Quanto custa jantar nos quatro novos restaurantes com estrelas Michelin?

Há muitas vezes a ideia de que os restaurantes galardoados têm preços exorbitantes. Apesar de os menus de degustação serem mais dispendiosos, há outras opções mais em conta.

O Guia Michelin é um dos principais símbolos da gastronomia mundial. Em Portugal há 27 estabelecimentos que merecem esta condecoração gastronómica. Diretamente de Sevilha, na cerimónia do Guia ibérico 2020, o país trouxe cinco novas estrelas e passou a ter quatro novos restaurantes galardoados. Mas, afinal, quanto custa ir a um restaurante com estrela Michelin?

Quando um restaurante é condecorado, a procura aumenta e, por vezes, os preços acompanham o mediatismo. Mas nem sempre estas unidades têm opções fora do alcance para a maioria dos portugueses. É o caso do Epur, localizado em Lisboa, mais precisamente no Chiado. Neste restaurante as opções combinam inspirações de cozinha portuguesa, francesa e asiática. Ao almoço, por exemplo, com o menu Essential (disponível apenas nesse período), pode fazer uma refeição por 35 euros por pessoa, com tudo o que tem direito: entrada ou sobremesa, prato principal, copo de vinho e café.

O chef Vicent Farges a confecionar um prato na cozinha do Epur, em LisboaD.R.

Ao jantar, a fatura é um pouco mais pesada. À sua disposição tem quatro menus, sendo que o mais barato custa 65 euros por pessoa, com entrada, prato principal e sobremesa. Caso queira acompanhar a refeição com harmonização de vinhos, terá de desembolsar mais 25 euros. Mas se quiser saborear várias degustações, a conta sai-lhe no máximo a 160 euros por pessoa, sem vinhos incluídos.

Ainda pela capital, para experienciar as qualidades gastronómicas do chef Martín Barasategui tem de subir ao topo da Torre Vasco da Gama, no Parque das Nações. A 120 metros de altura e com uma vista panorâmica de 360.º graus fica o Fifty Seconds by Martín Barasategui, que, tal como o nome indica, pertence ao cozinheiro com mais estrelas Michelin no currículo.

Com influencias da cozinha mediterrânea, este estabelecimento é idealmente recomendado para quem gosta de peixe e marisco. Além da escolha à carta, cada cliente tem à sua disposição dois menus de degustação, que incluem sempre duas entradas e terminam com duas sobremesas. No menu Fifty Second a opção com sete degustações custa 140 euros por pessoa, sem vinhos incluídos. Caso queira degustar mais criações, terá de puxar mais pela carteira e tem à sua disposição um menu de 170 euros por pessoa, com dez pratos.

Obviamente que os pratos não poderão ser substancialmente baratos, porque trabalhamos com produtos de alta qualidade. Mas não me parece que seja tão inacessível como podemos achar, quando comparados com outros países da Europa.

Chef Diogo Rocha

Responsável pelo Mesa de Lemos, em Viseu

Mais a norte, em Viseu, encontramos o chef Diogo Rocha a tomar as rédeas do restaurante Mesa de Lemos. “A nossa taxa de ocupação tinha habitualmente uma lotação de cerca de 30 a 40%, depois de recebermos o prémio estamos cheios“, conta ao ECO Diogo Rocha. No Mesa de Lemos existem dois menus de degustação: o mais barato tem “dez porções e custa 80 euros”, o outro tem “15 porções e custa 105 euros”, explica o chef. Sendo que se quiser a harmonização de vinhos a fatura aumenta 25 e 40 euros, respetivamente.

Além de uma cozinha criativa, há elementos constantes à mesa do Mesa de Lemos, como os vinhos da Quinta de Lemos, o azeite Quinta de Lemos e a sua horta.D.R.

Obviamente que os pratos não poderão ser substancialmente baratos“, reconhece o chef Diogo Rocha, acrescentando que não lhe parece que “seja tão inacessível” quanto se possa pensar. O chef justifica os preços praticados pela qualidade dos produtos que utiliza nas suas conceções e admite que nem sempre é fácil encontrar um equilibro entre a qualidade e o preço. Apesar de o chef aconselhar os menus de degustação por considerar que permitem saborear mais pratos, na Mesa de Lemos há refeições à carta mais em conta. Com esta opção “uma refeição custa em média 50 a 60 euros”, aponta o chef Diogo Rocha.

Por terras algarvias, fica o restaurante Vistas, onde a cozinha está a cargo do chef Rui Silvestre. Situado em Vila Nova de Cacela e integrado num complexo turístico de luxo, o restaurante é assente na cozinha tradicional e maioritariamente de peixe e marisco. Ainda assim conta com algumas opções vegetarianas e alguns pratos de carne. “Neste momento, temos três menus disponíveis que muito provavelmente sofrerão atualizações aquando da reabertura do Vistas em março 2020“, refere ao ECO fonte oficial do Vistas.

No Restaurante Vistas, localizado em Vila de Nova de Cacela, a cozinha está a cargo do chef Rui Silvestre.D.R.

Com dois menus de degustação, o menu Fauna e Flora permite-lhe saborear seis experiências por 100 euros por pessoa, isto já com o wine paring incluído. Por outro lado, os clientes têm também à disposição o Sea Promenade (em português Passeio Marítimo), onde pode optar por provar cinco, seis ou sete criações diferentes, sendo que a primeira mais barata custa 90 euros por pessoa, também com a combinação de vinhos incluída. Caso prefira escolher à carta, as opções são vastas e variam entre os 18 euros, para um prato de vegetais, e os 63 euros, se escolher um prato de carne. Fonte oficial do restaurante apesar das atualizações, os preços dos menus em causa “não sofrerão alterações”.

Neste guia, a atribuição de uma estrela sinaliza uma cozinha de altamenterefinada, onde compensa parar. Por outro lado, duas estrelas sinalizam uma cozinha excelente, que vale a pena o desvio. Já as três, o máximo que um restaurante pode atingir e que ainda não existe em Portugal, indicam uma cozinha excecional, que vale uma viagem especial. Em Portugal há 20 restaurantes com uma estrela e sete, com duas.

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António Costa

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