Da Coelima ao Prego Gourmet, insolvências estão a aumentar

Depois de dois trimestres a descer, o número de declarações de bancarrota aumentou, entre abril e junho, apesar desse período ter ficado marcado pelo desconfinamento e retoma da economia.

O segundo trimestre do ano ficou marcado pelo desconfinamento progressivo do país e até foi sinónimo de um crescimento considerável da economia, mas subiu o número de empresas que não resistiram ao impacto da pandemia nos negócios e fecharam portas. Coelima e António Almeida & Filhos são exemplos de empresas que se viram forçadas a pedir insolvência, bem como, mais recentemente, a Dielmar a e Prego Gourmet.

De acordo com o Eurostat, entre abril e junho, a União Europeia registou um crescimento em cadeia de 1,8% das declarações de bancarrota. A subida portuguesa foi ainda mais expressiva (10,9%), tendo acontecido depois de dois trimestres consecutivos de quebras.

À semelhança de Portugal, sete outros países europeus (Bélgica, Bulgária, Estónia, Espanha, Lituânia, Hungria e Eslováquia) viram aumentar o número de empresas que declararam bancarrota, escapando a esta tendência, por exemplo, a Holanda, a Roménia, França e Itália.

Pior entre países europeus onde declarações de bancarrota subiram

Fonte: Eurostat

Por cá, o aumento das declarações de bancarrota aconteceu apesar de o país estar a viver um período de desconfinamento progressivo, que tem permitido às empresas retomarem a sua atividade e levou a economia nacional a crescer, em termos homólogos, 15,5%, no segundo trimestre.

Por exemplo, em abril, a Coelima decidiu apresentar-se à insolvência, uma vez que registava quebras de vendas acima dos 60%, por força da pandemia, e porque não estava a conseguir aceder às linhas de crédito desenhadas para ajudar as empresas a enfrentar esta crise. “A empresa decidiu avançar com o pedido de insolvência fruto da situação criada pela pandemia, que provocou uma forte redução das vendas e uma pressão sobre a tesouraria insustentável“, adiantou, na altura, fonte da empresa à Lusa. A têxtil acabaria por ser vendida à Mabera, de Vila Nova de Famalicão, em junho, por 3,7 milhões de euros. Os 250 trabalhadores envolvidos neste processo mantiveram os seus empregos.

Alguns meses depois, a António Almeida & Filhos seguiu o mesmo caminho e pediu também insolvência, depois de terem sido rejeitadas as três ofertas de compra que havia em cima da mesa. Com sede em Guimarães e perto de 200 trabalhadores, a empresa acabaria por ser declarada insolvente a 14 de julho. As notícias mais recentes dão conta de que está à venda agora pelo preço-base de três milhões de euros, estando prevista a votação da proposta de valor mais elevado na assembleia de credores de 7 de setembro.

Mais recente, e também no universo têxtil, a Dielmar seguiu, do mesmo modo, para insolvência. A decisão surgiu na sequência da pandemia e da quebra de faturação decorrente da crise sanitária que o mundo atravessa. Por exemplo, até março, a empresa tinha faturado pouco mais de 700 mil euros, quando no ano anterior tinha registado um volume de negócios da ordem dos cinco milhões de euros. As quase três centenas de postos de trabalho associados à Dielmar estão, por agora, asseguradas. Os salários estão, por enquanto, à responsabilidade da Segurança Social, de acordo com o sindicato que representa os trabalhadores, enquanto a empresa procura uma solução para o seu futuro.

Noutro setor, a insígnia de restaurantes Prego Goumert foi declarada insolvente, no início de agosto, também depois das restrições associadas à crise pandémica terem gerado fortes quebras de faturação, no último ano e meio. Entre os credores, estão o centro comercial Alegro Alfragide, fornecedores como a Pcarnes, Frustock e Easybatata, e o Novo Banco. Até recentemente, o Prego Gourmet mantinha seis estabelecimentos em funcionamento e empregava entre 50 a 60 pessoas, mas entretanto já encerrou todas as portas.

Em resposta à pandemia de coronavírus (e às restrições que a ela têm ficado associadas), o Governos português tem disponibilizado uma série de medidas de apoio às empresas, nomeadamente para “salvar” postos de trabalho, como o lay-off simplificado, a flexibilização dos impostos e as moratórias bancárias. Estas ajudas explicam, de resto, segundo o Eurostat, o recuo das declarações de bancarrota, nos dois primeiros trimestres de 2020, apesar do forte impacto da crise pandémica na economia. As medidas têm vindo, contudo, a mudar, tornando-se menos “atrativas”, o que ajuda a explicar a subida do número de empresas a fechar portas.

Umas fecham, outras deixam Portugal

Há, depois, algumas empresas que estão a reavaliar a sua presença em Portugal. É o caso da Saint-Gobain Sekurit, que anunciou que vai cessar a atividade produtiva por terras lusitanas, colocando em risco centenas de empregos.

“A Saint-Gobain Sekurit Portugal vai cessar a sua atividade produtiva devido aos prejuízos acumulados nos últimos anos, causados pela crise do setor automóvel e agravados pela baixa competitividade dos produtos da empresa face aos seus concorrentes no mercado internacional”, adiantou a empresa, em comunicado. Esta cessação da atividade implica o despedimento coletivo de 130 trabalhadores, processo que já foi comunicado à Direção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho.

Numa outra estratégia, a L’Oréal decidiu criar um cluster ibérico, que irá absorver as equipas de Portugal e Espanha, sendo que 40 trabalhadores da divisão lusa não seguirão para a nova estrutura. O novo cluster terá, de resto, sede em Madrid, apesar de a gigante da beleza manter os escritórios em Portugal. “A nova abordagem permitirá à L’Oréal melhorar a eficiência e agilidade num ambiente competitivo. A nova entidade terá maiores capacidades de investimento para o crescimento em ambos os mercados, alavancando as sinergias e complementaridades existentes, ao mesmo tempo que irá amplificar as trocas das melhores práticas dentro do cluster“, explicou a multinacional.

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