Espanhóis, chineses, árabes e britânicos na corrida ao EuroBic

Administração liderada por Teixeira dos Santos tem várias propostas em cima da mesa. Os interessados no EuroBic vêm de várias geografias: Espanha, China, Médio Oriente e Reino Unido.

Teixeira dos Santos está a negociar a venda do EuroBic.Ricardo Castelo

O Abanca é um dos interessados na compra do EuroBic, mas os espanhóis não estão sozinhos nesta corrida. Também há interessados do Reino Unido, Médio Oriente e China, sabe o ECO. Isabel dos Santos está a vender a sua posição de 42,5% no banco que está no epicentro da polémica do Luanda Leaks. Ainda assim, negócio poderá envolver mesmo 100% do capital da instituição liderada por Teixeira dos Santos.

Há uma semana, a empresária angolana anunciou a sua intenção de vender a sua participação no EuroBic, pressionada pelo Banco de Portugal na sequência das revelações do Luanda Leaks. Na altura, Isabel dos Santos revelou que já tinha vários interessados na sua participação, adiantando que a operação deverá ficar concluída “a muito breve prazo”.

Para já, a administração do EuroBic conta com cinco propostas. Uma delas é do Abanca. Uma comitiva do banco espanhol, liderada pelo chairman, Juan Carlos Escotet, e pelo CEO, Francisco Botas, esteve inclusivamente esta segunda-feira na sede do banco português localizada na Avenida António Augusto Aguiar, em Lisboa, como deu conta o Jornal Económico.

O Abanca tem um percurso relativamente recente no mercado português. Tinha apenas quatro balcões quando fechou a compra do negócio de retalho do Deutsche Bank no ano passado. Poucos meses depois, adquiriu o Banco Caixa Geral, em Espanha, à Caixa Geral de Depósitos (CGD) depois de apresentar uma proposta de compra insuperável: 368 milhões de euros. Ou seja, os espanhóis estão com apetite comprador. Em cima disso, o facto de ser um banco a operar na Zona Euro — devidamente autorizado pelo Banco Central Europeu (BCE) — poderá ser um fator de vantagem tendo em conta a celeridade com que se pretende fechar este dossiê.

Há mais interessados para lá do Abanca. Também há investidores de outras geografias na corrida: chineses, árabes e ainda um fundo britânico, apurou o ECO.

Oficialmente, o banco tem recusado fazer comentários. Seja quem for o comprador, terá de obter o aval final do supervisor europeu.

Por outro lado, se apenas se anunciou que é a posição de Isabel dos Santos que está à venda, a operação poderá envolver outros acionistas, designadamente o luso-angolano Fernando Teles, sócio da empresária angolana e que detém 37,5% do capital do EuroBic. O restante capital do banco está nas mãos de diversos acionistas, tais como Luís Cortez dos Santos, Manuel Pinheiro Fernandes (grupo Martal) e Sebastião Lavrador (ex-governador do Banco Nacional de Angola), cada um com 5%. Dependendo do interesse do potencial comprador, o negócio poderá mesmo englobar a totalidade do banco.

O banco português (com origem no Bic Angola) foi constituído em janeiro de 2008, há precisamente 12 anos, resultando de uma parceria entre o empresário Américo Amorim, Fernando Teles e a própria Isabel dos Santos. Hoje, o banco dispõe de uma rede de 173 balcões e emprega 1.447 trabalhadores. Obteve em 2018 o melhor resultado da sua história: lucrou 42,5 milhões de euros.

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