15, 25 ou mais de 30 euros por mês? Saiba quanto pode aumentar a conta da luz das famílias na quarentena

No pior dos cenários, um casal com dois filhos passará a pagar uma conta da luz de 105,46 euros (+44,5%), enquanto um casal sem filhos verá disparar a fatura para os 62,56 euros (+69%).

É a questão que todos querem ver respondida: Quanto aumentará o consumo elétrico em casa durante a quarentena e que impacto terá esse aumento na próxima fatura da luz que chegue para pagar? Ao ECO/Capital Verde, algumas elétricas já confirmaram que o gasto de eletricidade das famílias está, de facto, a aumentar, apesar de no total do país o consumo ter caído 8% desde meados de março. Ou seja, desde que foi decretado o estado de emergência.

Em casa, a televisão está ligada o dia todo, para acompanhar as notícias da pandemia de Covid-19, as luzes acendem-se em várias divisões, mesmo estando sol lá fora, as máquinas de lavar loiça e roupa trabalham à vez, quase sem parar, carregam-se computadores, consolas, tablets e telemóveis, liga-se o aquecimento ou o ar condicionado, para a casa estar mais confortável, fogão e forno multiplicam esforços para alimentar a famílias várias vezes ao dia. Conclusão? Dispara o consumo de energia.

A Deco já fez as contas e garante que as faturas vão aumentar cerca de 25 euros para quem tem tarifa bi-horária e pelo menos seis euros na tarifa simples. Também a Selectra Portugal, empresa que se dedica a comparar os vários tarifários dos serviços de energia e telecomunicações, garante que “não restam dúvidas que, face a esta situação, o consumo elétrico aumentará consideravelmente nos lares portugueses. Importa saber quanto”.

Numa tentativa de antecipar em que medida as faturas vão disparar, a Selectra realizou um estudo tomando como referência duas realidades: o consumo médio mensal de uma família de quatro pessoas pessoas; e o de um imóvel onde só vivem duas pessoas. “O consumo decorrente de manter ligados vários aparelhos durante o período de quarentena provocará um aumento mensal de 32,46 euros na fatura de um lar com quatro pessoas e de 25,56 euros no caso de um lar onde vivem duas pessoas“, conclui o mesmo estudo.

Antes da quarentena, estima a Selectra, a estimativa de consumo de eletricidade para estes dois consumidores-tipo era de 73 euros por mês — no caso de uma família de quatro, com uma potência contratada de 6.9 kVA e um consumo médio anual de 5000kWh — e de 37 euros para duas pessoas, com uma menor potência (3,45kVA) e um menor consumo (2500 kWh por ano).

Somando os valores, nesta fase de isolamento social, um casal com dois filhos passará a pagar uma conta da luz de 105,46 euros (44,5% superior), enquanto um casal sem filhos verá disparar a fatura para os 62,56 euros (um aumento de 69%).

Tem uma placa vitrocerâmica? É o que mais pesa na fatura mensal de eletricidade

Estes cálculos baseiam-se no preço mensal apurado (face ao número de dias e às horas diárias de utilização) para cada um dos aparelhos domésticos. Ou seja, numa casa onde estejam em permanência dois adultos e duas crianças o forno é utilizado, em média, uma hora por dia, oito dias por semana, com um custo de 3,04 euros por mês. Já a placa vitrocerâmica é o que pesa mais na fatura, ao final do mês: 12,81 euros, porque trabalha todos os dias do mês, cerca de uma hora e meia por dia. Ainda na cozinha, o micro-ondas é utilizado 20 minutos por dia (30 dias por mês) e custa 1,54 euros euros.

A televisão também está ligada todos os dias, seis horas por dia e custa 10,25 euros. Idealmente, a consola é ligada apenas aos fins-de-semana (oito dias num mês, a uma média de uma hora e meia por dia) e custa 27 cêntimos. Quanto ao portátil, é usado oitos horas por dia, em cerca de 20 dias úteis mensais, com um custo de 4,55 euros. Tudo somado dá um extra de 32,46 euros apurados pela Selectra para uma família de quatro pessoas.

“Passar a trabalhar a partir de casa e começar a realizar todas as refeições dentro das mesmas quatro paredes são alguns dos hábitos que mais impacto têm na fatura da eletricidade. Em ambos os casos, assumimos que todos os membros passam a estar confinados em casa. A este montante, devemos somar ainda as despesas decorrentes do uso das máquinas de lavar roupa e loiça da iluminação de casa“, refere a empresa em comunicado.

