Covid-19 penaliza trimestre dos CTT. Lucro cai para 3,7 milhões

Correios registaram lucros de 3,7 milhões de euros entre janeiro e março, uma descida de 0,4% em termos homólogos. Empresa destaca impacto da pandemia no negócio.

Os CTT CTT 1,14% viram os lucros descer ligeiramente no primeiro trimestre do ano. Caíram 0,4% para 3,7 milhões de euros, com a empresa a destacar o impacto negativo da pandemia no seu negócio, sobretudo na segunda metade do mês de março.

Segundo disseram os Correios em comunicado, os rendimentos operacionais encontravam-se a crescer 7,4% nos dois primeiros meses do ano, incluindo o efeito inorgânico da compra do banco 321 Crédito, “o que evidencia o robusto desempenho que os CTT estavam a registar nas várias unidades de negócio até à aceleração dos efeitos da pandemia”.

Propagou-se, entretanto, o vírus em todo o país, obrigando o Governo a medidas de restrição que afetaram negativamente o negócio de muitas empresas, incluindo os CTT.

A empresa liderada por João Bento adianta que o EBITDA — lucros antes de juros, impostos, depreciações e amortizações — caiu 3,7% para em 20,2 milhões de euros no conjunto do trimestre, “fortemente impactado pelo efeito do Covid-19 em março”. Os CTT notam uma inversão do comportamento deste resultado, que se encontrava a crescer a ritmo muito elevado (mais 49,7%) nos primeiros dois meses de 2020.

“Esse bom arranque do ano permitiu, para já, amortecer o significativo impacto de crise económica resultante da pandemia, e que se materializou já numa significativa queda de receita na segunda metade do mês de março”, diz João Bento.

Banco e encomendas contrariam queda no correio

Os CTT mantiveram no primeiro trimestre deste ano aquilo que têm sido as tendências dos últimos: negócio core do Correio em queda e crescimento do segmento de Expresso e Encomenda e do Banco CTT.

No caso do Correio, os rendimentos operacionais caíram quase 10% para 109,5 milhões de euros. “O negócio foi muito afetado na segunda metade do mês de março”, justificam os CTT. Antes, sem o impacto da pandemia, esta área perdia apenas 2% em janeiro e fevereiro.

A empresa refere que o negócio de Expresso e Encomendas também foi afetado, sobretudo em Espanha. Ainda assim, foram lançadas várias iniciativas em Portugal no sentido de ajudar as empresas a comercializar os seus produtos pela via online, com o serviço de entrega dos CTT. Neste cenário, as receitas ascenderam a 37,3 milhões de euros, um crescimento de 1,6% face ao período homólogo.

Quanto ao Banco CTT, os impactos do surto do vírus “foram menos expressivos” e “permitiram que o banco apresentasse, pela primeira vez na sua história, um resultado positivo no trimestre”. Os rendimentos do banco mais do que duplicaram, atingindo os 19,5 milhões de euros, dos quais oito milhões vieram da 321 Crédito, instituição adquirida em maio de 2019.

Na área dos Serviços Financeiros e Retalho, as receitas cresceram 23% para 13 milhões de euros, um desempenho impulsionado pelo aumento das subscrições de certificados do Tesouro nos meses de janeiro e fevereiro (renderam 6,6 milhões de euros). Em março, com a pandemia, houve uma queda de 75% nas subscrições destes títulos de dívida do Estado na segunda quinzena face à primeira.

CTT também invocam caso de força maior

Os CTT também invocaram caso de força maior no dia 13 de março por causa da pandemia, no âmbito do contrato de concessão do serviço postal universal.

É um mecanismo que visa proteger um concessionário em relação a um eventual incumprimento das suas obrigações por impedimento ou dificuldade. Em alguns casos, como nas concessionárias, também permitirá reclamar ao Estado uma compensação financeira por via da reposição do equilíbrio financeiro dos contratos de concessão. Mas o Governo já avançou com medidas legais para não pagar qualquer compensação, preferindo alargar os prazos dos contratos.

Os CTT dizem que continuam a “assegurar o funcionamento e continuidade dos serviços postais” apesar do surto do vírus. E estão a reportar “diariamente o estado da situação ao Governo e à Anacom”.

A empresa diz que já vê sinais positivos de estabilização em algumas áreas do negócio, isto apesar de os negócios do correio e dos serviços financeiros “continuarem sob grande pressão”.

Dizendo que ainda não podem quantificar de forma precisa e fiável os impactos do Covid-19, os “CTT diz que farão uma atualização do guidance logo que possível” relativamente àquilo que espera que venha a ser o ano de 2020.

(Notícia atualizada às 18h49)

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Covid-19 penaliza trimestre dos CTT. Lucro cai para 3,7 milhões

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião