Abanca em negociações exclusivas para comprar o EuroBic

Abanca está em negociações exclusivas para comprar o EuroBic. Banco galego já confirmou que está interessado no banco português, e exige controlar, pelo menos, 75% do capital.

O Abanca está em negociações exclusivas para a compra do EuroBic, na sequência do caso “Launda Leaks” e do anúncio de Isabel dos Santos de que está disponível para vender a sua participação de 42,5% naquele banco, apurou o ECO junto de fonte próxima da operação.

Não é segredo que o banco galego era um dos cinco interessados que estavam na corrida pelo EuroBic, que saltou para o furacão do caso Luanda Leaks nas últimas semanas com as notícias de que terá sido usado por Isabel dos Santos para transferir dinheiro público de contas da petrolífera Sonangol no Eurobic para uma offshore no Dubai, num total de mais de 100 milhões de euros.

Após as primeiras notícias sobre este caso, Isabel dos Santos anunciou a intenção de venda da sua posição de 42,5% no EuroBic. Desde esse momento que ficou decidido que a saída da acionista angolana do banco teria de acontecer num curto prazo. Não só por pressão do Banco de Portugal, com quem a equipa de Teixeira dos Santos tem mantido contactos e reuniões regulares. Mas também pelos danos reputacionais que o Luanda Leaks tem causado na instituição financeira, como o próprio Teixeira dos Santos, CEO do banco, reconheceu publicamente. “Não é bom para o negócio, mas o banco está sólido“, referiu o antigo ministro das Finanças em entrevista à RTP.

O EuroBic registou saídas de depósitos nas primeiras duas semanas, embora sem pôr em causa os rácios de liquidez. Este é um indicador que exige uma monitorização constante da administração do banco e do Banco de Portugal, através do chamado Liquidity Coverage Ratio (LCR). Os saldos de depósitos, esta semana, estarão já em níveis positivos, mas, mesmo assim, para assegurar que este indicador seja reforçado, o banco realizou vendas de ativos mais líquidos, como dívida pública soberana. Isto, à espera de concluir o processo de venda.

Contactado pelo ECO sobre as negociações, o EuroBic não esteve imediatamente disponível para responder até à publicação deste artigo. Já o Abanca não quis comentar.

Do lado espanhol, o dono e chairman do Abanca foi visto na semana passada a entrar na sede do EuroBic, em Lisboa. Juan Carlos Escotet confirmou na passada terça-feira que está a olhar para o dossiê com muito interesse e frisou que não lhe falta disponibilidade financeira para comprar mais um banco — no ano passado comprou dois: o negócio de retalho do Deutsche Bank em Portugal, e o Banco Caixa Geral, em Espanha.

Mas Escotet deixou claro que não pretende apenas adquirir a posição de Isabel dos Santos. Quer controlar, pelo menos, 75% do capital do EuroBic. Isto significa que Fernando Teles, sócio de longa data da empresária angolana, terá também de se alinhar com Isabel dos Santos na venda do banco onde detém uma posição de 37,5%. Sem isso não haverá negócio para os espanhóis.

“O que tem sido política do Abanca é que não participamos em nenhum tipo de integração ou fusão em que não controlamos o banco. Não sabemos qual a posição dos outros acionistas [do EuroBic]. Se não houver um mínimo de 75% do controlo, não participamos”, referiu Juan Carlos Escotet esta terça-feira, durante a conferência de apresentação dos resultados anuais do Abanca.

Escotet explicou depois que pretende assegurar o controlo do EuroBic para implementar o modelo de negócio e o modelo corporativo do Abanca, antecipando o fim da marca EuroBic com a fusão no atual negócio do Abanca em Portugal.

Ao que o ECO apurou, quando estiveram em Lisboa para olhar para o dossiê EuroBic, os responsáveis do Abanca gostaram dos números que viram. O banco terá fechado 2019 com lucros de 60 milhões e os indicadores de rentabilidade e de qualidade dos ativos estão entre os melhores do mercado. A principal questão reside mesmo na perceção pública do banco em Portugal após a polémica do Luanda Leaks.

Há outro fator importante que já colocava o Abanca na pole position para a compra do banco português. Além dos espanhóis, o EuroBic recebeu interesse de investidores oriundos do Reino Unido, do Médio Oriente e da China. Avançando para negociações exclusivas com o banco galego, que esta semana apresentou um lucro de 405 milhões de euros, o EuroBic poderá ver este processo concluído mais cedo. Isto porque o Abanca já tem autorização do Banco Central Europeu (BCE) para operar na Zona Euro — está sobretudo presente na Galiza –, e não demoraria tanto tempo em obter o aval do regulador para ficar com o EuroBic.

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