Coronavírus leva sindicatos da Função Pública a “ajustar” protestos

Tanto a FESAP como a Frente Comum "ajustaram" os protestos que tinham agendado contra os "ofensivos" aumentos salariais de 10 euros para as remunerações mais baixas e de 0,3% para todas as outras.

Tanto a Federação de Sindicatos da Administração Pública (FESAP) como a Frente Comum “ajustaram” os protestos que tinham marcados contra os aumentos salariais “ofensivos” anunciados pelo Ministério de Alexandra Leitão para os trabalhadores do Estado, face à pandemia de coronavírus. A greve que tinha sido convocada para dia 20 de março já não vai abranger os serviços de saúde e os plenários que tinham sido agendados para o mesmo dia foram cancelados.

Em dezembro, o Executivo de António Costa propôs aumentar em 0,3% todos os salários da Função Pública, frisando que com essa subida do Governo estava a ir “até onde podia ir”. Os sindicatos criticaram de imediato essa proposta, considerando-a “ofensiva”, “vexatória” e “inaceitável”. Em reação, as três estruturas que representam os trabalhadores do Estado avançaram para greves e manifestações a 31 de janeiro.

Entretanto, o Ministério de Alexandra Leitão voltou a chamar aos sindicatos para negociar estas atualizações remuneratórias, tendo proposto aumentos de dez euro para os salários até 683,13 euros (isto é, para os dois degraus mais baixos da Tabela Remuneratória Única) e mantido a subida de 0,3% para todos os outros.

Perante esta posição do Executivo, a Frente Comum avançou com a convocação de uma greve para dia 20 e a FESAP anunciou um conjunto de ações de protesto, nomeadamente um plenário nacional de trabalhadores, em Coimbra, no mesmo dia.

Pouco mais de uma semana depois de tais protestos terem sido marcados, os sindicatos decidiram, contudo, ajustá-los face à propagação do novo coronavírus em Portugal.

A Frente Comum escolheu manter a paralisação, mas retirar a Saúde da lista de serviços potencialmente afetados, assegurando “o normal funcionamento dos serviços na dependência do Ministério” de Marta Temido. Isto para “não contribuir para o alarmismo instalado” e porque esta estrutura sindical está “ciente da importância fundamental do Serviço Nacional de Saúde nesta fase de contenção da infeção pelo novo coronavírus”.

Esta quinta-feira, também a FESAP decidiu “ajustar” os seus protestos, tendo cancelado o tal plenário de trabalhadores. “A atual situação de epidemia do Covid-19 levou a FESAP a reorganizar e a ajustar a maioria das formas de protesto que tina previsto para os próximos meses”, explica o sindicato liderado por José Abraão, em comunicado. “Será retirado o pré-aviso de greve que havia sido emitido tendo em vista possibilitar aos trabalhadores da Administração Pública participarem nos plenários que estavam previstos para o dia 20“.

A FESAP avisa, ainda, que as comemorações do 1º de Maio — Dia do Trabalhador — serão provavelmente desconvocadas. “Quanto às comemorações do 1º de Maio, que a FESAP previa ser o momento fulcral desta vaga de protestos, é bem possível que não venham a realizar-se”, remata o sindicato.

No privado, também se desconvocam greves

No privado, também os profissionais de saúde ao serviço do Sindicato dos Bancários do Sul e Ilhas e dos SAMS Sul e Ilhas decidiram desconvocar a greve que tinha sido marcada para esta sexta-feira, dia 13. Isto face “às medidas de contenção e de Saúde Pública que estão a ser implementadas o país”.

“Esta desconvocação da greve dá também uma oportunidade a esta entidade patronal, para retomar o diálogo e os processos negociais, dos Instrumentos de Regulamentação Colectiva de Trabalho (IRCT), dos trabalhadores ao seu serviço”, sublinha a estrutura sindical, em comunicado.

“Apesar desta desconvocação, os trabalhadores do SBSI e os seus sindicatos mantêm a sua forte oposição à tentativa de caducidade dos IRCT, recentemente anunciada por esta entidade patronal e que levou a decretar esta Greve”, acrescenta a mesma.

Neste momento, o coronavírus já infetou 78 pessoas em Portugal, que correspondem a seis cadeia de transmissão ativas. Em todo o mundo, o covid-19 já fez 4.600 vítimas mortais e infetou 125 mil pessoas.

