Jornal holandês ganha processo contra conselheiros de Isabel dos Santos

  • ECO
  • 3 Março 2020

A juíza Mirjam van Walraven rejeitou todas essas alegações, considerando que o jornal holandês fez todas as referências de forma apropriada tendo por base documentos do Luanda Leaks.

Um tribunal holandês rejeitou uma ação de uma gestora contra jornalistas por notícias que a relacionam com Isabel dos Santos no âmbito do Luanda Leaks, dá conta o Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação nesta terça-feira.

O consórcio que denunciou o Luanda Leaks explica que um tribunal civil de Amesterdão rejeitou as alegações da United International Management de que o jornal local Het Financieele Dagblad caracterizou de forma incorreta o relacionamento da empresa com Isabel dos Santos e o marido, Sindika Dokolo.

A United International Management alegou que aquela publicação sugeriu de forma errada num artigo que a gestora teria cortado laços com empresas relacionadas com a empresária angolana sobre pressão dos reguladores holandeses. Alegou ainda que o jornal não lhe disponibilizou tempo suficiente para responder a questões que lhe teriam sido enviadas.

A juíza Mirjam van Walraven rejeitou todas essas alegações, considerando que o jornal holandês fez todas as referências de forma apropriada tendo por base documentos do Luanda Leaks. Descartou também que o prazo de um mês para aguardar pelas respostas às questões enviadas à consultora fosse injusto.

Entre 2013 e 2016, a United International Management prestou serviços a um conjunto de empresas detidas por Isabel dos Santos e o marido.

A United International Management é apenas uma das várias empresas que viram o seu nome associado ao Luanda Leaks. Foram também várias as que procuraram demarcar-se da relação com Isabel dos Santos e afastar nomes relacionados com o escândalo da sua gestão. A venda apressada do Eurobic — onde Isabel dos Santos detinha uma posição de 42,5% — ao Abanca foi apenas um desses casos, ou o afastamento de dois administradores não executivos e do chairman da Nos.

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Jornal holandês ganha processo contra conselheiros de Isabel dos Santos

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião