Crise da água tira um terço à economia global

  • ECO
  • 20 Agosto 2019

Nitrogénio utilizado como fertilizante na agricultura é um dos principais poluidores das águas, enquanto as alterações climáticas geram problemas de salinidade, segundo o Banco Mundial.

O mundo está a enfrentar uma “crise invisível da qualidade da água” que está a eliminar um terço do potencial crescimento económico em zonas altamente poluídas. Quem o diz é o Banco Mundial, num relatório divulgado esta terça-feira, e que alerta que esta situação está a ameaçar o bem-estar dos humanos e o ambiente, nomeadamente a nível da saúde e da agricultura.

A combinação de bactérias, produtos químicos, esgotos e plásticos pode sugar o oxigénio retido nos abastecimentos de água e “transformar a água em veneno para pessoas e ecossistemas“, como descreve o relatório.

Uma das causas apontadas para a elevada contaminação das águas é o nitrogénio, um fertilizante fundamental para a produção agrícola, mas muito volátil e instável. Quando libertado para as águas, pode diminuir o nível de oxigénio das mesmas e causar zonas mortas. Segundo os dados registados pela entidade mundial, crianças que nasceram na Índia, Vietname e em 33 países de África e que estiveram expostas a elevados níveis de nitrogénio nos primeiros três anos de vida têm um crescimento mais limitado.

Em termos globais, um quilograma de fertilizante adicional por hectare de terreno gera um crescimento da produção entre os 4% e os 5%, refere o Banco Mundial. Mas em contrapartida, o escoamento deste fertilizante para as águas representa “um risco suficientemente elevado” para aumentar o atraso no crescimento infantil entre 11% e 19%, bem como para diminuir os rendimentos ao longo da vida entre 1% e 2%.

Mas o problema não é limitado a países em desenvolvimento. De acordo com o mesmo relatório, só os Estados Unidos são responsáveis pela libertação de mais de mil novos produtos químicos para o meio ambiente todos os anos, o que constitui cerca de três novos químicos por dia.

Além dos químicos, o Banco Mundial aponta ainda para o aumento dos níveis de salinidade na água e nos solos. O problema é causado pelas situações de seca extrema, tempestades e subida dos níveis da água do mar associados às alterações climáticas. “O mundo está a perder, devido à água salina, comida suficiente para alimentar 170 milhões de pessoas por ano“, refere o documento.

Nesse sentido, o relatório concluiu que a escassez de água limpa limita o crescimento económico em um terço do potencial e, por isso, o Banco Mundial recomenda uma “atenção imediata” por parte de todos os países, já que é um problema que afeta tanto países desenvolvidos, bem como, em desenvolvimento.

Face a estas conclusões, o presidente do Banco Mundial, David Malpass, considera que “os governos devem tomar medidas urgentes para ajudar a combater a poluição da água, para que os países possam crescer mais rapidamente de maneira equitativa e ambientalmente sustentável”. Na opinião da instituição, as ações dos países deverão focar-se em políticas ambientais, monitorização dos níveis de poluição, aplicação de sistemas efetivos, incentivos ao investimento privado em infraestruturas de tratamento de água e iniciativas de envolvimento da população.

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