Rio é candidato à liderança do PSD para evitar fragmentação. Assume liderança da bancada até fevereiro

Rui Rio volta a candidatar-se à liderança do PSD apesar da derrota que o partido sofreu nas legislativas. Vai ser líder da bancada parlamentar até ao congresso e ganha palco para ser oposição.

O presidente do PSD anunciou esta segunda-feira que se vai recandidatar à liderança do partido. Rui Rio tomou esta decisão apesar da derrota que os sociais-democratas sofreram nas eleições legislativas de 6 de outubro. As eleições diretas no PSD devem ocorrer em janeiro. Para já há três candidatos a disputar a cadeira do líder.

“Estou disponível para disputar as próximas eleições internas e conduzir o PSD nas próximas eleições autárquicas”, disse, numa conferência de imprensa, a partir do Porto. Rio frisou que teve de ponderar entre a sua vida pessoal e os apelos que recebeu “de dentro e de fora” do partido.

O líder social-democrata sustentou que a sua “não recandidatura pode levar o partido a uma grave fragmentação”, que o país precisa de uma “liderança [no PSD] que defenda a social-democracia, no centro político”.

Nas legislativas, o PSD obteve 27,7% dos votos, o equivalente a 79 deputados, contra 36,3% do PS, o que corresponde a 108 deputados.

E apesar dos resultados, Rio tentou capitalizar estes números. “Os quase 28% significam que 1,5 milhões de portugueses confiaram nesta liderança”, afirmou.

Rio assume liderança da bancada parlamentar e ganho palco

Na mesma declaração, Rio anunciou que assumirá até ao congresso de fevereiro a liderança da bancada parlamentar por considerar que nesta função tem de estar alguém alinhado com a liderança do partido. O presidente que sair do congresso escolherá quem vai ficar à frente da bancada. “Assumirei eu próprio a liderança da bancada”, anunciou.

Até lá “não há reformas estruturais” para decidir, disse. Há programa de Governo e Orçamento do Estado, um palco que dará a Rio a possibilidade de se afirmar no Parlamento pela primeira vez como líder do maior partido da oposição.

O anúncio de Rio foi já aproveitado para começar a fazer campanha contra os seu adversários. Falou do “golpe de janeiro” quando Luís Montenegro desafiou Rui Rio e disse que não precisava de alguns apoios no PSD — que até era melhor que não chegassem.

Rui Rio deixou sempre em aberto o que faria depois das eleições no caso de sair perdedor e até esta segunda-feira, cerca de duas semanas depois da ida à urnas, ainda não era conhecida a sua decisão. No entanto, na noite eleitoral desvalorizou os resultados.

Assumiu que o PSD não alcançou o principal objetivo, de vencer as legislativas, mas defendeu que não se tratou de “uma grande derrota”, explicando o resultado pela conjuntura económica internacional favorável ao Governo, pelo surgimento de novos partidos à direita, mas também pelas sondagens que terão “desmotivado” os eleitores sociais-democratas e pela ação dos críticos internos.

O resultado do partido fez reacender a instabilidade interna entre os sociais-democratas. Luís Montenegro, antigo líder da bancada parlamentar do PSD, já anunciou que é candidato à presidência do partido e Miguel Pinto Luz, ex-líder da distrital de Lisboa do PSD, também.

O clima de divisão interna foi evidente quando o ex-Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, enviou uma reação à Lusa comentando os resultados do PSD onde se revelou “entristecido” e onde lançou o nome de Maria Luís Albuquerque. A ex-ministra das Finanças de Passos Coelho não avança mas apoia Luís Montenegro.

“O resultado que o PSD obteve no passado domingo [6 de outubro] foi um mau resultado. A estratégia política falhou, como já tinha sido evidenciado nas Europeias, e agora com um resultado que já não tínhamos há 36 anos, muito mau, que deixa ao PSD muito pouco espaço“, disse Luís Montenegro para justificar a decisão de se candidatar.

Já o vice-presidente da Câmara Municipal de Cascais anunciou ser candidato e prevendo que as diretas de janeiro sejam uma “uma oportunidade para o reencontro com as verdadeiras aspirações dos portugueses”. Pinto Luz acredita poder conduzir “um projeto político capaz de ser alternativa ao projeto socialista”.

(Notícia atualizada)

 

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