Spot Games: aprender Português, Matemática e Cidadania a jogar

Criada em 2018, a Spot Games ajuda os professores a ensinar conteúdos e os alunos a aprender, através de jogos interativos. Com a pandemia, a procura aumentou e quem ensina está no centro da mudança.

“Para que é que isto serve?”. Foi esta a pergunta mais ouvida por Francisco Miranda e Joana Lopes nos últimos dez anos, ao contactarem com alunos em escolas de vários contextos, um pouco por todo o país. Foi na tentativa de dar mais do que uma simples resposta à questão que, em 2018, criaram a Spot Games, uma startup que desenvolveu um conjunto de jogos analógicos e semi-digitais que ajudam os professores a dar a matéria através de uma experiência de jogo, e os alunos a superarem-se através de desafios.

Cada jogo pode ser adaptado às necessidades de uma escola e até de uma turma em particular, para que os professores estejam mais envolvidos no processo e os alunos mais motivados. Em Portugal, a Spot Games já está presente em quase 100 escolas.

“Virar a página” do ensino tradicional

“Fazemos ferramentas que transformam a aprendizagem ou os programas numa aventura. Os alunos têm um papel de herói, de superação de competências niveladas pela competência e pela vocação de cada um. O professor ganha um novo papel nesta narrativa, o de gamemaster“, começa por explicar à Pessoas Francisco Miranda, cofundador do projeto. O que distingue os jogos da Spot Games dos restantes métodos de ensino ou formação com base na gamificação é a sua base de design motivacional, que tem como objetivo apelar à motivação intrínseca dos alunos, explica.

A Spot Games tem jogos destinados a alunos que frequentem desde o 1.º ciclo do ensino básico até ao 12.º ano, para as disciplinas de Português, de Matemática, de Cidadania e de Literacia, e todo o conteúdo resulta de um trabalho laboratorial de análise e auscultação das necessidades e dos objetivos pedagógicos de cada turma e/ou professor.

Em cada jogo, através do dispositivo móvel ou através do computador, cada aluno avança ao seu ritmo, recebe feedback sobre o progresso a cada desafio e escolhe as áreas em que quer especializar-se.

Dizemos sempre que quem faz impacto são os professores. Nós só damos ferramentas que viabilizam que eles ensinem e que conduzam, com a sua autonomia, os seus alunos.

Francisco Miranda

Cofundador da Spot Games

Todos os nossos jogos contribuem diretamente para objetivos curriculares que o professor tem. É como se fosse um manual do futuro. Cada aluno interage diretamente com o manual que tem a matéria. E todos os professores ganham esta competência de serem gamemasters, para motivar os alunos a aprender intrinsecamente, a apaixonarem-se pelos temas e a guiarem-se por narrativas e histórias de superação deles próprios”, sublinha Francisco Miranda.

Jogo “Spot Cidadania”

No Logos — o jogo para desenvolver a escrita — os habitantes da cidade imaginária com o mesmo nome estão divididos por muros, e cabe aos alunos desenvolver vários tipos de texto (narrativo, argumentativo, entre outros), para eliminar essas fronteiras e aproximando as pessoas, “ou seja, está a sensibilizar e a dizer que a palavra escrita, além de servir para passar no teste de português, serve para aproximar as pessoas e para comunicar as tuas ideias, as tuas paixões“, sublinha Francisco Miranda.

Já no Slep, criado para ajudar a aprender os conteúdos de Português e Matemática do 1.º e 2.º ciclos, e ainda adquirir conhecimentos sobre o património local, os alunos têm de completar exercícios, colecionar moedas de jogo e autocolantes para preencher uma caderneta de cromos sobre o património local. Os desafios podem ser feitos em sala de aula ou no exterior, e os alunos progridem a colaborar uns com os outros, com a comunidade e com as suas famílias. No final, apresentam as provas de desafios através de vídeos, áudio ou outros formatos.

A solução é tecnológica “como meio” e não “como princípio“, lembra Francisco. Na Spot Games, o device é apenas o meio para o aluno submeter as respostas e um catalisador para haver mais perguntas, mais interação e mais aprendizagem.

