Palavrões no local de trabalho? Conheça as regras

Dizer palavrões no local de trabalho alivia o stress, facilita a integração ou reflete falta de profissionalismo e imaturidade? A resposta certa pode ser controversa, mas há algumas regras a cumprir.

A vontade de dizer um palavrão no local de trabalho pode ser um lugar-comum para quem já experienciou um ambiente empresarial. Esta vontade pode ser motivada por um percalço ou uma situação desagradável, e as palavras podem sair sem intenção. A ciência defende que os palavrões podem aliviar o stress e desenvolver a camaradagem, mas os problemas podem surgir quando dizer asneiras se torna um hábito.

O advogado Richard Alaniz, citado pela CNN Business, refere que a vulgarização de algumas palavras “profanas” pode fazer com que se tornem banais, mas não significa que tenha de “se tornar parte da cultura da empresa”. Alaniz alerta ainda para a eventualidade de este tipo de linguagem poder conduzir a questões legais, como rescisões de contrato e, em casos mais graves, despedimentos.

A CNN reúne algumas regras que se devem ter em consideração no uso de palavrões no local de trabalho.

  • Preservar a reputação

Dizer repetidamente palavras consideradas ofensivas pode transparecer, para os seus colegas e chefia, que não tem controlo na linguagem e nas emoções. Pode fazê-lo sentir-se melhor mas não é obrigatório que o faça ganhar mais respeito entre os seus pares. Se tem por hábito dizer muitas asneiras, pode em alguns casos causar algum desconforto e afastar colegas.

Pode pensar que é casual e que está a sentir-se confortável, mas a verdade é que continua a tratar-se do seu local de trabalho e há um certo nível de profissionalismo que tem de ser mantido”, sublinha Diane Gottsman, especialista em etiqueta, citada pela CNN.

  • Reconheça e (se necessário) peça desculpa

Por mais que seja cuidadoso com a linguagem no local de trabalho, é possível que saia uma asneira sem intenção, principalmente em momentos de maior stress. O mais importante é o que decide fazer no momento seguinte. Segundo os especialistas, alguém que diz asneiras só nestes momentos, e tem sempre uma justificação, pode ser menos julgado pelos colegas.

  • Não coloque por escrito

Vicki Salemi, especialista em carreiras norte-americana, aconselha a evitar o uso destas palavras em emails, mensagens de voz ou textos relacionados diretamente com o trabalho. “O objetivo é reduzir qualquer risco associado à sua reputação”, reforça Salemi.

  • Conhecer a “audiência”

Dizer palavrões pode depender do local onde os diz, e a quem se dirige quando o faz. Os palavrões podem ser sinal de um ambiente informal, “incentivar a camaradagem, aliviar a tensão e o stress”, defende o professor de psicologia de Massachusetts, Timothy Jay. “É muito melhor do que qualquer tipo de agressão física”, reforça.

A ciência vem trazer ainda mais controvérsia na resposta a esta dúvida. Em 2017, um estudo publicado no Jornal Europeu de Psicologia Social, revelava que “dizer asneiras alivia a dor física e social”. Os palavrões não são obrigatoriamente sinais de um vocabulário mais pobre ou menos inteligência, refere outro estudo publicado pela revista de ciência britânica Language Sciences, em 2015, que sugere que o uso destas palavras consideradas “tabu” está diretamente ligado à fluência da língua.

“Faz parte da nossa inteligência emocional, saber como e quando usar estas palavras. Se pensar nisso através de uma perspetiva moral, não vai compreender o quão comum e normal pode ser. Toda a gente conhece este tipo de linguagem [palavrões]”, sublinha Timothy Jay.

Contribua. A sua contribuição faz a diferença

Precisamos de si, caro leitor, e nunca precisamos tanto como hoje para cumprir a nossa missão. Que nos visite. Que leia as nossas notícias, que partilhe e comente, que sugira, que critique quando for caso disso. A contribuição dos leitores é essencial para preservar o maior dos valores, a independência, sem a qual não existe jornalismo livre, que escrutine, que informe, que seja útil.

A queda abrupta das receitas de publicidade por causa da pandemia do novo coronavírus e das suas consequências económicas torna a nossa capacidade de investimento em jornalismo de qualidade ainda mais exigente.

É por isso que vamos precisar também de si, caro leitor, para garantir que o ECO é económica e financeiramente sustentável e independente, condições para continuar a fazer jornalismo rigoroso, credível, útil à sua decisão.

De que forma? Contribua, e integre a Comunidade ECO. A sua contribuição faz a diferença,

Ao contribuir, está a apoiar o ECO e o jornalismo económico.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Palavrões no local de trabalho? Conheça as regras

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião