Saúde mental custa quase 250 mil milhões às empresas

  • Ricardo Vieira
  • 18 Junho 2019

Horários de trabalho extensos e pressão fazem de altos executivos os mais afetados. Estudo comprova também o tabu do tema nas organizações.

Mais de 300 milhões de pessoas sofrem de problemas de saúde mental o que, só em 2017, teve um impacto de 246 mil milhões de dólares no setor empresarial a nível mundial. Os dados constam de um estudo da Michael Page, onde se lê que “os dirigentes que se adaptarem para educar, suportar e aceitar a doença mental podem evitar despesas significativas e reter melhor os colaboradores”.

Há também uma correlação entre níveis de responsabilidade e tendência para stress, ansiedade ou depressão. A este respeito os autores do relatório citam o estudo “Mental Health at Work” que mostra que CEOs e altos cargos de direção têm um risco duas vezes superior em sofrer de depressão.

“O principal motivo é que estes profissionais costumam trabalhar mais horas, sofrem de mais pressão para dar o exemplo e dispõem de muito pouco tempo livre, o que implica colocarem muitas vezes de lado a sua própria saúde mental”, explicam.

“Estes resultados mostram a necessidade de se considerar a saúde mental como uma preocupação de negócio e se criarem ferramentas que permitam desenvolver ambientes de trabalho saudáveis, nos quais se possa tratar de forma adequada qualquer tipo de problema que possa afetar todos os trabalhadores, incluindo os que desempenham funções de direção”, refere a Michael Page em comunicado.

O estudo aborda ainda a importância de se falar de saúde mental, assumindo que “há um estigma importante quando se trata de expor a saúde mental e os problemas associados”. Percebeu-se que a hesitação por parte dos trabalhadores em falarem sobre a sua saúde mental pode levar a que acabem por trabalhar em más condições, com repercussões na produtividade e, consequentemente, com impacto no desempenho e sustentabilidade da empresa.

A investigação revela também que as pessoas pensam que falar sobre saúde mental irá prejudicar a sua carreira (36%), deixá-las marginalizadas (20%) e ter repercussões negativas na sua capacidade para fazer devidamente o seu trabalho (34%). Muitas também sentiram que os seus colegas iriam julgá-las por falar sobre a sua condição (52%). Além disso, dos 50% dos trabalhadores que já tiveram problemas de saúde mental e pediram ajuda aos seus superiores, um em cada cinco afirma que se sentiu incompreendido e o problema não foi solucionado.

Para Joana Barros, senior marketing executive da Michael Page Portugal, “face a esta situação, a solução passa necessariamente por criar ferramentas adequadas que ajudem a dar visibilidade a estes problemas e permitam oferecer soluções claras para reduzir os níveis de stress e ansiedade nas empresas”. Do ponto de vista pessoal, os especialistas da Michael Page propõem uma série de recomendações, tais como dormir bem, fazer uma alimentação equilibrada, meditar e ter vida social, isto para poderem trabalhar de forma mais calma e concentrada.

A análise deixa também diretrizes sobre como as empresas devem atuar, salientando a importância de “criar uma cultura empresarial aberta e de confiança, que apoie os trabalhadores, independentemente da sua função e responsabilidade”.

Existem várias ações que as empresas podem realizar para motivar os seus colaboradores: reforçar a aproximação, melhorar a qualidade de vida no trabalho, estar disponível para ouvir para que se sintam reconhecidos e mais motivados, promover a reconciliação da vida pessoal com horários mais flexíveis, incorporar atividades lúdicas para ajudar a descontrair e a reduzir o stress, ou incluir atividades como yoga ou meditação, para ajudar a enfrentar as dificuldades com calma e serenidade.

“Muitas empresas estão a optar por programas dedicados à meditação, ao mindfulness, além de conversas sobre a importância da vida saudável, a oferecer ajuda para eliminar hábitos não saudáveis, massagens para as dores de costas ou inclusivamente a disponibilizar psicólogos que se deslocam às empresas”, refere Joana Barros.

Proporcionar intercâmbios com outros países, elaborar planos de carreira à medida do empregado ou disponibilizar formação que reduza o tempo despendido com o trabalho são outras das soluções apontadas.

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