CTT admitem novo acionista se Banco CTT “precisar de capital para crescer”

Se o Banco CTT precisar de capital para crescer, os CTT não têm reservas à entrada de novos acionistas na instituição. Este ainda não é o momento, mas a empresa está a trabalhar "ativamente" nisso.

Cinco anos depois de ser lançado, o Banco CTT atingiu em 2020 o seu primeiro lucro, inaugurando uma nova página na sua curta história. Esse futuro pode passar pela entrada de um novo acionista no capital da instituição, diz ao ECO o presidente executivo dos CTT.

“Nós declarámos há muito tempo, publicamente, que não faríamos novos aumentos de capital depois de o banco deixar de precisar de capital para compensar resultados. Esse momento já chegou”, afirmou João Bento, em entrevista. “Se o banco precisar de capital para crescer, fá-lo-emos com bastante empenho em parceria e, portanto, diluindo a posição dos CTT”, revelou o gestor.

O Banco CTT obteve um resultado líquido consolidado de 200 mil euros em 2020. A instituição contribuiu com 82,1 milhões de euros para os rendimentos operacionais do grupo CTT, uma subida de 30,5% num ano marcado pela pandemia.

Se o banco precisar de capital para crescer, fá-lo-emos com bastante empenho em parceria e, portanto, diluindo a posição dos CTT.

João Bento

Presidente executivo dos CTT

CTT já falam com potenciais parceiros

Para o Conselho de Administração, este ainda não é o momento para vender ações do banco, mas João Bento assume que uma parceria no Banco CTT é uma hipótese que está a ser explorada ativamente pela empresa.

“Temos estado a fazer o que é normal num processo destes, que é construir uma história, um plano de negócios e um franchise capaz de tornar esta ideia credível. Obviamente, o momento atual é um momento em que isso não faz sentido nenhum, porque os bancos estão a ser transacionados neste momento em níveis de conta insuportáveis… mas que nem se aplicam a um banco com a natureza do Banco CTT, porque a razão pela qual também temos um desempenho melhor perante as moratórias é porque somos um banco jovem, sem legacy, pouco exposto a empresas”, explicou João Bento.

Dito isto, e reiterando que “não faria sentido fazê-lo neste momento”, o gestor confessou: “Temos estado ativamente a olhar para isto, quer para a construção da história, quer interagir com interessados e com parceiros potenciais a propósito de oportunidades que vão surgindo. Fazemos uma gestão ativa dessa parte do nosso portefólio”, rematou.

EBITDA anual do Banco CTT desde 2015:

Fonte: Resultados consolidados dos CTT

“Fim das moratórias não nos preocupa muito”

O final das moratórias públicas apontado para setembro já foi classificado de “bomba-relógio” na economia. Mas João Bento assegura que é um tema que não causa particular preocupação aos CTT.

“Não nos preocupa muito. Tivemos o final das moratórias do crédito automóvel, porque era uma moratória privada, e o desempenho em termos de recuperação correu bastante bem. E o crédito automóvel é um crédito que, por natureza, tem um colateral mais fraco do que o crédito à habitação”, indicou.

“O crédito à habitação que temos é jovem na sua permanência no nosso balanço e é, também, detido por jovens em grande medida. É um crédito muito saudável. Não quer dizer que não tenhamos obviamente de gerir de forma ativa, como certamente o faremos, mas não mantemos um nível de preocupação significativo a esse propósito”, assegurou o gestor.

Também em declarações ao ECO, o administrador financeiro dos CTT, Guy Pacheco, deu mais alguns detalhes sobre o portefólio de crédito do Banco CTT à luz das moratórias. “O nível de moratórias do banco é 3,6%, o que é consideravelmente inferior ao da média da banca. Já caiu de 7% após o fim das moratórias associadas à moratória privada que tínhamos na 321 Crédito e reagimos bem”, apontou.

O CFO apontou ainda que isto é dito à luz do contexto económico atual. “A única coisa que pode mudar esta visão é se houver uma degradação mais extrema das condições económicas que, obviamente, impactará depois a capacidade de as famílias honrarem os seus compromissos. Mas dado o contexto atual, não estamos demasiado preocupados. Vemos o tema com as cautelas e preocupações necessárias, mas o nível e a sua representatividade no banco é substancialmente inferior à generalidade da banca, em que vemos com frequência este número bastante acima dos 20%”, concluiu.

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