Transformação digital: liderança é essencial para a inovação

Da banca à saúde, a Unipartner e a Microsoft desafiaram algumas organizações a partilhar a experiência (e os desafios) da transformação digital nas suas organizações.

O digital veio para ficar. Para as empresas, a implementação e a transformação digital são um desafio do presente e do futuro, que veio mudar a forma de trabalhar e trazer mais desafios para os colaboradores e para os gestores.

Foi para ajudar a pensar nos desafios dessa mudança que a consultora Unipartner e a Microsoft juntaram um grupo de responsáveis de RH e de comunicação a partilhar as experiências da transformação digital nas suas organizações. O encontro decorreu esta sexta-feira, na sede da Microsoft, no Parque das Nações em Lisboa. A Pessoas foi assistir.

“Todos os negócios vão, de alguma forma, ser tecnológicos, não porque todos vão desenvolver tecnologia ou IP e software mas, porque certamente todos vão diferenciar-se pela forma como vão incorporar estas novas tecnologias”, afirmou Paula Panarra, diretora-geral da Microsoft, que partilhou as experiências da multinacional e abriu as hostes do encontro.

Apostada no desenvolvimento de ferramentas de comunicação, a Microsoft têm ajudado a integrar a transformação digital nas organizações, facilitando o dia-a-dia dos colaboradores, como é o exemplo do Microsoft Teams, do Office 365, ou da rede social empresarial Yammer. “Algumas destas inovações, destas tecnologias, não são assim tão recentes. O que é muito recente é a capacidade de as adquirir e de as enquadrar dentro daquilo que é a operação de cada uma das organizações”, sublinha Paula Panarra. O Teams, por exemplo, “permite quebrar esses silos, disponibilizar a mesma informação a todos e criar algum governance de equipas multifuncionais e, inclusivamente, com a possibilidade de juntar alguns dos parceiros externos em projetos específicos. Portanto, criar as condições de colaboração dentro da organização”, explica Paula Panarra.

Para Paula Panarra, a comunicação e a colaboração interna são ingredientes essenciais para garantir “consistência” na evolução das organizações. A responsável deu ainda o exemplo das novas instalações da Microsoft, na Expo, que permitiram à empresa “ter um espaço mais colaborativo dentro do espaço físico de trabalho, móvel, remoto e uma comunicação consistente”.

“Os líderes também têm de mudar”

A diretora-geral da Microsoft defende que uma boa liderança é fundamental para a criação de inovação dentro das organizações, porque pressupõe “a disponibilidade para errar, para testar, para aprender, e estar atento à realidade externa para, de facto, incorporar esta diversidade e estas novas competências e capacidades de gerações distintas”, explica a responsável.

Além disso, é importante que os líderes entendam que as novas gerações se juntam à empresa por um propósito. “É importante a forma como estamos e aquilo a que nos propomos, porque o projeto a que se juntam é muito importante na escolha da organização em que querem integrar-se”.

"Todos os negócios vão, de alguma forma, ser tecnológicos, não porque todos vão desenvolver tecnologia ou IP e software mas porque, certamente, todos se vão diferenciar pela forma como incorporaram estas novas tecnologias.”

Paula Panarra

Microsoft Portugal

“Não é porque o emissor envia a comunicação que o recetor a recebe, digere e a incorpora. O acompanhamento daquilo que são as comunicações que vamos fazendo com a organização é fundamental para assegurarmos a eficácia do que queremos para essa transformação.”

Preparar a organização para ser mais digital

“O empregado é o novo cliente”, referiu Fernando Reino da Costa, CEO e presidente da Unipartner, que acredita que a responsabilidade dos gestores de pessoas é “mostrar aos trabalhadores como pode tirar partido da transformação do local de trabalho”. “Não olhem para uma jornada digital do colaborador se não tiverem presente os vetores da cultura que vos são relevantes”, reforça.

