Alojamento local perde nove imóveis por dia. Houve 1.432 desistências desde janeiro

Desde o início do ano contam-se quase 1.500 desistências no alojamento local, não se sabendo se estes proprietários migraram, ou não, para o arrendamento tradicional.

O alojamento local continua a perder imóveis. Desde o início do ano já se contam quase 1.500 desistências, de acordo com os dados fornecidos ao ECO pelo Turismo de Portugal. O coronavírus não está a facilitar a vida a este setor que, no entanto, conta agora com mais alternativas no caso de desistência, seja com a suspensão das mais-valias na transição para o arrendamento tradicional, seja com os programas municipais.

Menos 392 imóveis em janeiro, menos 308 em fevereiro, menos 208 em março, menos 229 em abril, menos 198 em maio e menos 97 nas primeiras duas semanas de junho. Ao todo foram 1.432 os imóveis de alojamento local a cessar atividade desde o início do ano, o equivalente a nove desistências por dia, mostram os dados do Turismo de Portugal. Isto numa altura em que a pandemia deixou muitos proprietários sem hóspedes.

Os números das desistências têm vindo a diminuir mês após mês, mas continuam a ser significantes para um setor que capta milhões de receitas para a economia. Se compararmos com o universo de 93.737 imóveis de alojamentos local inscritos no Registo Nacional de Turismo, estas atividades cessadas representam 1,5%. Contudo, não é possível apurar se estas desistências representam migrações para o arrendamento tradicional.

A verdade é que desde o final do ano passado que têm sido criadas cada vez mais facilidades e até incentivos à desistência desta atividade. No Orçamento do Estado para 2020 o Governo decidiu isentar de mais-valias os proprietários que transitem do alojamento local para o arrendamento tradicional e lá permaneçam pelo menos durante cinco anos consecutivos.

Mais recentemente, as Câmaras do Porto e de Lisboa anunciaram dois programas em que pretendem arrendar imóveis de alojamento local para depois os subarrendar a preços acessíveis à população. A autarquia do Porto lançou o Porto Com Sentido e a de Lisboa lançou o Programa Renda Segura. Para iniciativas semelhantes a estas o Governo criou uma linha de 4,5 milhões de euros ao ano para apoiar as câmaras nestes arrendamentos.

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