Internet lenta? Vem aí uma nova geração de rede Wi-Fi

O ano de 2020 vai trazer a novidade do 5G, mas também do Wi-Fi 6, uma nova tecnologia que promete acelerar os acessos wireless e ajudar a descongestionar as redes.

Este ano perfila-se para ser o ano do 5G, com as principais operadoras portuguesas a prepararem-se para a nova geração de redes de comunicações e para um leilão de frequências agendado pela Anacom para abril. Mas 2020 também pode ser o ano do Wi-Fi 6, uma tecnologia menos mediática, mas que também promete melhorar bastante o acesso sem fios à internet.

A CES, a maior feira de tecnologia do mundo, terminou na sexta-feira e a imprensa especializada destacou o facto de o Wi-Fi 6, apesar de não ser novo, estar finalmente a ganhar terreno. Não só os primeiros gadgets com suporte para Wi-Fi 6 já se vendem nas lojas, dos quais o iPhone 11 e 11 Pro são exemplos flagrantes, como os próprios routers já começam a ter preços acessíveis, fator crítico para a massificação da tecnologia.

Visitar um amigo e pedir a palavra-passe do Wi-Fi é já um clássico. Ou perguntar qual é a senha da internet ao empregado no restaurante, quiçá, mais até do que pedir o cardápio. O acesso à internet, para muitos, é considerado essencial e a tendência será cada vez maior. Mas a tecnologia Wi-Fi atual começa a ter falta de capacidade para tantos dispositivos ligados em simultâneo. Este problema é, desde logo, uma das causas da “lentidão” da internet em espaços públicos muito frequentados, no caso das redes públicas.

Assim, o Wi-Fi 6 representa, basicamente, uma melhoria tecnológica face à atual rede Wi-Fi, com mais capacidade para gerir vários dispositivos ligados em simultâneo e permitindo acessos à rede global com menos latência — ou seja, mais rápidos. Um pouco como se espera que faça o 5G, mas numa escala bem mais local e menos generalizada.

Na CES, em Las Vegas, o site de tecnologia The Verge encontrou vários routers que já suportam o Wi-Fi 6, com preços a rondar as poucas centenas de dólares, existindo pelo menos um modelo, com desconto, que custa 70 dólares no mercado norte-americano. Para referência, algumas das marcas na crista da onda são a TP-Link, Netgear, Arris e D-Link, enquanto, do lado dos próprios gadgets, o Wi-Fi 6 está na mira de marcas como Lenovo, Asus e Samsung, para além da Apple.

Apesar da novidade, estes upgrades são incrementais e não é expectável que sejam os próprios utilizadores a “forçar” a propagação desta tecnologia. Nesse sentido, é mais provável que o Wi-Fi 6 chegue de forma natural e gradual aos utilizadores, sobretudo num mercado como o português, em que a maioria dos routers detidos pelos clientes nos respetivos lares são fornecidos pelas próprias operadoras.

Na calha do panorama tecnológico está também outra novidade, o Wi-Fi 6E. Trata-se de uma atualização do standard do Wi-Fi 6, que funciona na faixa dos 6 GHz, uma frequência superior aos atuais 2,4 GHz e 5 GHz usados pelos routers tradicionais. Para já, esta novidade ainda não saiu do papel, apesar de algumas fabricantes já se encontrarem a fazer planos à volta dela.

Segundo o El Economista, o Wi-Fi 6E deverá permitir um maior rendimento da rede e uma quantidade ainda maior de utilizadores ligados em simultâneo, permitindo melhores desempenhos na visualização de vídeo e na utilização de aplicações de realidade virtual, entre muitas outras. Será, ao mesmo tempo, uma base para o desenvolvimento da Internet das Coisas (IoT), o mundo interconectado de dispositivos e sensores ligados nas casas, empresas e cidades, conceitos que têm sido apresentados e promovidos por inúmeras empresas e organizações em todo o mundo.

Contas feitas, não é difícil de imaginar um mundo em que o Wi-Fi 6E, aliado ao 5G, sejam os dois pilares do futuro das redes de comunicações, permitindo a evolução de um novo ecossistema de tecnologias, como tem sido referido pelas principais empresas de telecomunicações em Portugal e em todo o mundo. No caso do 5G, as aplicações práticas prendem-se com os carros autónomos, as cirurgias remotas ou o controlo de máquinas industriais de alta precisão à distância.

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