Cofina vai pagar menos 50 milhões pela dona da TVI

A Cofina vai pagar menos pela dona da TVI. Chegou a acordo com a Prisa para reduzir o valor do "cheque", passando o negócio de compra da Media Capital a ficar avaliado em 205 milhões de euros.

A Cofina vai “pagar” menos 50 milhões de euros à Prisa para ficar com a Media Capital, anunciou o grupo que detém o Correio da Manhã. O ajuste ao valor da operação é feito no dia em que a dona da TVI anunciou uma quebra de 90% nos lucros dos primeiros nove meses do ano, isto num contexto de perda de audiências.

Numa nota que dá conta de um aditamento ao contrato de compra e venda assinado pela Cofina e pela Prisa, lê-se que “as partes acordaram na redução do preço de aquisição”. Este “é agora de 123.289.580 euros, assumindo um enterprise value de 205 milhões de euros”, ou seja, inferior em 50 milhões de euros ao valor de 255 milhões de euros previsto inicialmente.

“Deste modo, o preço máximo por ação da Media Capital previsto resultante do contrato de compra e venda corresponde, agora, a 1,5406 euros (por contraposição ao montante de 2,1322 euros divulgado no anúncio preliminar da oferta)”, diz ainda o comunicado enviado à CMVM.

Os 255 milhões de euros eram o valor que a Cofina acordou com a Prisa para ficar com a Media Capital, um montante que inclui a dívida da empresa de media. No entanto, desde logo, ficou definido que a transação poderia sofrer alterações, caso o desempenho das contas da Media Capital e as audiências da TVI viessem a deteriorar-se.

Ora, essa revisão em baixa vai mesmo acontecer, com a empresa liderada por Paulo Fernandes a conseguir uma poupança cerca de 50 milhões de euros para passar a controlar a dona da TVI, confirma a Cofina. Isto porque as contas da Media Capital agravaram-se e a SIC, detida pela concorrente Impresa, continua a liderar as audiências televisivas.

A Media Capital publicou as contas dos primeiros nove meses de 2019, expondo uma queda de 90% nos lucros, que passaram para 1,2 milhões de euros. No período homólogo, o grupo tinha registado lucros de 12,1 milhões. O agravamento foi mais acentuado no terceiro trimestre, com a empresa a passar de lucros de 1,6 milhões em 2018 para prejuízos de 4,7 milhões em 2019.

“O EBITDA [lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações] consolidado do grupo foi de 12,7 milhões de euros, que compara com 25 milhões de 2018. A margem EBITDA ajustada passou de 19,9% para 10,8%”, anunciou também a Media Capital, num comunicado enviado ao regulador dos mercados.

Concretamente no negócio da televisão, os dados evidenciam uma queda de 11% nas receitas com publicidade, para 61,69 milhões de euros. As receitas globais com TV recuaram 9%, para cerca de 94,3 milhões, num período em que o share de audiência dos canais da Media Capital se cifrou em 18,4%, comparativamente com a quota de 22,5% do grupo SIC. Já a TVI em específico registou, entre janeiro e setembro, um share de audiência de 16,1%, que compara com os 19,2% da SIC.

Estes eram os dados que faltavam saber na fixação do preço do negócio entre a Cofina e a Prisa. No entanto, como indicou o ECO Insider (newsletter paga do ECO) no início deste mês, as audiências da TVI poderão fechar o ano ainda mais baixas, a rondar os 14% de share.

(Notícia atualizada às 20h03 com mais informações)

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