“Centeno era um trunfo eleitoral, agora parece ser o pesadelo”, diz Marques Mendes

Para Marques Mendes, o ministro das Finanças perdeu poder no Governo e a prova é o facto de o Orçamento estar a ser discutido na praça pública.

O Orçamento do Estado está a ser feito na praça pública”, diz Luís Marques Mendes. Em causa está a perda de autoridade de Mário Centeno no seio do Governo, mas também a perda de confiança dos diversos ministros na capacidade de António Costa mediar os conflitos, explica o advogado no seu comentário semanal na SIC.

Numa referência às diversas notícias que foram saindo na imprensa, nas quais diferentes ministros vão deixando recados sobre aquilo que gostariam de ver no Orçamento do Estado para 2020, Marques Mendes defende que Mário Centeno está a pagar o preço de ser um ministro a prazo. “Centeno antes era a solução, agora é o problema. Antes era o trunfo eleitoral, agora parece ser o pesadelo“, afirma.

“O Orçamento do Estado está a ser feito na praça pública, dirigentes do PS e ministros andam a tratar esta matéria com recados e contra recados com pressões na praça pública”, diz o antigo líder do PSD.

Primeiro foi Carlos César e Ana Catarina Mendes pressionaram Mário Centeno com a necessidade de haver um maior investimento público na saúde, depois Eduardo Cabrita a pedir mais dinheiro para as forças de segurança, depois foi a vez de Mário Centeno responder aos outros ministros no Expresso (acesso pago) este fim de semana, dando a ideia de que não cede. “Isto é uma novidade”, frisa Marques Mendes. “Nos orçamentos anteriores poderia haver divergências entre os parceiros da geringonça, mas dentro do Governo a coesão era total”.

A situação agora é diferente demonstrando que existe “mal-estar dentro do Governo”, “que há perda de coesão entre os ministros” e que há coesão entre o ministro das Finanças e o primeiro-ministro”. “Isto demonstra que Mário Centeno já não tem dentro do Governo a autoridade que tinha no passado, que os seus colegas já não o respeitam como respeitavam anteriormente”. Isto tem uma explicação, diz Marques Mendes: “Mário Centeno é um ministro a prazo, está de saída e por isso não tem a mesma autoridade nem é respeitado da mesma maneira e por isso está a pagar um preço por isso”, sublinha.

Para Marques Mendes António Costa também não sai bem. O facto de os ministros terem de recorrer à imprensa para enviar recados e responder aos mesmo significa que “já não confiam no poder de arbitragem do primeiro-ministro, na sua capacidade de mediar os conflitos, de encontrar uma solução”, sublinha. Na sua opinião, o facto de já não ter poder de arbitragem, “dá a imagem de um primeiro-ministro fraco“.

(Notícia atualizada)

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