“Efeitos do vírus podem reduzir a quantidade de empregos com salários reduzidos”, alerta McKinsey

De acordo com o relatório do McKinsey Global Institute, a longo prazo, a pandemia mundial pode diminuir o número de empregos com salários reduzidos, obrigando a uma requalificação da mão-de-obra.

A pandemia mundial terá um impacto duradouro na procura de mão-de-obra e nas competências necessárias. Está em causa uma redução dos empregos com salários reduzidos, nomeadamente aqueles que exigem proximidade física, bem como uma necessidade de requalificação. Esta é uma das principais conclusões do relatório “O futuro do trabalho após a Covid-19”, elaborado pelo McKinsey Global Institute (MGI), que procura compreender o impacto da pandemia no futuro do trabalho no longo prazo.

“No longo prazo, os efeitos do vírus podem reduzir a quantidade de empregos com salários reduzidos disponíveis, que anteriormente serviam de rede de segurança para trabalhadores deslocados”, afirma Susan Lund, sócia do McKinsey Global Institute e coautora do relatório, citada em comunicado. “No futuro, estes trabalhadores terão de se preparar para encontrar trabalho em profissões com salários mais elevados que requerem competências mais complexas, tais como empregos em cuidados de saúde, tecnologia, ensino e formação, trabalho social e recursos humanos”, acrescenta.

As perdas de empregos serão maiores nas profissões com salários mais reduzidos no serviço alimentar, no serviço ao cliente e no setor hoteleiro. Estas serão, segundo o relatório, compensadas apenas parcialmente por um maior crescimento líquido de empregos em transportes e entregas. Por outro lado, o MGI considera que é provável que as profissões de elevado crescimento em cuidados de saúde e as profissões STEM se expandam fortemente.

"A pandemia não só aumentará o número de transições ocupacionais, como também tornará o desafio da requalificação mais intimidante.”

Anu Madgavkar

Sócia do MGI e coautora do relatório

Para colmatar as perdas de trabalho, o instituto sugere que alguns trabalhadores tenham de encontrar empregos em escalões salariais muito mais elevados, que exigem, por sua vez, competências diferentes e “especializadas”, bem como uma “maior capacidade socioemocional”. “A pandemia não só aumentará o número de transições ocupacionais, como também tornará o desafio da requalificação mais intimidante. Os efeitos da mesma serão mais graves para os trabalhadores mais vulneráveis”, refere Anu Madgavkar, sócia do MGI e coautora do relatório.

“Tal insta as empresas e os decisores políticos a ajudar estes trabalhadores a adquirir as competências mais necessárias no futuro”, remata. Nesse sentido, o relatório discute ações que as empresas, os decisores políticos e os educadores podem considerar para enfrentar o desafio que se avizinha em matéria de requalificação.

Segundo o MGI, as empresas poderão adaptar modelos já em vigor, contratando trabalhadores com base em competências e não em títulos académicos, e os decisores políticos poderão reconfigurar programas de emergência que apoiem os trabalhadores durante a pandemia para oferecer incentivos que fomentem a requalificação profissional e a aprendizagem adicional.

De acordo com o estudo, o vírus destacou também a importância da proximidade no local de trabalho, causando as maiores interrupções imediatas nas funções que exigem trabalhar em proximidade com clientes ou colegas de trabalho. Recorrendo a uma abordagem que classifica as ocupações com base nas interações físicas que exigem, a investigação conclui que os empregos que exigem uma maior proximidade — tais como caixas em lojas, empregados de mesa e cozinheiros em restaurantes ou rececionistas em hotéis — podem sofrer as maiores perturbações após a pandemia, “devido a mudanças persistentes no comportamento dos clientes e do negócio”.

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