CTT querem “taxa temporária” para compensar subida dos preços dos combustíveis

Grupo está a negociar com "grandes clientes" uma "taxa temporária" para compensar gasolina e gasóleo mais caros. Parte da carteira de clientes já tem tarifas indexados aos combustíveis.

A subida expressiva dos preços dos combustíveis está a ter impacto no negócio dos CTT CTT 0,56% . Apesar de a empresa ter em marcha um plano de eletrificação da frota, o grupo quer compensar o aumento dos custos com uma “taxa temporária”, medida que já começou a negociar com os “grandes clientes”, revelou o conselho de administração esta quinta-feira.

Numa altura em que a energia mais cara já está a paralisar algumas empresas em Portugal, os CTT querem passar parte da subida dos custos para os clientes. Algum desse trabalho já está feito e o que falta está em marcha, explicou o presidente executivo, João Bento.

“Temos cerca de um terço da receita já protegida por termos contratuais e, nas negociações para amentos de preços, vamos mudar isso estruturalmente para mais 60%. Depois, há uma pequena parte de grandes clientes com os quais estamos a discutir uma taxa adicional temporária tendo em conta esta situação extraordinária”, disse o gestor, numa conferência telefónica com analistas.

Na mesma ocasião, Guy Pacheco, administrador dos CTT com o pelouro financeiro, deu mais detalhes acerca desse plano. “Temos cerca de um terço dos clientes com tarifas indexadas aos combustíveis e estamos a tentar indexar, como parte das nossas negociações normais de preços, outro terço.”

“Com o último terço, que são os grandes clientes – e que pode imaginar quem são -, estamos a tentar negociar uma tarifa extraordinária e temporária para encarar a atual situação. Veremos quanta percentagem dos custos é que podemos mitigar com esta renegociação”, rematou o administrador financeiro dos CTT.

Alguns dos maiores clientes dos CTT são entidades públicas.

Por fim, quanto aos preços da eletricidade, o conselho de administração dos CTT indicou que o grupo está protegido desse impacto “até ao fim do ano”, sem acrescentar mais detalhes.

Guy Pacheco detalha plano face aos preços dos combustíveis:

Negócio imobiliário avança até junho

Os CTT estão a estudar a alienação do património imobiliário, avaliado em mais de 200 milhões de euros, como noticiou o ECO em janeiro. Sobre isto, a empresa revelou que o negócio deverá avançar até junho.

“No imobiliário, estamos a retomar esse projeto depois de termos fechado a concessão [do serviço postal universal] no mês passado. Esperamos dar notícias durante a primeira metade deste ano”, disse Guy Pacheco, em resposta a um analista financeiro.

Os CTT constituíram em dezembro passado uma empresa, chamada CTT – Sociedade Imobiliária. A administração há vários meses que fala na possibilidade de “otimizar” e “monetizar” o seu vasto portefólio de imóveis.

Na quarta-feira, os CTT anunciaram lucros de 38,4 milhões de euros em 2021, mais do dobro do resultado do ano anterior. Os títulos da empresa somam 4,36% na bolsa de Lisboa, cotando em 4,78 euros.

Evolução do preço das ações dos CTT:

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