Associação Mutualista vai cortar 400 milhões ao valor do Banco Montepio

A Associação Mutualista Montepio Geral vai rever em baixa o valor do banco Montepio no seu balanço na sequência da auditoria da PwC. Ainda assim, capitais próprios da instituição mantêm-se positivos.

A auditora PwC vai impor à Associação Mutualista Montepio Geral (AMMG) um corte de cerca de 400 milhões de euros na avaliação que atribui ao Banco Montepio, mas a situação patrimonial da mutualista mantém-se positiva. “Estamos a tentar chegar a um acordo para um valor do ativo que seja confortável para a PwC não por nenhuma reserva às contas”, diz uma fonte próxima ao ECO, sublinhando que o draft das contas legais certificadas, com a posição final da PwC, ainda não foi entregue pela auditora.

As contas de 2019 vão ser apresentadas até final de junho, depois de apresentadas ao conselho geral e submetidas para aprovação na assembleia geral de associados a realizar até lá, se a evolução da pandemia assim permitir.

A administração da AMMG, liderada por Virgílio Lima, e os auditores da PwC têm travado um braço-de-ferro nas últimas semanas por causa do valor a atribuir ao Banco Montepio no balanço da mutualista.

Tal como avançou o ECO em primeira mão, a PwC pretende reduzir a avaliação do banco nas contas da AMMG, aplicando taxas de mercado. Porém, a administração da instituição tem outro entendimento: queria manter a avaliação de 1.872 milhões, argumentando que o Banco Montepio não é um banco comercial como os outros, tem um valor de uso, sendo uma ferramenta para desenvolver a sua atividade no setor mutualista e na economia social, e tão pouco está à venda.

Nesta divergência de posições, as partes encontraram-se a “meio do caminho”. A AMMG reconhecerá o valor do Banco Montepio no seu balanço de acordo com os capitais próprios (book value) do banco, que era de cerca de 1.500 milhões no final de setembro, apurou o ECO. Este passo implicará que a mutualista tenha de assumir uma imparidade com a desvalorização do banco à volta dos 400 milhões. Acima dos 500 milhões de imparidades que já foram constituídas para o banco no passado.

Ao ECO, fonte oficial da mutualista não confirma nem desmente a informação. “Não se encontrando apresentadas as contas aos representantes dos associados, em sede de conselho geral da Associação Mutualista, nem à assembleia geral de associados, que as aprova, não nos é permitida a partilha de informação relativa aos resultados de atividade”, indica a instituição. Acrescenta que a “data da assembleia geral de associados deverá ter lugar até ao final do mês de junho e só poderá ser marcada quando for levantado o estado de emergência”.

A PwC também não comenta. “De acordo com as nossas regras profissionais e de confidencialidade, não comentamos os trabalhos que realizamos para os nossos clientes”, afirma a auditora ao ECO.

Novo plano de negócios

Fonte próxima da instituição explicou que, para sustentar a avaliação do Banco Montepio, se procedeu a uma revisão do plano de negócios a cinco anos para colocar o banco em convergência com valores médios de rentabilidade do setor. Até porque irrompeu a atual pandemia de Covid-19 que veio mudar as perspetivas de negócio e de atividade das empresas e dos bancos. O business plan foi submetido a um “agressivo” teste de stress por parte do auditor, conta a mesma fonte.

Embora não divulgue qualquer dado, a AMMG assegura ao ECO que, mesmo num cenário de reforço de imparidades na ordem dos 400 milhões por causa do ajustamento do valor do banco no seu balanço, a instituição continuará a apresentar uma situação patrimonial positiva. “Os capitais próprios, em base individual ou consolidada, seriam sempre positivos, de algumas centenas de milhões”, assegura fonte oficial, afastando qualquer cenário de falência técnica.

A AMMG fechou 2018 com um valor de capitais próprios de 750 milhões de euros em termos individuais. Numa base consolidada, o grupo Montepio (inclui banco, seguradora e outras atividades) apresentou capitais próprios de 243 milhões de euros.

Subscrições aumentam em tempos de pandemia

Questionada sobre o impacto da pandemia de Covid-19, a instituição diz ter implementado, desde o primeiro momento, “todas as soluções ajustadas à continuidade da atividade e ao acompanhamento próximo da comunidade de associados”, explica fonte oficial. Isso tem permitido resistir ao surto do vírus.

Implementou-se o regime de teletrabalho, “que garantiu a continuidade da atividade das equipas que operam nos serviços centrais e na rede de gestores mutualistas”. Somam-se ainda as plataformas digitais “robustas e ajustadas ao contacto e relação à distância” que tem dado resposta à procura, sublinha a instituição.

Com o rendimento de muitas famílias afetado pela crise, a AMMG adianta que tem registado um “aumento do número de subscrições de modalidades mutualistas”.

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