Uma carta aos nossos leitores

Vivemos tempos indescritíveis, sem paralelo, e isso é, em si mesmo, uma expressão do que se exige hoje aos jornalistas que têm um papel essencial a informar os leitores. Se os médicos são a primeira frente de batalha, os que recebem aqueles que são contaminados por este vírus, os jornalistas, o jornalismo é o outro lado, o que tem de contribuir para que menos pessoas precisem desses médicos. É esse um dos papéis que nos é exigido, sem quarentenas, mas à distância, com o mesmo rigor de sempre.

Aqui, no ECO, estamos a trabalhar 24 horas vezes 24 horas para garantir que os nossos leitores têm acesso a informação credível, rigorosa, tempestiva, útil à decisão. Para garantir que os milhares de novos leitores que, nas duas últimas semanas, visitaram o ECO escolham por cá ficar. Estamos em regime de teletrabalho, claro, mas com muita comunicação, talvez mais do que nunca nestes pouco mais de três anos de história.

  • Acompanhamos a cobertura da atualidade, porque tudo é economia.
  • Escrevemos Reportagens e Especiais sobre os planos económicos e as consequências desta crise para empresas e trabalhadores.
  • Abrimos um consultório de perguntas e respostas sobre as mudanças na lei, em parceria com escritórios de advogados. Contamos histórias sobre as empresas que estão a mudar de negócio para ajudar o país
  • Escrutinamos o que o Governo está a fazer, exigimos respostas, saímos da cadeira (onde quer que ele esteja) ou usamos os ecrãs das plataformas que nos permitem questionar à distância.

O que queremos fazer? O que dissemos que faríamos no nosso manifesto editorial

  • O ECO é um jornal económico online para os empresários e gestores, para investidores, para os trabalhadores que defendem as empresas como centros de criação de riqueza, para os estudantes que estão a chegar ao mercado de trabalho, para os novos líderes.

No momento em que uma pandemia se transforma numa crise económica sem precedentes, provavelmente desde a segunda guerra mundial, a função do ECO e dos seus jornalistas é ainda mais crítica. E num mundo de redes sociais e de cadeias de mensagens falsas – não são fake news, porque não são news --, a responsabilidade dos jornalistas é imensa. Não a recusaremos.

No entanto, o jornalismo não é imune à crise económica em que, na verdade, o setor já estava. A comunicação social já vive há anos afetada por várias crises – pela mudança de hábitos de consumo, pela transformação digital, também por erros próprios que importa não esconder. Agora, somar-se-ão outros fatores de pressão que põem em causa a capacidade do jornalismo de fazer o seu papel. Os leitores parecem ter redescoberto que as notícias existem nos jornais, as redes sociais são outra coisa, têm outra função, não (nos) substituem. Mas os meios vão conseguir estar à altura dessa redescoberta?

É por isso que precisamos de si, caro leitor. Que nos visite. Que partilhe as nossas notícias, que comente, que sugira, que critique quando for caso disso. O ECO tem (ainda) um modelo de acesso livre, não gratuito porque o jornalismo custa dinheiro, investimento, e alguém o paga. No nosso caso, são desde logo os acionistas que, desde o primeiro dia, acreditaram no projeto que lhes foi apresentado. E acreditaram e acreditam na função do jornalismo independente. E os parceiros anunciantes que também acreditam no ECO, na sua credibilidade. As equipas do ECO, a editorial, a comercial, os novos negócios, a de desenvolvimento digital e multimédia estão a fazer a sua parte. Mas vamos precisar também de si, caro leitor, para garantir que o ECO é económica e financeiramente sustentável e independente, condições para continuar a fazer jornalismo de qualidade.

Em breve, passaremos ao modelo ‘freemium’, isto é, com notícias de acesso livre e outras exclusivas para assinantes. Comprometemo-nos a partilhar, logo que possível, os termos e as condições desta evolução, da carta de compromisso que lhe vamos apresentar. Esta é uma carta de apresentação, o convite para ser assinante do ECO vai seguir nas próximas semanas. Precisamos de si.

António Costa

Publisher do ECO

Comentários ({{ total }})

Coronavírus leva sindicatos da Função Pública a “ajustar” protestos

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião