Nos instala rede 5G no Hospital da Luz, mas não sabe quando termina o leilão

A Nos instalou 17 antenas de 5G no Hospital da Luz. Mas Manuel Ramalho Eanes, administrador da operadora, não arrisca uma previsão sobre quando vai terminar o leilão de frequências.

A Nos NOS 0,35% e a Luz Saúde anunciaram que o Hospital da Luz, em Lisboa, está agora equipado com uma rede 5G, onde já estão a ser desenvolvidas sete aplicações tecnológicas médicas para a quinta geração. A rede assenta em 17 antenas que dão cobertura a várias áreas da infraestrutura, incluindo salas de cirurgia, centro de formação e zonas de maior afluência de utentes.

Num evento com jornalistas, a presidente executiva da Luz Saúde, Isabel Vaz, disse ser “incomensurável a vantagem que esta tecnologia” pode trazer ao setor. “A baixa latência do 5G vai permitir, de forma segura, estarmos com os nossos doentes 24 horas por dia, sete dias por semana, estejam em casa ou no trabalho”, garantiu.

Cirurgias remotas e “ambulâncias inteligentes” vão permitir um diagnóstico “mais rápido e eficaz”, explicou também o administrador executivo da Nos, Manuel Ramalho Eanes. Tratando-se do “primeiro hospital 5G do país”, o gestor considerou que é um “marco de enorme relevância”.

Com efeito, a Nos e a Luz Saúde promoveram uma demonstração de um procedimento realizado por uma médica interna, com uns óculos de realidade aumentada Hololens, num manequim. A intervenção simulada foi conduzida à distância por uma médica mais experiente, beneficiando de comunicações quase instantâneas oferecidas pelo 5G. Mas a tecnologia ainda é algo embrionária, havendo margem para melhorias.

Simulação de intervenção médica guiada à distância com 5G:

“Numa fase inicial, o 5G vai sentir-se na formação e treino dos profissionais e alunos do Hospital da Luz Lisboa, através da utilização de aplicações de realidade virtual e de realidade aumentada para criar novos cenários e ambientes virtuais para formação, diagnóstico e tratamento. As mesmas tecnologias serão utilizadas nos cuidados paliativos do hospital, como complemento às terapias habituais, seja numa lógica de tranquilização, como de estímulo sensorial”, explicou a Nos num comunicado conjunto.

Segundo a empresa, entre as aplicações concretas que já estão em desenvolvimento no Hospital da Luz está o recurso a sensores para a “monitorização” de utentes que se encontram em “internamento domiciliário”, bem como uma solução de cuidados de saúde remotos assente na “colaboração médica à distância”.

Nos não sabe quando acaba o leilão

Apesar de a cobertura de rede móvel estar garantida no Hospital da Luz, o leilão de frequências da quinta geração ainda está em curso. O processo está manifestamente atrasado e as operadoras e a Anacom, o regulador do setor, responsabilizam-se mutuamente por esse facto. Portugal e Lituânia são os últimos países da União Europeia que ainda não tem 5G.

Questionado sobre isso, Manuel Ramalho Eanes confirmou que a Nos e o Hospital da Luz ainda não podem usar o 5G para aplicações comerciais. “O que podemos é usar para fins não comerciais as frequências de teste” cedidas pela Anacom, disse.

Instado a estimar quando é que o 5G estará disponível à população, Manuel Ramalho Eanes rematou: “Não consigo dar qualquer perspetiva de quando termina o leilão.”

Alguns países europeus lançaram o 5G antes mesmo de terem realizado ou concluído um leilão, recorrendo à tecnologia Dynamic Spectrum Sharing (DSS), que usa as atuais frequências de 4G para a quinta geração. Confrontado com este facto, Manuel Ramalho Eanes afirmou: “Não acreditamos que o DSS seja verdadeiramente 5G, para poder fazer funcionar o 5G com o mínimo de diferenciação.”

Não muito longe do Hospital da Luz, ao mesmo tempo que decorria a apresentação da Nos, o presidente da Anacom comentava o leilão do 5G numa audição híbrida no Parlamento. João Cadete de Matos prometeu que no dia em que o leilão terminar, vai ser público tudo aquilo que aconteceu ao longo” do processo e quem usou abusou das regras para o prolongar. O regulador realizou este mês uma consulta pública com vista à alteração do regulamento da venda de frequências, imprimindo velocidade no processo.

(Notícia atualizada pela última vez às 16h19)

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