Sem proposta para a nova administração, AG da Media Capital foi suspensa

Os acionistas da Media Capital reuniram para decidir uma mudança nos estatutos e a nova administração. Só que ainda não havia proposta de composição e a reunião foi suspensa por um mês.

Marcada para esta quarta-feira, a assembleia-geral de acionistas da Media Capital foi suspensa sem qualquer deliberação e deverá ser retomada dentro de pouco menos de um mês. A reunião iria deliberar uma série de alterações aos estatutos da sociedade, mas também decidir os órgãos sociais para o mandato 2020-2022. Mas, sobre este último ponto, não foi apresentada qualquer proposta.

Entre as várias comunicações que entretanto foram feitas à CMVM está a proposta de alteração dos estatutos, mas não surge qualquer documento relativo a proposta para os órgãos sociais, nomeadamente à composição do que será o novo Conselho de Administração da empresa, e onde se esperava que estivesse a apresentadora Cristina Ferreira. Tal terá estado na origem da suspensão da reunião, noticiou o Expresso.

Suspensa fica ainda a deliberação sobre os estatutos, e relativamente a esta há uma proposta conhecida. Entre as mudanças está a redução do número mínimo de membros do Conselho de Administração de sete para cinco, e é dada autorização ao board para um aumento de capital até 15 milhões de euros “a exercer pelo prazo de três anos”.

Isto acontece numa altura em que a ERC está a concluir a avaliação ao negócio entre a Prisa e o empresário Mário Ferreira, averiguando se houve alteração não autorizada de domínio no grupo. Em simultâneo, a CMVM está a analisar o mesmo negócio para averiguar se há concertação entre o grupo espanhol que detém mais de 60% da Media Capital e o empresário que, através da Pluris Investments, adquiriu em meados do ano uma posição de 30,22% na dona da TVI. (Mário Ferreira também é acionista do ECO.)

Esta quarta-feira, foi revelado que a CMVM deu à Prisa e à Pluris oito dias úteis adicionais para que estas se possam pronunciar acerca do sentido provável de decisão do regulador, que está inclinado para confirmar que houve, de facto, concertação entre os dois acionistas. Mário Ferreira pode ser forçado a lançar uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) sobre o grupo, numa altura em que está também em curso uma OPA sobre a Media Capital por parte da concorrente Cofina, dona do Correio da Manhã e da CMTV.

Mas tudo isto acontece ainda numa altura em que estão assinados entre a Prisa e um vasto conjunto de investidores acordos para a alienação dos 64,47% que os espanhóis ainda detêm da Media Capital. Entre eles está uma empresa gerida por Paulo Gaspar, filho do dono da Lusiaves, mas também da apresentadora Cristina Ferreira, que entretanto voltou à antena da TVI depois de um ano na concorrente SIC, do grupo Impresa. Pedro Abrunhosa e um consórcio do qual faz parte o cantor Tony Carreira também estão na calha para entrar na estrutura acionista da Media Capital.

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