Todos os jogos têm estratégias motivacionais que podem adaptar-se a qualquer aluno e professor, independentemente do seu grau de proficiência. “[Os professores] estão frustrados, presos e amarrados com a burocracia, mas estão a querer estas mudanças”, alerta. “A nossa urgência de missão é fazer estas ferramentas para que os professores consigam atingir os seus objetivos”, acrescenta.

Professores mais autónomos e mais envolvidos

A maior dificuldade dos professores é “não conseguirem chegar a todos os alunos, de forma individualizada“, conta Francisco Miranda, que reafirma que são os docentes quem está no centro deste método. Menos carga de trabalho e mais disponibilidade para ensinar a matéria são duas vantagens deste jogo.

Em termos práticos, as licenças de utilização de jogo têm de ser adquiridas por cada autarquia e a adesão tem sido positiva, adianta o responsável, em conversa com a Pessoas. Vila Nova de Poiares, Lousã, Torres Vedras, Lisboa, Sintra, Cascais, Almada, Torres Vedras, Lagoa ou Faro são algumas das autarquias que já adquiriram as licenças da Spot Games. “Pomos o ónus do nosso lado, um bocado como se fosse uma subscrição anual de um programa do Windows mas, em vez de ser o Windows, está a dar o programa de Português, de Matemática ou de Cidadania”, exemplifica o fundador.

Não estamos a encontrar aquela narrativa de resistência à mudança. Assim que os professores percebem que isto contribui diretamente para os objetivos e que têm uma capacidade de envolver todo o tipo de alunos, subscrevem avassaladoramente. Quando as câmaras compram estes jogos, os professores respondem“, assegura o fundador.

Quando os alunos estão motivados, aprendem mesmo mais. É uma ferramenta que, quando é implementada sobre os domínios que está a desenvolver, tem melhorias concretas e significativas de competências curriculares.

Francisco Miranda

Cofundador da Spot Games

Com a licença de jogo, os professores têm uma formação específica para a utilização do mesmo e ganham acesso a um backoffice onde poderão adaptá-lo aos objetivos pedagógicos de cada turma. Assim, o professor ganha mais autonomia dentro das suas funções, mais tempo para ensinar e interagir diretas com os alunos, que podem procurá-lo sempre que precisam de ajuda para superar mais um desafio no jogo. “Quando os alunos estão motivados, aprendem mesmo mais. É uma ferramenta que, quando é implementada sobre os domínios que está a desenvolver, consegue melhorias concretas e significativas de competências curriculares“, sublinha Francisco Miranda.

Dizemos sempre que quem faz impacto são os professores. Nós só damos ferramentas que viabilizam que eles ensinem e conduzam, com a sua autonomia, os seus alunos”, assinala.

Ajudar a ensinar em contexto de pandemia

No contexto da pandemia, a Spot Games adaptou-se à realidade do ensino à distância e a procura aumentou significativamente. Um dos casos de sucesso foi o município da Lousã, que disponibilizou o jogo “Spot Cidadania” às turmas dos 2.º e 3.º ciclos. Neste jogo, os alunos da Lousã foram desafiados a “dar vida ao seu sofá para transformar o mundo”, através da resposta a quizz com vários temas de cidadania e desafios diários de ações com impacto na comunidade.

Depois da experiência deste jogo, todos os professores inquiridos afirmaram que os alunos ficaram mais motivados para aprender. Registaram-se 46% de ações de cidadania realizadas em autonomia, por cada semana de jogo e mais de 80% dos professores verificou mais autonomia nos alunos.

A nossa visão é que a educação seja um espaço seguro para aprender, justa e inclusiva, e orientada para a superação de cada pessoa na sua dimensão e vocação. Utilizamos os meios e a tecnologia para chegar a essa utopia”, remata

FranciscoMiranda

. No futuro, a Spot Games poderá internacionalizar-se mas, para já, o objetivo é fazer chegar um jogo a cada turma do país.

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