Jacinto vai fornecer 200 carros de bombeiros à Roménia por 40 milhões de euros

O fornecimento destes veículos de perfil mais urbano será feito ao longo de três anos. Empresa receia aumento dos preços das matérias-primas e atrasos na entrega de componentes.

A Jacinto ganhou um concurso internacional, que pode chegar aos 40 milhões de euros, para fornecer 200 carros de bombeiros à Roménia.

“Ganhámos o concurso internacional e assinámos o pré-acordo para um contrato muito grande para a Roménia. São 200 veículos de combate às chamas”, conta ao ECO o diretor-geral desta média empresa familiar de Ovar, Jacinto Reis.

O fornecimento destes veículos de perfil mais urbano será feito ao longo de três anos. Mas tendo em conta os tempos de incerteza que se vivem, devido à pandemia de Covid-19, isso é um fator de risco. “Há sempre riscos associados ao aumento dos preços ou riscos de as empresas a quem se encomendam os componentes não cumprirem os prazos”, exemplifica.

O diretor-geral da empresa que concorre com multinacionais como a americana Oshkosh e a alemã Rosenbauer — empresas cotadas em bolsa, que faturam cerca de mil milhões de euros ao ano — reconhece que já sente constrangimentos logísticos, nomeadamente ao nível do fornecimento de componentes para acabar os produtos finais. “São produzidos noutros países e com as medidas de confinamento mais sérias isso gera atrasos de meses e pode levar a paragens de linhas de produção”, sublinha Jacinto Reis, recordando o caso da escassez no fornecimento de chips e semicondutores que já levou várias empresas a parar por alguns dias ou semanas.

“A MAN tem cerca de quatro mil chassis incompletos em parque por falta de componentes eletrónicos que são fornecidos pela Índia”, que se debate com mais de 30 mil casos diários de Covid-19.

Aos riscos de paragem por falta de componentes há ainda a subida dos preços das matérias-primas. As matérias-primas também enfrentam problemas de escassez, mas tornaram-se “num investimento muito apetecível”, como sublinhou recentemente Rafael Campos Pereira, vice-presidente da Associação dos Industriais Metalúrgicos Metalomecânicos e Afins de Portugal (AIMMAP). “Particularmente no mercado de futuros, os institucionais estão a comprar as matérias-primas como commodities, pelo que os nossos fabricantes agora também se veem obrigados a concorrer não só com fabricantes de outros países, mas com os próprios investidores”, explicou em declarações à Lusa.

Segundo o inquérito mensal da Associação Empresarial de Portugal, a indisponibilidade de matérias-primas e de produtos intermédios, aliadas às dificuldades nos circuitos comerciais por falta de contentores, são os “novos constrangimentos” apontados pelas empresas portuguesas.

Para Jacinto Reis “é bom ter vendas, mas o problema é efetuá-las”. “Andamos todos sem saber o que fazer”, desabafa.

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