Berardo não fala. Medidas de coação só sexta-feira

O empresário Joe Berardo não quis prestar declarações ao juiz Carlos Alexandre. Vai passar a terceira noite nos calabouços da PJ.

O empresário Joe Berardo não quis prestar declarações ao juiz Carlos Alexandre. Sendo assim, as medidas de coação só serão conhecidas na sexta-feira. O arguido passa assim mais uma noite nos calabouços da PJ, já que Ministério Público e Carlos Alexandre só anunciam medidas amanhã que podem passar desde o termo de identidade e residência à prisão preventiva. Mas o mais provável será o pedido de pagamento de uma caução elevada.

André Luiz Gomes iniciou interrogatório às 9:23 desta quinta-feira, interrompeu pelas 13:00, retomou às 14:13 e terminou às 18:00. Às 18:30 começou o interrogatório a Joe Berardo que durou apenas 45 minutos já que o arguido preferiu remeter-se ao silêncio. Berardo acabou por se sentir mal e o INEM foi chamado para assistir o colecionador de arte. Joe Berardo estava no Tribunal Central de Instrução Criminal e os operacionais foram chamados ao local.

A procuradora Inês Bonina e Rui Pedro Marques, os principais elementos da equipa que dirige o inquérito no DCIAP, devem pedir ao juiz Carlos Alexandre para decretar uma caução elevada para acautelar os perigos de perturbação do inquérito e de continuação da atividade criminosa por parte do comendador. A idade de Berardo, quase com 77 anos, os seus problemas de saúde, o facto de parte dos factos em investigação serem já muito antigos, terá levado o Ministério Público a decidir pedir ao juiz de instrução a aplicação de uma medida não privativa da liberdade. Segundo avança a SIC, o Ministério Público acredita que há o risco de Joe Berardo fugir, de continuar a atividade criminosa e de concertar versões com dirigentes da banca e figuras da polícia.

Por isso, os procuradores vão defender no interrogatório judicial que terá de ser aplicada uma medida de coação mais gravosa que o termo de identidade e residência, a menos grave de todas as possíveis no Código de Processo Penal (CPP).

O empresário Joe Berardo e o seu advogado, André Luíz Gomes, detidos na terça-feira, vão responder por burla qualificada, fraude fiscal qualificada, branqueamento de capitais, falsidade informática, falsificação, abuso de confiança qualificada e descaminho ou destruição de objetos colocados sob o poder público.

Segundo informação veiculada pelo Conselho Superior da Magistratura (CMP) a pedido do juiz do Tribunal Central Criminal (TCIC) Carlos Alexandre, de fora dos ilícitos imputados a Joe Berardo e a André Luíz Gomes ficou o crime de administração danosa, do qual deverá ser indiciado um dos restantes arguidos.

O processo que levou à detenção do empresário Joe Berardo conta com 11 arguidos, dos quais seis são empresas e cinco individuais. Joe Berardo, André Luíz Gomes, irmão de Joe Berardo, o filho de Joe Berardo, Carlos Santos Ferreira e ainda várias pessoas coletivas fazem parte da lista. O grupo económico do comendador é, alegadamente, responsável por prejuízos de quase mil milhões de euros à Caixa Geral de Depósitos, ao Novo Banco e ao BCP. Após a megaoperação da Unidade Nacional de Combate à Corrupção em Lisboa, Funchal e Sesimbra, na qual foram realizadas 51 buscas, das quais 22 domiciliárias, 25 não domiciliárias, três buscas em instituição bancária e uma busca num escritório de advogado, foram emitidos dois mandados de detenção.

Segundo comunicado da PJ, o grupo económico de Berardo contratou, entre 2006 e 2009, quatro operações de financiamentos com a CGD, no valor de cerca de 439 milhões de euros. E tem “incumprido com os contratos e recorrido aos mecanismos de renegociação e reestruturação de dívida para não a amortizar”. Esta foi a “fatura” deixada à CGD, mas as perdas para o setor financeiro como um todo são superiores. “Atualmente este grupo económico causou um prejuízo de quase mil milhões de Euros à CGD, ao NB e ao BCP, tendo sido identificados atos passíveis de responsabilidade criminal e de dissipação de património”, diz a PJ.

 

 

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