Trabalhadores estrangeiros impulsionaram a economia da Zona Euro, afirma Lagarde
"Na Alemanha, por exemplo, o PIB seria cerca de 6% inferior ao de 2019 sem a contribuição dos trabalhadores estrangeiros", vincou a presidente do BCE, dando também como exemplo a economia espanhola.
A chegada de trabalhadores estrangeiros impulsionou a economia da Zona Euro nos últimos anos, ajudando a compensar a redução das horas de trabalho e os salários reais mais baixos, afirmou este sábado a presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde.
“Na Alemanha, por exemplo, o PIB seria cerca de 6% inferior ao de 2019 sem a contribuição dos trabalhadores estrangeiros (assumindo que não houve mudanças comportamentais entre os trabalhadores nacionais)”, explicou, num discurso no simpósio de banqueiros centrais organizado pela Reserva Federal, em Jackson Hole, no estado do Wyoming.
“O forte desempenho do PIB espanhol após a pandemia — que ajudou a sustentar o agregado da Zona Euro — também deve muito à contribuição da mão-de-obra estrangeira“, vincou Lagarde.
A presidente do BCE explicou que três características moldaram o desempenho do mercado de trabalho nos últimos anos. “Primeiro, uma resposta salarial tardia à inflação, que sustentou o aumento do emprego; segundo, uma redução nas horas trabalhadas, impulsionada pela retenção de mão de obra e mudanças nas preferências; e terceiro, uma expansão na oferta de mão de obra que acompanhou o aumento da procura”.
Para que duas primeiras características – salários reais mais baixos e menos horas trabalhadas – fossem compatíveis com um maior nível de emprego, a oferta de mão-de-obra teve de responder.
“Embora representassem apenas cerca de 9% da força de trabalho total em 2022, os trabalhadores estrangeiros foram responsáveis por metade do seu crescimento nos últimos três anos“, disse Lagarde “Sem esta contribuição, as condições do mercado de trabalho poderiam ser mais restritivas e a produção mais baixa“.
Lagarde referiu o aumento do número de trabalhadores de fora dos 20 países que compartilham o euro como um fator que apoiou a economia do bloco, apesar da crescente preferência por menos horas de trabalho e da queda no padrão de vida em alguns setores.
A presidente do BCE referiu que é difícil prever se as tendências vistas nos últimos anos se irão manter, mas avançou algumas ideias.
“Em princípio, a migração poderia desempenhar um papel crucial na atenuação das restrições à oferta de mão-de-obra em determinadas regiões, mas em todos os cenários plausíveis – mesmo aqueles que pressupõem uma migração elevada – a população em idade ativa da área do euro continuará a diminuir”.
“Além disso, as pressões da economia política podem limitar cada vez mais os fluxos migratórios e, mesmo quando a migração é significativa, o seu impacto na atenuação da escassez de mão de obra depende da correspondência entre as competências dos migrantes e as vagas disponíveis em setores-chave”, sublinhou.
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