Ana Paula Serra substitui Elisa Ferreira na supervisão dos bancos

  • ECO
  • 12 Setembro 2019

Tal como o ECO avançou em primeira mão, a pasta da supervisão prudencial, que pertencia a Elisa Ferreira, vai para as mãos da administradora Ana Paula Serra. Escolha surpreendeu setor.

Elisa Ferreira, de saída do Banco de Portugal, passa a pasta da supervisão dos bancos a Ana Paula Serra.Paula Nunes / ECO

Tal como o ECO avançou em primeira mão, Ana Paula Serra foi a administradora escolhida para ficar com o pelouro da supervisão prudencial no Banco de Portugal, pasta que pertencia a Elisa Ferreira, que está da malas prontas para integrar o próximo Executivo da Comissão Europeia. A escolha surpreendeu o setor.

Esta sexta-feira, o ECO Insider — a newsletter semanal do ECO exclusiva para assinantes — antecipou a notícia que é confirmada em Diário da República esta quinta-feira: após reunião da administração a 3 de setembro, decidiu-se a redistribuição de pelouros e poderes na sequência da saída de Elisa Ferreira para Bruxelas, com a administradora Ana Paula Serra a passar a liderar o Departamento de Supervisão Prudencial “nas ausências e impedimentos” da ainda vice-governadora do Banco de Portugal. Para mais tarde ficará a nomeação definitiva do responsável que terá o pelouro da supervisão prudencial, que tem por missão regular e supervisiona as instituições de crédito e outras sociedades financeiras e instituições de pagamento.

O processo de substituição de Elisa Ferreira, que vai ocupar o cargo de comissária para a Coesão e Reformas, era aguardado com expectativa pelo setor bancário. A escolha do governador Carlos Costa surpreendeu os banqueiros e a primeira reação foi, no mínimo, de reserva. Uma justificação para esta surpresa será a inexperiência de Ana Paula Serra na supervisão bancária. Mas é preciso acrescentar que o regime de incompatibilidades tornaria quase inevitável a escolha de Ana Paula Serra dentro do conselho de administração, ou uma mudança de pelouros mais profunda. Luís Máximo dos Santos, por exemplo, é vice-governador e presidente do Fundo de Resolução, enquanto Hélder Rosalino, administrador, gere as reservas do Banco de Portugal.

Nomeada administradora do Banco de Portugal em setembro de 2017, Ana Paula Serra é licenciada em Economia, pela Faculdade de Economia da Universidade do Porto, completou MBA pelo Instituto Superior de Estudos Empresariais da Universidade do Porto, e é doutorada em Finanças (Financial Economics) pela London Business School. Foi nomeada administradora em setembro de 2017.

Atualmente, Ana Paula Serra tem a seu cargo, no Banco de Portugal, o Departamento de Gestão e Desenvolvimento de Recursos Humanos, o Departamento de Estatística, a contabilidade e controlo e a gestão de risco.

As mudanças no Banco de Portugal não vão ficar por aqui. Terá de haver a substituição de Elisa Ferreira e, por outro lado, o administrador Hélder Rosalino termina em setembro do seu mandato de cinco anos. Só que a realização das eleições, e a exigência de uma prestação de contas de novos administradores no Parlamento obriga a um compasso de espera, para depois da tomada de posse do Governo na sequência dos resultados eleitorais. Em julho de 2020, acaba o mandato do governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, e a grande interrogação é saber qual será o seu sucessor. A aposta mais forte é a do ministro Mário Centeno, mas o vice-governador, Máximo dos Santos, é também uma hipótese forte.

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