Abanca confirma interesse no EuroBic. “Temos capital”, diz presidente

O Abanca confirmou o interesse no EuroBic. Mas diz que só avançará para a compra se conseguir controlar pelo menos 75% do capital. Escotet diz que tem dinheiro para mais aquisições.

O Abanca confirmou esta terça-feira que está na corrida pelo EuroBic. Juan Carlos Escotet diz que o banco galego também está apostado em crescer em Portugal através da aquisição de outros bancos. E deixa um aviso à concorrência: “Temos estrutura de capital para crescer de forma inorgânica”, disse o chairman da instituição esta terça-feira. Mas não quer comprar apenas a posição de Isabel dos Santos. Pretende adquirir, pelo menos, 75% do capital. Sem isso, não há negócio para o Abanca.

“Queremos continuar a crescer não só de forma orgânica, mas também de forma inorgânica. Temos estrutura de capital para crescer de forma inorgânica. A casa tem um forte conhecimento em tudo o que são processos de integração”, começou por dizer Escotet, lembrando que nos últimos anos o Abanca concluiu quatro processos de integração de outros bancos, entre eles, o Deutsche Bank em Portugal e o banco da Caixa Geral de Depósitos (CGD) em Espanha.

“Quanto ao EuroBic, tivemos a informação de que se pretende fazer uma mudança na estrutura acionista e isso levou-nos a perguntar pelo processo. Agora haverá um processo competitivo, temos o interesse em participar em todo o processo”, adiantou.

Na sequência da polémica com o EuroBic, Isabel dos Santos colocou a sua posição de 42,5% à venda. Além do Abanca, também há interessados do Reino Unido, Médio Oriente e China. Em Santiago de Compostela, durante a apresentação dos resultados anuais, Juan Carlos Escotet revelou que só avançará para a compra se outros acionistas do EuroBic — designadamente Fernando Teles, que controla 37,5% — também quiserem vender.

“O que tem sido política do Abanca é que não participamos em nenhum tipo de integração ou fusão em que não controlamos o banco. Não sabemos qual a posição dos outros acionistas [do EuroBic]. Se não houver um mínimo de 75% do controlo, não participamos“, assegurou Juan Carlos Escotet.

O Abanca quer assegurar a maioria da participação para poder aplicar o seu nosso modelo de negócio e modelo corporativo, explicou o chairman do banco. Escotet disse ainda que o Abanca não quer “crescer por crescer” com a compra de outras operações.

O chairman do Abanca sublinhou também que “Portugal está claramente dento da estratégia” do banco, sendo “um mercado atrativo” e com uma economia em bom crescimento. “Queremos consolidar o Abanca como banco ibérico“, disse.

O Abanca fechou 2019 com lucros de 405 milhões de euros, uma subida de 6,7% face a 2018.

O jornalista viajou a Santiago de Compostela a convite do Abanca

(Notícia atualizada às 11h42)

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