De 400 a quase 2.000 euros, estas empresas dão bónus aos colaboradores

Em algumas empresas, a atribuição de prémios é recorrente e, apesar das dificuldades trazidas pela pandemia, é mantida. E faz mais sentido do que nunca, recompensando colaboradores pelo esforço.

Abril é um mês em que, para alguns profissionais, o salário vai chegar mais recheado. Para recompensar e reconhecer o trabalho e esforço dos colaboradores, sobretudo numa altura como aquela de atravessamos, que requer um esforço redobrado, há empresas que estão a adicionar um bónus aos salários dos seus funcionários, que vai dos 400 aos quase 2.000 euros.

Em Portugal, o Grupo Jerónimo Martins anunciou esta semana que vai investir cerca de 11 milhões de euros em Portugal na atribuição de um prémio no valor de 500 euros a 23 mil colaboradores das lojas e centros de distribuição. Estes 23 mil funcionários elegíveis (de um total de mais de 33 mi) vão receber o bónus juntamente com o salário de abril, acumulando assim com a remuneração variável mensal em vigor e com os vários programas e ações de apoio aos colaboradores nas dimensões da saúde, da educação e do bem-estar familiar.

O objetivo desta iniciativa é “reconhecer o trabalho e o contributo destes colaboradores para os resultados obtidos num ano tão desafiante como foi 2020″, adianta o grupo em comunicado. À semelhança de Portugal, o prémio será também atribuído também na Polónia e na Colômbia, abrangendo um total de cerca de 80.100 colaboradores do grupo.

Mas esta não é a primeira vez que o grupo liderado por Pedro Soares dos Santos atribuí este prémio. É, na verdade, a 15.ª vez consecutiva em Portugal. Nos últimos cinco anos (2017 – 2021), o investimento acumulado ultrapassou os 45 milhões de euros no país e os 190 milhões no conjunto dos três países (Portugal, Polónia e Colômbia).

A atribuição deste prémio anual faz-se por aprovação do Conselho de Administração de Jerónimo Martins da proposta apresentada pelo seu Presidente, Pedro Soares dos Santos, e traduz-se num investimento global de cerca de 50 milhões de euros, o que equivale a aproximadamente 16% do resultado líquido de 2020. Em 2020, o Grupo investiu, só em Portugal, mais de 3,2 milhões de euros nestes programas de responsabilidade social que visam auxiliar os colaboradores.

Não há dúvida: as pessoas estão no centro

Há cada vez mais certeza de que as pessoas estão (e devem estar) no centro da gestão das empresas. E, nos tempos que correm, essa certeza tem vindo a ser reforçada, com as empresas a olharem para o bem-estar dos colaboradores, para a motivação e o compromisso com outros olhos. Recompensar e agradecer passou a fazer mais parte da gestão das empresas e a atribuição de bónus é uma forma de materializá-lo. É um gesto, um detalhe que serve para agradecer, recompensar e, claro, para motivar.

À semelhança do que já faz a Jerónimo Martins há alguns anos, a cadeia de supermercados Auchan anunciou recentemente que disse que ia entregar prémios de 20% do salário total de março aos funcionários em Portugal que continuem a trabalhar no âmbito da pandemia mundial da Covid-19.

Com cerca de 9.000 funcionários, distribuídos por 64 lojas físicas e 29 gasolineiras em território nacional, esta foi a solução encontrada pela empresa para “reconhecer o esforço diário dos seus colaboradores” num período marcado pelo surto do novo coronavírus, disse fonte oficial do grupo empresarial à agência Lusa. Além do prémio monetário, a Auchan Retail Portugal decidiu, também, oferecer um bónus de mais um dia de férias aos colaboradores.

Em França, país onde está sediada a Auchan, foi decidido entregar um prémio de 1.000 euros a cada trabalhador que continuasse a exercer as suas funções, cerca de 65.000, no total. Este bónus surgiu depois da isenção de impostos decretada pelo ministro da Economia de França, Bruno Le Maire, tendo sido também atribuído por outras cadeias de supermercados no país, como a Carrefour, o Intermarché e a Kingfisher.

Mas não é só no retalho que se atribuem prémios. Na indústria automóvel, a Seat foi a empresa que mais recentemente anunciou que ia recompensar os seus colaboradores, durante o mês de abril, com um prémio de 400 euros brutos. Um gesto que já pratica há alguns anos e que considerou que, este ano, apesar de a pandemia mundial ter impedido um resultado positivo, deveria manter.

“Em 2020, os colaboradores da Seat mostraram um grande compromisso. Fomos, por exemplo, a primeira empresa a fabricar automóveis em Espanha depois do final dos meses de março e abril, e fomos capazes de nos adaptar às diferentes fases da pandemia devido ao esforço e empenho que toda a força de trabalho demonstrou durante o ano”, disse Xavier Ros, vice-presidente executivo de recursos humanos e organização da Seat, na altura do anúncio.

Na marca espanhola, no acordo coletivo assinado em 2016, a administração, a UGT e o COO acordaram que os colaboradores receberiam um benefício anual no mês de abril pelo resultado obtido no ano anterior. Desde então, a empresa tem distribuído um pagamento extra há quatro anos consecutivos, e este ano não será exceção.

 

António Rios Amorim, presidente da Corticeira Amorim. Paulo Duarte/BloombergPaulo Duarte/Bloomberg

A Corticeira Amorim, por sua vez, “abriu os cordões à bolsa” no final de dezembro, ao distribuir um prémio extraordinário de 1.000 euros a todos os funcionários, independentemente das funções exercidas. Foi uma forma de recompensar os trabalhadores, mas também de celebrar os 150 anos da empresa.

Já lá fora, os bónus podem ser ainda mais ambiciosos. A operadora britânica BT propôs recompensar os 59 mil colaboradores de primeira linha, considerados essenciais, pela dedicação e esforço demonstrados. O prémio alcança as 1.500 libras, o equivalente a 1.737 euros.

“Os nossos colegas de primeira linha e trabalhadores essenciais foram verdadeiros heróis, mantendo-nos a todos conectados neste momento tão difícil”, disse Philip Jansen, diretor executivo da empresa, citado pelo Expansión. A empresa de telecomunicações oferecer a cada um destes colaboradores mil libras (1.158 euros) em efetivo e o restante (500 libras, o que equivale a 579 euros) em ações.

Teletrabalho também tem dado bónus

Com a pandemia, os bónus no salário têm sido mais frequentes. Às empresas que já seguiam este tipo de política, juntam-se, agora, as que estão empenhados em melhorar as condições laborais dos colaboradores, contribuindo com o pagamento das despesas de internet ou eletricidade ou comum prémio monetário extraordinário, como fez a Blip. Para ajudar os seus funcionários a fazer face às despesas de eletricidade e gás durante os meses de inverno, a empresa ofereceu a cada um dos 330 colaboradores em teletrabalho um bónus de 650 euros.

Já a Liberty Seguros, depois de ter anunciado que iria manter o trabalho remoto de forma definitiva, adicionou 660 euros brutos por anos aos rendimentos das suas pessoas, de modo a cobrir despesas de teletrabalho.

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