Diz a Selectra que as medidas adotadas pelo Governo para as companhias de eletricidade face ao coronavírus “têm um papel fundamental para a poupança neste momento difícil”: as elétricas alargaram os prazos de pagamento das faturas de energia; a ERSE alargou o prazo de pré-aviso de interrupção do fornecimento para os clientes domésticos (em Baixa Tensão Normal) para 30 dias adicionais e reviu em baixa as tarifas de eletricidade no mercado regulado (uma redução de 3% nas faturas de um milhão de clientes, que começará a fazer-se sentir a partir de 7 de abril); e, na Madeira, o Governo Regional declarou a isenção do pagamento do valor respeitante ao consumo de eletricidade, entre os dias 16 e 31 de março.

“Mas sabemos que estas medidas, por muito boas que sejam, não são suficientes”, defende a Selecta. Fonte oficial da Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza. vai mais longe e deixa um apelo: “Neste período de contenção, em que as famílias estão quase obrigadas a ficar em suas casas, seria importante as empresas fornecedoras de energia, água e gás pudessem oferecer um desconto social na prestação destes mesmos serviços básicos“, disse a o organização não-governamental de ambiente (ONGA).

Do lado das elétricas, a oferta de luz e gás para os consumidores domésticos não está ainda em cima da mesa, apesar de reconhecerem que o gasto das famílias com energia está a disparar. Os números ainda não estão fechados mas o presidente da Endesa em Portugal, Nuno Ribeiro da Silva, garante que já se nota, e bem, uma subida no consumo de energia das famílias, sendo por isso certo que as faturas dos clientes domésticos tenderão a subir nos próximos meses.

Miguel Checa, diretor-geral da Goldenergy, garante: “Tenho a certeza que este consumo irá aumentar”. Fazendo os cálculos para o setor residencial, o responsável da comercializadora do grupo suíço Axpo estima que “tendo em conta a fatura média dos nossos clientes, o aumento poder andar à volta de 15 euros/mês na eletricidade e de 7 euros no gás“. Não porque aumenta o preço da energia, mas porque, se aumenta o consumo, aumentam também os valores das taxas e impostos associados.

Deco avisa: Faturas da luz podem subir seis, 10 ou 25 euros por mês

Já a associação de defesa do consumidor está a prever que as famílias portuguesas fechadas em casa 24 horas por dia vejam o consumo de energia aumentar, em média, pelo menos 20%. Feitas as contas pelos especialistas da Deco (para um um casal e dois filhos, e uma potência contratada de 6,9 kVA) serão mais 25 euros por mês na conta da luz para quem tem tarifa bi-horária (um milhão de famílias) e mais seis euros para quem tem tarifa simples. No gás, seja natural ou de botija, o consumo também irá aumentar, com efeitos imediatos nos gastos: mais quatro euros mensais no gás natural e mais cinco euros no gás de garrafa.

Ou seja, neste momento que atravessamos, “a tarifa bi-horária deixa de compensar”, conclui a defesa do consumidor. Isto porque se trata de uma opção que implica diferentes tarifas consoante se gasta eletricidade nas horas de vazio (com custo mais baixo) ou nas horas fora de vazio (de custo mais elevado).

No seu dossier técnico, Pedro Silva, especialista da Deco em questões de Energia, explica os cálculos: Veja-se o exemplo de “um casal e dois filhos, com uma potência contratada de 6,9 kVA e que tinham o cuidado de ter 40% dos consumos nas horas de vazio. Ao estimarmos que, não só deixa de ser possível manter 40% do consumo nas horas de vazio, como a família irá gastar mais eletricidade diariamente (cerca de 20% mais), constatámos que a fatura pode subir 25 euros por mês”.

Apenas com o efeito de transferência de consumo para fora de vazio, a fatura subiria automaticamente cerca de 10 euros, diz a Deco. “Mas como se acaba por lavar mais vezes a loiça, ter mais luzes acesas, abrir-se com maior frequência o frigorífico, por exemplo, irá haver um aumento no consumo total que estimamos que se possa traduzir em cerca de 25 euros mensais”, refere a associação, e sugere que “durante este período de crise, se estabeleça a possibilidade de estes consumidores pagarem como se tivessem a tarifa simples”.

Mas atenção: Mesmo os consumidores com tarifa simples irão sentir o aumento na fatura. Uma família com uma potência contratada de 3,45 kVA e um consumo anual de 1.900 kWh, irá pagar mais cerca de 6 euros mensais, com um aumento de 20% do consumo, atesta a Deco.

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