Metade das empresas de AL e restauração vai recorrer ao lay-off. Um terço não pagou salário em março

Um estudo da Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal revela as dificuldades em pagar salários. E conclui que metade das empresas vai para lay-off.

Quase 50% das empresas do setor do turismo vai recorrer ao esquema do lay-off simplificado, que permite suspender o contrato de trabalho ou reduzir o período normal de trabalho. Há ainda 30% das empresas a admitem que não conseguiram pagar os salários em março, segundo um estudo da Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP), para avaliar o impacto do novo coronavírus em Portugal.

Segundo o inquérito da AHRESP divulgado esta sexta-feira, 49% das empresas ligadas ao setor do turismo, como é o caso do alojamento local e restauração, vai avançar para lay-off, sendo que destas, 70% referem que não vão conseguir pagar salários em abril sem o apoio da Segurança Social, que com este regime assegura dois terços do vencimento, sendo o restante suportado pela entidade patronal.

Das empresas que vão recorrer ao lay-off simplificado, 75% vão colocar todos os funcionários com suspensão total da prestação de trabalho, 18% com redução parcial e 7% refere ter os colaboradores nas duas situações.

Reconhecemos o esforço que o Governo têm feito já que têm sido anunciadas várias medidas, mas muitas delas são inadequadas ao setor que representamos“, disse esta sexta-feira Ana Jacinto, secretária geral da AHRESP, em conferência de imprensa transmitida pelo Zoom.

Além do lay-off, o Governo tem vindo a apresentar várias medidas de apoio às empresas durante esta altura, nomeadamente linhas de crédito. Mas para a AHRESP não são suficientes, defendendo que a única solução é “dinheiro a fundo perdido”. “Não há outra alternativa porque as empresas não vão aguentar”, apontou a responsável.

Questionadas acerca da necessidade de recorrer a outras medidas, 77% das empresas inquiridas diz que não recorreram a apoios financeiros, sendo que das 23% restantes, mais de metade recorreu à linha de crédito do Turismo de Portugal (54%). Segundo os dados do Turismo de Portugal, no espaço de uma semana, mais de 2.000 microempresas pediram apoios do Governo.

Além disso, 58% das empresas refere que as linhas de apoio financeiro “não são adequadas às necessidades das empresas, e indicam apoios a fundo perdido, isenção de impostos e encargos financeiros, como as principais soluções para apoiar o tecido empresarial”, aponta o estudo.

Três em cada dez empresas não conseguiram pagar salários em março

Face ao impacto económico que o coronavírus está a ter no turismo, três em cada dez empresas (30%) admitem que não conseguiram pagar os salários em março, sendo que a percentagem mais do duplica em abril, com 63% das empresas a referirem que não vão conseguir pagar se não tiverem apoios.

Também a quebra nas receitas já se faz sentir na maioria das empresas. “Cerca de 80% das empresas estimas uma ausência total da faturação em abril e maio. Como podem ver, o cenário não é animador”, sublinhou a secretária-geral.

Tendo em conta as recomendações do Governo para se evitarem despedimentos, a maioria das empresas têm cumprido. Contudo, há 6% das empresas a admitirem tê-lo feito, sendo que 44% destas indicou ter extinguido um posto de trabalho.

Este estudo foi realizado entre os dias 1 e 3 de abril de 2020, tendo-se obtido um total de 1.819 respostas válidas, de empresas ligadas dos aos setores da restauração e bebidas e do alojamento turístico.

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