Novos passes trazem mais passageiros para Metro do Porto do que para Lisboa. Transporte de mercadorias em queda abrupta

Metros do Porto e Sul do Tejo viram procura crescer 10% e 25% contra 6% em Lisboa. Transporte de mercadorias regista quebras significativas entre abril e junho, com destaque para -16% na ferrovia.

As redes de metropolitano em Portugal registaram um crescimento total de 8,5% na procura no segundo trimestre do ano, período cujo início coincide com a entrada em vigor dos novos passes para os transportes, marcados por cortes nos preços. Segundo dados agora publicados pelo INE, o transporte por metropolitano em Portugal registou um acréscimo de passageiros de 8,5% no período, totalizando 68,2 milhões de passageiros transportados. No primeiro trimestre do ano, a procura pela rede de metropolitano tinha crescido 6,1%.

Olhando em detalhe para a evolução da procura em cada uma das redes de metropolitano do país após a entrada em vigor do Programa de Apoio à Redução Tarifária (PART), conclui-se, porém, que este acabou por ter mais impacto nas procuras registadas pelo Metro do Porto e Metro Sul do Tejo do que no Metro de Lisboa, segundo os dados do INE. “O Metro de Lisboa transportou 46,1 milhões de passageiros (67,6% do total; variação de +6,5%), o Metro do Porto 18,1 milhões (+10,7%) e o Metro Sul do Tejo 4,0 milhões (+25,2%), com variações sob efeito do novo sistema tarifário de passes.”

De acordo com o Instituto Nacional de Estatística, as soluções procuradas pelas empresas de transporte para oferecer mais lugares nas composições — pela retirada de bancos, por exemplo –, também trouxe resultados no segundo trimestre, com os lugares-quilómetro oferecidos a crescer 1,9% no período, com a “taxa de utilização” a fixar-se em 23,3%, “com o maior aumento no Metro do Porto (+2,6 p.p.), seguindo-se o Metro Sul do Tejo (+2,2 p.p.) e por fim o Metropolitano de Lisboa (+0,2 p.p.)”.

O transporte ferroviário também registou um forte impacto com a entrada em vigor dos novos passes, com o transporte suburbano a contabilizar um salto de 16% no total de passageiros ao longo do segundo trimestre, para 38,8 milhões, e os passageiros nas redes interurbanas a crescer 4,2%. No primeiro trimestre, os crescimentos tinham sido de 4,9% e 1,5%, respetivamente.

Além do transporte por metropolitano e ferrovia, também o transporte fluvial viu a procura crescer ao longo do segundo trimestre, ainda que, ao contrário do que se verificou com o metropolitano, o crescimento tenha desacelerado no segundo trimestre. A sucessão de problemas e a bateria de greves registada nas travessias do Tejo — que valem mais de 85% do total deste segmento — justificarão o abrandamento.

Já em relação aos aeroportos, o INE salienta que no segundo trimestre de 2019 “aterraram nos aeroportos nacionais 62,8 mil aeronaves em voos comerciais (+3,5%, tal como no trimestre precedente), com acréscimos de 4,1% no Continente e de 4,8% na Região Autónoma dos Açores, a par de um decréscimo de 5,9% na Região Autónoma da Madeira”.

Mercadorias a pique

Um outro grande destaque sobre a evolução do sistema de transportes no segundo trimestre prende-se com o comportamento bastante negativo na movimentação de mercadorias por parte da economia portuguesa, numa tendência generalizada a todos os modos de transporte. Se no primeiro trimestre as mercadorias transportadas tinham atingido as 41,1 mil toneladas, no segundo trimestre o valor foi de apenas 39,6 mil toneladas.

Segundo o INE, houve uma quebra de 8,1% de movimentações nos portos marítimos nacionais, que no primeiro trimestre tinham crescido 2,9%, e um recuo de 16,2% no transporte de mercadorias por ferrovia (-3%) e de 2,8% na via rodoviária (+0,7%), provável sintoma do comportamento das exportações da economia portuguesa.

A greve dos motoristas de matérias perigosas, que decorreu em abril, ou seja no segundo trimestre, também poderá ter tido impacto na evolução do transporte de mercadorias em Portugal, ainda que o INE não faça qualquer menção à paralisação.

(notícia atualizada às 11h45)

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