António Costa “perplexo” com posição do PSD sobre Montijo. Avisa que começar do zero terá custos

  • Lusa
  • 27 Fevereiro 2020

O primeiro-ministro alerta para que não há "plano B" ao aeroporto no Montijo, apontando que começar do zero terá "custos muito grandes para a economia do país".

O primeiro-ministro reiterou esta quinta-feira que não há “plano B” ao aeroporto no Montijo, avisando que “recomeçar do zero” terá “custos muito grandes para a economia do país” e afirmou-se “perplexo” com a posição do PSD.

“Toda a gente sabe que a cada dia a obra é cada vez mais urgente e, portanto, se queremos reabrir tudo – como eu sempre disse não há plano B ao Montijo. O plano B ao Montijo é recuar sete anos atrás e recomeçar do zero agora com a hipótese de Alcochete. Isso terá custos muito grandes para a economia do país e, portanto, eu acho que todos devem agir com responsabilidade” afirmou, em declarações aos jornalistas à entrada do Conselho de Ministros descentralizado que decorre em Bragança.

O chefe do Governo defendeu que em vez de reabrir o debate sobre qual seria a solução ideal, o Partido Socialista optou por aceitar “com toda a humildade” dar seguimento às decisões que, entretanto, tinham sido tomadas pelo governo do PSD/CDS-PP de Passos Coelho.

“Porque nós não podemos chegar ao governo e achar que vamos começar tudo do princípio. O país não começa quando nós chegamos ao governo. O país é um contínuo e nós temos de respeitar as decisões legítimas ainda que não concordemos com elas”, defendeu, apelando à responsabilidade todos para que esta obra, “de grande importância para o país”, não seja novamente adiada.

Questionado pelos jornalistas, António Costa comentou ainda a posição do PSD que disse não estar disponível para alterar lei que permite a qualquer uma das autarquias afetadas pela construção do aeroporto do Montijo vetar o avanço do projeto, desafiando o Governo a negociar com os municípios.

“Foram feitos os estudos que demonstravam a viabilidade ambiental da solução Montijo, foram ouvidos todos os partidos sobre essa matéria, houve alguns, como o PCP, que sempre disseram que era contra a localização do Montijo e defendiam Alcochete. O caso do PSD foi diferente”, referiu o primeiro-ministro.

António Costa frisou que, num primeiro momento, o PSD afirmou que o Governo andou a “perder tempo ao não executar imediatamente uma decisão que tinha sido tomada pelo governo” da sua cor política.

“Ainda hoje está na lá no Montijo um cartaz a dizer `Montijo já´ e, portanto, fico bastante perplexo para perceber se o PSD muda de posição ou qual é a posição do PSD. Porque dizer Montijo sim, mas não vamos alterar uma lei que permite a um só município inviabilizar uma infraestrutura que é de alcance nacional é algo que nós temos de meditar efetivamente”, disse.

O primeiro-ministro acrescentou que o Governo está em diálogo com todos os municípios, designadamente com o município da Moita e também com o município do Seixal, por forma a perceber qual o ponto de vista daqueles municípios.

“É sabido que o Partido Socialista, a solução que tinha preferido já 10 dez anos tinha sido Alcochete. Acontece que passaram 10 anos, foram tomadas um conjunto de decisões que comprometeram essa solução. Entretanto o movimento do Aeroporto cresceu muito mais do que aquilo que se pensava, entretanto foi feita uma privatização que permitiria financiar o aeroporto e agora já não permite financiar o aeroporto porque agora só pode ser financiado nos termos da concessão”, afirmou, defendendo que o país tem de se adaptar às novas circunstâncias.

E acrescentou: “Eu fico sempre muito impressionado quando tudo se discute e depois quando chega finalmente ao momento de fazer reabre-se outra vez a discussão. Isso não pode ser porque senão nunca mais teremos uma decisão, e sobretudo, nunca mais teremos uma solução”.

António Costa relembrou ainda que “o país anda há mais de 50 anos a discutir a nova localização do novo aeroporto internacional de Lisboa”, reiterando que, tal como defendeu quando ainda era candidato a primeiro-ministro, em matéria de obras públicas o país tem de ter consensos políticos alargados.

“Não pode estar a mudar de decisão de governo para governo. Num governo faz-se TGV, num Governo não se faz TGV, num governo faz aeroporto na Ota, outro governo faz o aeroporto em Alcochete e não podemos estar sempre a mudar e, por isso, com toda a humildade nós aceitamos as decisões que tinham sido tomadas pelo governo anterior tendo em vista a localização do novo aeroporto no Montijo”, sublinhou.

