Sonangol confirmou ao BCP que pode vender se “fizer sentido” para banco e acionistas

Administração da Sonangol adianta ao BCP que mantém a estratégia em relação ao banco, mas está disponível para analisar um eventual desinvestimento ou um processo de fusão se "fizer sentido".

Se a operação fizer sentido para banco e acionistas, a Sonangol poderá analisar um eventual desinvestimento no BCP BCP 0,74% ou até um processo fusão, segundo os esclarecimentos prestados pela administração da petrolífera angolana à instituição financeira portuguesa.

“O BCP confirmou hoje junto da administração da Sonangol que esta, embora mantenha a sua estratégia em relação ao banco, está atenta a eventuais movimentos de consolidação bancária na zona euro e em Portugal, e que, como investidor, analisará, sempre em estreita articulação com o banco e os demais acionistas estratégicos, eventuais oportunidades de criação de valor que possam fazer sentido para a Sonangol, para o banco e para os seus acionistas“, refere o banco liderado por Miguel Maya em comunicado enviado ao mercado.

É esta a reação do BCP após o CEO da Sonangol, que detém cerca de 20% do banco português, ter admitido que os angolanos admitem vender a sua posição ou analisar processos de fusão com outros bancos mediante as oportunidades e as necessidades da petrolífera.

“Se se apresentar uma boa oportunidade para desinvestimento, iremos avaliá-la e fazer as recomendações que se afigurarem as mais acertadas para o contexto e necessidades da Sonangol”, afirmou Sebastião Gaspar Martins, em entrevista à agência Reuters. Também disse que “está a acompanhar os movimentos eventuais de consolidação bancária em Portugal” e que, “caso surja alguma oportunidade, o assunto será avaliado com os outros parceiros investidores no BCP”.

As ações do BCP acabaram por registar uma subida superior a 1% na sessão desta quarta-feira, deixando o banco com uma capitalização bolsista de 1,8 mil milhões de euros. Ou seja, a posição dos angolanos encontra-se avaliada, a preços de mercado, em 350 milhões de euros.

A Sonangol tem em curso um programa de alienação de ativos não estratégicos. Não é a primeira vez que a presença no banco português é abordada por responsáveis da petrolífera. Em fevereiro de 2018, o então presidente da estatal angolana Carlos Saturnino disse que a participação no BCP era para manter dado tratar-se de um “investimento estratégico”.

Os chineses da Fosun são o maior acionista do banco, com uma participação de 29,01%. A Sonangol detém 19,45%, enquanto BlackRock e o Grupo EDP, os outros dois acionistas qualificados, assumem posições de 2,99% e 2,06%, respetivamente.

(Notícia atualizada às 18h09)

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