AEP pede ligação ferroviária à Europa para mercadorias. António Costa afirma ser “fundamental”

  • ECO
  • 14 Setembro 2019

Luís Miguel Ribeiro, presidente da Associação Empresarial de Portugal (AEP), garante que o TGV não é uma prioridade, mas sim a ligação ferroviária à Europa para mercadorias.

A ligação ferroviária de Portugal à Europa para o transporte de mercadorias “é a grande preocupação” do novo presidente da Associação Empresarial de Portugal (AEP) — e não o TGV, ao qual só é favorável “se houver apoios”.

Em entrevista ao Dinheiro Vivo, Luís Miguel Ribeiro, que acaba de assumir o cargo, garante que o país deve “investir na criação de riqueza” e que, nesse sentido, “é urgente diversificar mercados”. “Precisamos de reforçar os fundos de apoio à internacionalização, quer em montantes, quer nas taxas de cofinanciamento”, remata.

O mandato, que começou em julho, vai estender-se até maio de 2020, com apostas voltadas para a “requalificação dos recursos humanos”, “reforço da competitividade das empresas” e “apoio à internacionalização”. Sobre este último ponto, frisa que ainda “há um longo caminho a fazer”.

Acerca do atual Governo, Luís Miguel Ribeiro vê “resultados positivos a vários níveis”, nomeadamente na “consolidação das contas públicas”, mas critica “algumas opções tomadas ao nível da qualificação dos recursos humanos e dos estímulos à atividade empresarial”: “Temos uma das cargas fiscais mais elevadas da Europa, o que exige um esforço acrescido às empresas”, aponta.

Para dinamizar a economia, o novo líder da AEP pede uma descida dos impostos, “sempre que as contas públicas o permitam”. “A burocracia, a carga fiscal e a legislação laboral têm de ser ajudadas às necessidades das empresas”, conclui.

António Costa afirma que ferrovia é fundamental na ligação a Espanha

No rescaldo da entrevista, o secretário-geral do PS, António Costa, afirmou este sábado que o investimento na ferrovia na ligação a Espanha é fundamental, para o interior deixar de ser as traseiras do litoral e passar a ser a porta para o mercado ibérico.

“Nós dissemos que o interior tinha de deixar de ser visto como um problema para o país e que tinha que passar a ser visto como uma oportunidade para o país e que isso passava por duas coisas: em primeiro lugar, por valorizar os recursos próprios destas regiões e, por outro lado, por reforçar a ligação com Espanha, para que o interior deixe de ser as traseiras do litoral e passe a ser nossa porta avançada para crescermos no conjunto do mercado ibérico, para os 60 milhões de pessoas que vivem na Península Ibérica”, afirmou António Costa.

O secretário-geral do PS, que falava durante um almoço-convívio em Castelo Branco, no âmbito da pré-campanha para as eleições legislativas de 6 de outubro, considerou que governar exige fazer escolhas. “Quando nós escolhemos onde devíamos dar prioridade ao investimento, uma das prioridades que definimos na ferrovia foi a ligação a Espanha através da linha da Beira Alta e da linha da Beira Baixa”, sustentou. Costa afirmou que essas obras deixaram de ser daquelas que só aparecem nos discursos: “São obras que estão hoje a andar, estão no terreno e vão ser acabadas a tempo e horas para termos uma melhor ligação a Espanha”.

O secretário-geral do PS explicou também que foi também por isso que no Plano nacional de Infraestruturas o Governo inscreveu outra obra fundamental, uma rodovia de ligação a Espanha. “Inscrevemos uma obra fundamental para ligar a A23 a Espanha que é o IC 31 e essa vai ser também uma outra realidade, porque é tão importante ligar o interior ao litoral, como mais importante ainda é ligar o interior a Espanha”, sustentou. Contudo, sublinhou que não basta ter serviços e infraestruturas e defendeu que as empresas são fundamentais para a criação de postos de trabalho para revitalizar todo o interior do país.

“É o emprego que permite fixar quem cá vive e atrair quem pode vir para cá viver. E foi por isso que ao contrário de outros que querem reduzir impostos para todas as empresas sejam elas quais forem e estejam onde estiverem, nós entendemos que o que era necessário, era concentrar o esforço do beneficio fiscal nas empresas que se instalem no interior para aqui criarem postos de trabalho, fixarem população e que atraiam novos residentes”, concluiu.

(Notícia atualizada às 16h15 com declarações de António Costa sobre a ferrovia)

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