O presidente da Câmara da Moita (CDU), Rui Garcia, já se mostrou contra a construção do aeroporto do Montijo, o que pode condicionar a construção da infraestrutura, uma vez que a lei prevê que a obra só possa avançar se receber parecer favorável de todos os municípios afetados pela mesma.

Na sequência desta posição, o ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, admitiu rever a lei para que esta autarquia não trave a construção do aeroporto complementar de Lisboa. Partidos como o Bloco de Esquerda e o Livre já se mostraram contra esta alteração.

Uma carta aos nossos leitores

Vivemos tempos indescritíveis, sem paralelo, e isso é, em si mesmo, uma expressão do que se exige hoje aos jornalistas que têm um papel essencial a informar os leitores. Se os médicos são a primeira frente de batalha, os que recebem aqueles que são contaminados por este vírus, os jornalistas, o jornalismo é o outro lado, o que tem de contribuir para que menos pessoas precisem desses médicos. É esse um dos papéis que nos é exigido, sem quarentenas, mas à distância, com o mesmo rigor de sempre.

Aqui, no ECO, estamos a trabalhar 24 horas vezes 24 horas para garantir que os nossos leitores têm acesso a informação credível, rigorosa, tempestiva, útil à decisão. Para garantir que os milhares de novos leitores que, nas duas últimas semanas, visitaram o ECO escolham por cá ficar. Estamos em regime de teletrabalho, claro, mas com muita comunicação, talvez mais do que nunca nestes pouco mais de três anos de história.

  • Acompanhamos a cobertura da atualidade, porque tudo é economia.
  • Escrevemos Reportagens e Especiais sobre os planos económicos e as consequências desta crise para empresas e trabalhadores.
  • Abrimos um consultório de perguntas e respostas sobre as mudanças na lei, em parceria com escritórios de advogados. Contamos histórias sobre as empresas que estão a mudar de negócio para ajudar o país
  • Escrutinamos o que o Governo está a fazer, exigimos respostas, saímos da cadeira (onde quer que ele esteja) ou usamos os ecrãs das plataformas que nos permitem questionar à distância.

O que queremos fazer? O que dissemos que faríamos no nosso manifesto editorial

  • O ECO é um jornal económico online para os empresários e gestores, para investidores, para os trabalhadores que defendem as empresas como centros de criação de riqueza, para os estudantes que estão a chegar ao mercado de trabalho, para os novos líderes.

No momento em que uma pandemia se transforma numa crise económica sem precedentes, provavelmente desde a segunda guerra mundial, a função do ECO e dos seus jornalistas é ainda mais crítica. E num mundo de redes sociais e de cadeias de mensagens falsas – não são fake news, porque não são news --, a responsabilidade dos jornalistas é imensa. Não a recusaremos.

No entanto, o jornalismo não é imune à crise económica em que, na verdade, o setor já estava. A comunicação social já vive há anos afetada por várias crises – pela mudança de hábitos de consumo, pela transformação digital, também por erros próprios que importa não esconder. Agora, somar-se-ão outros fatores de pressão que põem em causa a capacidade do jornalismo de fazer o seu papel. Os leitores parecem ter redescoberto que as notícias existem nos jornais, as redes sociais são outra coisa, têm outra função, não (nos) substituem. Mas os meios vão conseguir estar à altura dessa redescoberta?

É por isso que precisamos de si, caro leitor. Que nos visite. Que partilhe as nossas notícias, que comente, que sugira, que critique quando for caso disso. O ECO tem (ainda) um modelo de acesso livre, não gratuito porque o jornalismo custa dinheiro, investimento, e alguém o paga. No nosso caso, são desde logo os acionistas que, desde o primeiro dia, acreditaram no projeto que lhes foi apresentado. E acreditaram e acreditam na função do jornalismo independente. E os parceiros anunciantes que também acreditam no ECO, na sua credibilidade. As equipas do ECO, a editorial, a comercial, os novos negócios, a de desenvolvimento digital e multimédia estão a fazer a sua parte. Mas vamos precisar também de si, caro leitor, para garantir que o ECO é económica e financeiramente sustentável e independente, condições para continuar a fazer jornalismo de qualidade.

Em breve, passaremos ao modelo ‘freemium’, isto é, com notícias de acesso livre e outras exclusivas para assinantes. Comprometemo-nos a partilhar, logo que possível, os termos e as condições desta evolução, da carta de compromisso que lhe vamos apresentar. Esta é uma carta de apresentação, o convite para ser assinante do ECO vai seguir nas próximas semanas. Precisamos de si.

António Costa

Publisher do ECO

Comentários ({{ total }})

António Costa “perplexo” com posição do PSD sobre Montijo. Avisa que começar do zero terá custos

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião