Centeno é o mais otimista na previsão para o PIB. Só ele vê Portugal a acelerar em 2020

OCDE fecha ciclo de previsões disponíveis até à entrega do Orçamento do Estado no Parlamento. Por agora Mário Centeno anda ao contrário das instituições que acompanham a economia portuguesa.

Quando o Governo entregar o Orçamento do Estado para 2020 no Parlamento, o que deve acontecer a 16 de dezembro, terá de assumir um cenário macroeconómico para a economia. Para já, Mário Centeno parece andar ao contrário dos outros. As principais instituições que atualizaram previsões para Portugal apontam para uma desaceleração no próximo ano, enquanto o Governo vê a economia a apressar o passo, embora muito ligeiramente.

Com as previsões de outono da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), publicadas esta quinta-feira, fica fechado o ciclo de projeções disponíveis antes de o Governo entregar o Orçamento do Estado para 2020 no Parlamento.

Entre outubro e novembro a maior parte das instituições atualizou as previsões de crescimento para este ano e o próximo. A saber:

  • Fundo Monetário Internacional: 1,9% este ano e 1,6% em 2020
  • Comissão Europeia: 2% este ano e 1,7% em 2020
  • Conselho das Finanças Públicas: 1,9% este ano e 1,7% em 2020
  • OCDE: 1,9% este ano e 1,8% em 2020

O que nos dizem estes números? Primeiro, que Mário Centeno está acompanhado na sua previsão para 2019. A 15 de outubro, o Ministério das Finanças enviou para a Comissão Europeia o draft do Orçamento do Estado para 2020 onde manteve a previsão de crescimento do PIB em 1,9% apesar da revisão em alta que o INE fez dias antes às taxas de crescimento do PIB dos anos mais recentes, incluindo no primeiro semestre do ano. Bruxelas até vê um crescimento maior (de 2%).

No entanto, o Executivo reviu em alta a taxa de crescimento para 2020 em uma décima para 2%. A revisão foi ligeira, mas assume uma tendência de aceleração. Ao mesmo tempo, as instituições que acompanham a economia portuguesa faziam o contrário. Cortavam as previsões para 2020 e punham um travão ao PIB em 2020.

Ainda não é claro o que fará no Orçamento do Estado, mas para já Mário Centeno tem dado indicações de que afasta um cenário de abrandamento no próximo ano. Na primeira ronda de reuniões com os partidos à esquerda do PS com o objetivo de conseguir apoios para a aprovação do documento, o ministro das Finanças transmitiu no encontro com o PEV que o PIB vai crescer em 2020 num “patamar idêntico” ao de 2019.

Para o dia seguinte à entrega do Orçamento está agendada a publicação do Boletim Económico do Banco de Portugal, onde são de novo atualizadas previsões. Em outubro, o banco central atualizou apenas a previsão para este ano, de 1,7% para 2%, mas nada mais. A última vez que fez projeções para 2020 foi em junho, no Boletim Económico de verão, onde previa uma taxa de crescimento do PIB de 1,6%. Este número é, porém, anterior à revisão da base das contas nacionais do INE, mas é igual ao registo do FMI.

A projeção de crescimento do PIB e a tendência que desenha face ao ano anterior é um dado relevante na construção de um Orçamento do Estado. É este valor que sustenta o desempenho das receitas fiscais e, por essa via também, o valor do saldo orçamental. Nas negociações políticas este é também um elemento relevante, já que é mais difícil justificar a adoção de medidas favoráveis para as famílias e as empresas se o desempenho económico não for favorável.

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