OCDE revê em baixa crescimento da economia mundial em 2019 e 2020

  • Lusa
  • 19 Setembro 2019

Nas revisões feitas agora, a OCDE prevê que a Zona Euro cresça menos uma décima este ano menos e quatro em 2020. A instituição prevê que o PIB suba 1,1% em 2019 e de 1% em 2020.

O crescimento da economia mundial deverá desacelerar para 2,9% em 2019 e para 3% 2020, estimou esta quinta-feira a OCDE, que reviu em baixa as previsões anteriores e advertiu que serão os acréscimos mais fracos desde a crise financeira de 2008.

No relatório Perspetivas Económicas Intercalares, que revê as previsões semestrais lançadas em maio, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) baixou três décimas a projeção para este ano e quatro décimas para 2020, em linha com uma tendência que se estende nas maiores economias.

Estes mesmos recuos aplicam-se ao G20, o grupo de grandes países desenvolvidos e emergentes, com um crescimento previsto de 3,1% em 2019 e de 3,2% em 2020, enquanto que na zona euro o ajustamento é mais ligeiro, de uma e quatro décimas, para subidas de 1,1% em 2019 e de 1% em 2020.

Depois de um avanço do crescimento da economia mundial de 3,6% em 2018, as conclusões da OCDE são taxativas, afirmando que o panorama se tornou “cada vez mais frágil e incerto”, em grande parte devido às tensões comerciais e políticas, que minam a confiança e o investimento.

A OCDE já tinha revisto em baixa as previsões em maio e neste novo relatório a organização com sede em Paris ratifica que, segundo os últimos acontecimentos económicos e financeiros, a desaceleração durará mais do que o previsto.

O peso da incerteza reinante recai sobretudo na guerra comercial entre os Estados Unidos e a China, e na perspetiva de um ‘Brexit’ sem acordo.

A introdução de tarifas bilaterais entre Washington e Pequim desde inícios de 2018 continuará a arrastar a atividade e o comércio global nos próximos dois anos e “poderia reduzir o acréscimo global do Produto Interno Bruto (PIB) em entre 0,3 e 0,4 pontos percentuais em 2020 e entre 0,2 e 0,3 em 2021”, afirma a OCDE.

Ainda que aqueles dois países registem duas das taxas de crescimento mais elevadas nos próximos dois anos, a OCDE sublinha que também serão os mais afetados.

De momento, a organização calcula que a economia norte-americana crescerá 2,4% em 2019 e 2% em 2020, menos quatro e três décimas que as previsões de maio, e que a chinesa avançará 6,1% e 5,7%, que traduz um corte de uma e três décimas.

A possibilidade de que o Reino Unido abandone a União europeia (UE) sem acordo é outro dos fatores mais desestabilizadores, com custos sobre o comércio e um impacto sobre a economia britânica que poderia fazer com que o país caísse numa recessão.

A OCDE só revê de forma pormenorizada nestas perspetivas a situação de países do G20, mantendo por exemplo a projeção para 2019 para França (+1,3%) e tirando uma décima para 2020 (+1,2%), enquanto para a Alemanha o ajustamento é de duas e seis décimas para respetivamente 0,5% em 2019 e 0,6% em 2020.

Em contrapartida, a OCDE reviu em baixa os crescimentos das economias do México, para 0,5% este ano (-1,1 pontos) e 1,5% em 2020 (menos 0,5 pontos), e do Brasil, para 0,8% em 2019 (menos 0,6 pontos) e 1,7% em 2020 (menos 0,6 pontos).

O impacto desta conjuntura sombria far-se-á sentir na qualidade de vida dos cidadãos, a perspetiva de uma melhoria continuada dos salários a médio prazo é mais fraca do que antes da crise financeira e o crescimento ‘per capita’ nos últimos anos também se manteve abaixo, refere a OCDE.

A OCDE sublinha que a necessidade de políticas macroeconómicas adicionais cresceu na maior parte das economias e conclui que devem aplicar-se com urgência políticas que fortaleçam a confiança, acalmem as tensões, estimulem o investimento e o crescimento potencial.

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