Trimestre negro na bolsa de Lisboa. PSI-20 perde 3%, BCP cai 30%

A bolsa de Lisboa fechou último trimestre com uma perda acumulada de 3%. Os piores desempenhos pertenceram ao BCP, que perdeu quase um terço do valor. Pharol e Sonae Capital também saem em baixa.

Se há dúvidas sobre se o três é o número do azar, os investidores que avaliem as suas crenças. O BCP perdeu cerca de 30% em bolsa no terceiro trimestre que agora termina. Foi o pior registo trimestral para o banco nos últimos três anos e também o pior desempenho entre as 18 cotadas da bolsa de Lisboa. Mais uma observação: o PSI-20 a caiu mais de 3% neste período.

Embora o principal índice português tenha subido esta segunda-feira 0,8% para 4.973,76 pontos, o trimestre que decorreu entre 1 de junho e 30 de setembro trouxe perdas de 3,19% para o PSI-20 — enquanto o Stoxx 600 subiu 2%. Mas há derrotados e derrotados por cá. O maior deles foi o BCP.

A ação registou uma variação trimestral de -29,9%, terminando a sessão desta segunda-feira a cotar nos 19,06 cêntimos. O banco foi castigado sobretudo depois da apresentação dos resultados do semestre na banca, com os sucessivos alertas de que o Banco Central Europeia (BCE) ia manter o negócio bancária sob pressão por causa da sua política monetária de juros mínimos. Isto arrastou o setor europeu: o Euro Stoxx 600 Banks caiu 1,15% no acumulado do trimestre.

No caso do BCP, o título foi também penalizado pelos investidores por causa da incerteza em relação a eventuais perdas do Bank Millenium com empréstimos em francos suíços e ainda pela multa de 60 milhões de euros da Autoridade da Concorrência. Ao ECO, Miguel Maya, presidente do banco, admitiu que o ano estava a ser mais difícil do que o esperado, frisando, porém, que não tencionava mudar os objetivos do plano estratégico. Na despedida do trimestre, o banco conseguiu valorizar 1,17% esta segunda-feira, mantendo a tendência de recuperação verificada desde a semana passada.

BCP cai 30% no trimestre

A Pharol foi outra das grandes perdedores do trimestre. A empresa liderada por Palha da Silva foi penalizada pela operadora brasileira Oi, onde detém uma participação de 5%. Em Lisboa, refletindo a incerteza que paira sobre a companhia brasileira, as ações da Pharol cederam 27,81% no trimestre. Perante o cenário de stress na Oi, a Telefónica está a preparar uma ofensiva para comprar o negócio da telefonia móvel da rival, num negócio que pode valer quatro mil milhões de euros.

Sonae Capital e F. Ramada também fecharam o terceiro trimestre com perdas acentuadas. A primeira cotada perdeu 17,70%, enquanto a segunda caiu 16,19%.

Do lado dos ganhos, destaque para a EDP Renováveis e EDP, que acumularam valorizações de 9,65% e 6,58%, respetivamente. Também a Jerónimo Martins somou 9,28% para fechar o trimestre a cotar nos 15,45 euros, evitando uma queda mais expressiva da bolsa de Lisboa. Desde o início do ano, a dona do Pingo Doce ganha quase 50% na bolsa, no melhor registo nacional em 2019.

(Notícia atualizada às 17h19)

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