A tecnologia e o espaço físico são os dois fatores que definem a experiência de um colaborador numa organização, defende. Uma organização mais ágil deve apostar em estratégias de comunicação fortes, numa aprendizagem contínua, na motivação, na colaboração, em soluções agile, estímulo à inovação, design thinking, a autonomia e a criatividade. Na gestão de mudança “temos de pôr as pessoas primeiro, e as iniciativas têm de estar muito focadas, quer nas pessoas como no processo de mudança que vamos implementar”.

Do tradicional ao digital

Para os colaboradores do Crédito Agrícola, habituados a uma matriz de banca tradicional, a importância de uma boa estratégia ganha outra dimensão. “O desafio foi mudar esta cultura do tradicional sem perder a matriz dos valores essenciais que tem distinguido o Crédito Agrícola nas zonas onde somos mais fortes”, explica Manuel Lacasta, diretor de RH da Caixa Central do Crédito Agrícola. “Começámos um processo muito intensivo de transformação e reorganização no final da década de 2000, mas orientada para três vetores: para mudança organizacional, a nível tecnológico e das pessoas”.

O Crédito Agrícola criou um modelo de incentivos comerciais, numa lógica da acumulação de pontos, tendo por base a formação profissional numa plataforma de e-learning. Quanto mais pontos, maior o benefício.

“O grande desafio é criar as condições para que a mudança se vá alterando, sabendo à partida que o futuro é de tal forma transformador, que não é compaginável com as pessoas exercerem a banca tradicional sem o conhecimento necessário para uma nova realidade digital”, reforça Manuel Lacasta.

O grande desafio é conseguir ter líderes que deixam de estar no passado, que passam a estar no presente com equipas do futuro.

Manuel Lacasta,

Diretor de RH da Caixa Central do Crédito Agrícola

Tiago Teixeira, médico da unidade de doenças infecciosas do Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia, explica que a ferramenta Microsoft Teams permitiu melhorar a comunicação e otimizar os processos, além de criar mais valor para o utente. O acesso remoto aos dados do utente e o feedback das consultas permite agora aos médicos daquela unidade avaliar a experiência global de uma consulta do viajante. “O Teams ajudou-nos a centralizar tudo isto e a tornarmo-nos uma equipa mais eficiente, mais colaborativa e muito ágil”.

Para Diogo Francisco Gomes, diretor de comunicação e relações públicas dos serviços partilhados do Ministério da Saúde, estas ferramentas são importantes porque permitem uniformizar domínios e garantir a segurança de dados.

Paulo Jesus, head of learning & innovation da Jerónimo Martins, reforça que é fundamental “saber exatamente o problema que queremos resolver”, e entender que a “transformação digital não é um fim em si mesmo.” É, por isso, necessário que os colaboradores queiram ser parte da mudança e, para isso, a organização deve ajudá-los a compreender a importância destas ferramentas. Para facilitar a transformação digital, o grupo Jerónimo Martins tem apostado na formação, na comunicação interna, nos incentivos aos colaboradores, na implementação de uma digital week e até na criação de um índice de maturidade digital para os colaboradores. “O que me faz mudar? Querer, saber e poder”, remata Paulo Jesus.

Desafio do futuro: gerir a autonomia

“O grande desafio é conseguir ter líderes que deixam de estar no passado, que passam a estar no presente com equipas do futuro”, acredita Manuel Lacasta, diretor de RH da Caixa Central do Crédito Agrícola. Para Paulo Jesus, da Jerónimo Martins, a grande preocupação do futuro é a gestão de autonomia dos colaboradores, que a partir destas ferramentas se tornam mais independentes, alterando irreversivelmente a forma de trabalhar das equipas.

“Tem de haver um bom governance, uma boa visão estratégica de para onde queremos ir, porque esta elasticidade é necessária hoje. É uma das coisas que nos tem ajudado mais internamente”, reforça.

Diogo Francisco Gomes lembra que ferramentas como o Teams ajudam a “cortar a dependência do IT”, dando mais autonomia aos colaboradores que, muitas vezes, não são especialistas em tecnologia.

“São as empresas mais inovadoras que vão poder captar mas, acima de tudo, reter o talento. E o talento nas organizações é a forma de continuar a inovar, a transformar e a ser mais competitivo”, remata Paula Panarra.

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