Chapins, carriças e trepadeiras-azuis. As aves que protegem as árvores e defendem o ambiente

Na Herdade da Espirra, em Pegões, a The Navigator Company está a instalar caixas-ninho para atrair espécies de aves insetívoras, controlar pragas, evitar o uso de inseticidas e proteger o ambiente.

Na Herdade de Espirra, Pegões, na margem sul do Tejo, a The Navigator Company tem estado a instalar, desde o início deste ano, caixas-ninho para que várias espécies insetívoras de aves florestais como o chapim, a carriça e a trepadeira-azul possam fazer a sua nidificação.

Com 1700 hectares, e grande parte do seu território com ocupação florestal — plantações de eucalipto, sobreiro, pinheiro-manso, espaço de pastagem para pastoreio, além dos viveiros e dos 37 hectares de vinha — nesta herdade podem encontrar-se diversas espécies de fauna, entre as quais a lontra e o javali, mais de 50 espécies de aves, e uma grande variedade de plantas e cogumelos. Somam-se ainda habitats naturais protegidos pela Rede Natura 2000, como é o caso do montado de sobro.

Os sobreiros são os preferidos da cobrilha da cortiça, um escaravelho minúsculo com 1,5 centímetros e que apenas vive 20 dias, mas capaz de se tornar numa verdadeira praga: as suas larvas desenvolvem-se na cortiça durante dois anos ou mais, alimentando-se dela e construindo túneis no seu interior. Os ataques não matam os sobreiros mas estragam significativamente a cortiça e, se forem repetidos e intensos, podem debilitar a árvore.

Além de não serem eficazes com estes insetos, os inseticidas deixam resíduos na cortiça e têm efeitos negativos para ambiente. A alternativa? Recorrer aos “serviços” de proteção de aves como o chapim, a carriça e a trepadeira-azul, espécies insetívoras cavernícolas que são reguladoras naturais de insetos em meios arborizados. No entanto, a sua nidificação depende da existência de cavidades naturais ou artificiais (como as caixas), onde possam instalar os seus ninhos.

“As caixas-ninho são uma solução eficaz para incrementar a reprodução destas aves, que têm como presas algumas pragas existentes nas florestas – como é o caso, por exemplo, da cobrilha – permitindo, assim, aumentar a disponibilidade de cavidades para a nidificação quando as manchas florestais estão pouco maduras”, explica a The Navigator Company.

Esta ação da empresa, que decorre no âmbito da sua estratégia de conservação da biodiversidade, tem como objetivo promover o controlo natural de pragas nas espécies florestais (com vantagens comparativamente aos métodos convencionais baseados na aplicação de inseticidas), e contou com o apoio da empresa parceira 360 Graus – Cultura e Ambiente. Nas suas propriedades, a The Navigator Company protege 235 espécies de fauna e 740 espécies de flora.

As caixas-ninho instaladas em 2020 pela Navigator foram distribuídas por três núcleos, em áreas distintas da propriedade, e colocadas em espécies florestais como o sobreiro, pinheiro-manso e eucalipto. A partir da primavera, estas caixas-ninho passam a ser monitorizadas para avaliar as espécies que as ocuparam e o sucesso em termos da sua reprodução, informou a empresa.

A produção de pasta e papel por parte da The Navigator Company é feita através da utilização de florestas plantadas exclusivamente para esse efeito. Todos os anos, os viveiros da empresa dão vida a mais de 12 milhões de plantas. Os maiores da Europa, estes viveiros produzem 135 espécies diferentes de árvores e arbustos, em que grande parte, não tendo viabilidade económica, são financiadas pela empresa com o objetivo e manter a diversidade e de garantir a continuidade da espécie.

As florestas sob gestão da The Navigator Company em Portugal tinham, em 2019, um stock de carbono, excluindo o carbono no solo, equivalente a 5,3 milhões de toneladas de CO2, valor que se mantém estável. Ao objetivo de atingir a neutralidade carbónica em 2035 a empresa alocou um investimento total de 158 milhões de euros, dos quais 24 milhões em 2019.

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