Responsáveis do CaixaBank ouvidos pela justiça por alegadas irregularidades na aquisição do BPI

  • Lusa
  • 22 Setembro 2020

O representante legal do espanhol CaixaBank e um antigo presidente vão ser ouvidos em tribunal como arguidos no caso de alegadas irregularidades na aquisição do BPI.

O atual representante legal do espanhol CaixaBank e um antigo presidente da instituição vão ser ouvidos na próxima segunda-feira em tribunal como arguidos no caso de alegadas irregularidades na aquisição do banco português BPI.

O tribunal que trata este tipo de casos, a Audiência Nacional, vai ouvir no mesmo dia a empresa holding Criteria, enquanto na quarta-feira, 30 de setembro, será a vez do atual presidente executivo do CaixaBank, Gonzalo Gortázar. A queixa, apresentada por dois acionistas, começou a ser processada há quase dois anos, em outubro de 2018, e investiga alegados delitos administrativos, abuso de posição de mercado e administração desleal na compra do BPI.

O CaixaBank, que detinha uma participação minoritária no banco português desde 1995, concluiu com sucesso a sua Oferta Pública de Aquisição (OPA) do BPI em 2017 e ganhou o controlo de 84,5 % do seu capital, graças a um pagamento de 644,5 milhões de euros.

Segundo a queixa, o CaixaBank realizou uma troca de ações com o Bank of East Asia (BEA), a fim de se tornar acionista do BPI, o que teria acabado por causar ao banco um prejuízo de 687 milhões de euros, embora na altura os diretores apenas tivessem reconhecido um impacto negativo de 14 milhões de euros. Além disso, as contas anuais de 2017 incluíam uma perda de 102 milhões de euros, justificadas pela “tomada de controlo do BPI”.

Os queixosos alegam que o CaixaBank concedeu um empréstimo de 400 milhões de euros ao Banco de Fomento de Angola (BFA) para que Isabel Dos Santos, filha do presidente na altura do país, e que controlava quase 10% do BPI, apoiasse a entrada da instituição financeira espanhola no banco português.

O magistrado investiga se os suspeitos usaram “mecanismos económico-financeiros ou regulamentação do mercado especializada para realizarem as suas intenções, que tinham uma grande importância económica para a instituição, especialmente num momento de crise bancária aguda”. Os crimes investigados são os de falsificação das contas anuais ou documentos que devem refletir a situação jurídica e económica da entidade bancária, assim como a imposição de acordos abusivos na assembleia-geral de acionistas.

Quanto vale uma notícia? Contribua para o jornalismo económico independente

Quanto vale uma notícia para si? E várias? O ECO foi citado em meios internacionais como o New York Times e a Reuters por causa da notícia da suspensão de António Mexia e João Manso Neto na EDP, mas também foi o ECO a revelar a demissão de Mário Centeno e o acordo entre o Governo e os privados na TAP. E foi no ECO que leu, em primeira mão, a proposta de plano de recuperação económica de António Costa Silva.

O jornalismo faz-se, em primeiro lugar, de notícias. Isso exige investimento de capital dos acionistas, investimento comercial dos anunciantes, mas também de si, caro leitor. A sua contribuição individual é relevante.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Responsáveis do CaixaBank ouvidos pela justiça por alegadas irregularidades na aquisição do BPI

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião