva do ex-governador do Banco de Portugal que vai novamente à comissão de inquérito à recapitalização da Caixa Geral de Depósitos esta semana.

Para Marques Mendes, Vítor Constâncio “devia pedir desculpa pelo que fez”, embora tenha consciência que isso não vai acontecer, “em vez de se fazer de vítima”. Para o comentador “não é importante saber se Vítor Constâncio mentiu ou não” na sua anterior passagem pela Comissão de inquérito, mas antes ver respondidas três questões: “quando esteve no Parlamento por que razão se esqueceu que o Banco de Portugal tinha autorizado Berardo a reforçar no BCP e com isso tomou conhecimento da natureza do empréstimo na Caixa?“. Um empréstimo de 350 milhões de euros que tinha como garantia as próprias ações que iriam ser compradas no BCP. “É que isto é suspeito, não juridicamente, mas politicamente“, sublinhou.

No que diz respeito à guerra acionista no maior banco privado português, conhecida como “assalto ao BCP, a 21 de dezembro de 2007, Constâncio reuniu no Banco de Portugal com vários acionistas para ajudar a encontrar uma lista candidata à gestão do BCP. No dia seguinte saiu a candidatura de Santos Ferreira. Sabendo-se que o Banco de Portugal não tem nada que se meter na gestão do banco A, B ou C, porque andou a patrocinar, presidir a uma reunião de acionistas para tentar fazer uma lista? Ele que nunca ligou muito à supervisão — veja-se o caso do BPN — aqui esteve muito ativo e interveniente”. “Acho que é uma suspeita política muito forte“, reitera Marques Mendes. “Isto não é nada ofensivo, é político e institucional”, justifica.

Apesar de não ter sido o Banco de Portugal que autorizou o empréstimo de 350 milhões de euros da Caixa a Berardo — uma responsabilidade dos gestores da Caixa “que deviam pagar por isso”, defende Marques Mendes — Constâncio sabendo que a “operação era especulativa” que o penhor eram as próprias ações do BCP cujo valor varia no mercado, “então porque aprovou que Berardo entrasse naquelas condições”. “Podia ter dito não”. “Isto não está bem explicado”, diz o comentador apesar de todas as explicações que Vítor Constâncio deu estes três últimos dias com uma entrevista à RTP3, um artigo de opinião no Expresso e uma entrevista ao Diário de Notícias/TSF.

Marques Mendes considera que Constâncio não tem razão nenhuma para processar os jornais, “porque ninguém disse que ele era vigarista, ninguém pôs em causa a sua idoneidade, mas sim a sua competência e eficácia”. “Que eu também ponho”, acrescenta.

(Notícia atualizada)

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