Crédito na Zona Euro acelera para máximos de mais de dois anos
A concessão de crédito a famílias e empresas registou em julho a maior expansão desde 2023, confirmando eficácia da política de cortes do Banco Central Europe e alívio das taxas Euribor.
O crescimento do crédito na Zona Euro atingiu em julho o pico mais elevado em mais de dois anos, confirmando que a estratégia de descidas das taxas de juro do Banco Central Europeu (BCE) está a produzir os resultados esperados.
Com a taxa de depósitos situada nos 2% após oito cortes de 200 pontos base desde junho do ano passado, os números publicados esta quinta-feira pelo BCE mostram uma aceleração significativa no financiamento tanto a particulares como a empresas.
O crédito às famílias cresceu 2,4% em julho, face aos 2,2% do mês anterior, representando o maior aumento desde abril de 2023. Este salto reflete o alívio sentido pelas famílias portuguesas e europeias com a descida das taxas Euribor, que se situam atualmente perto dos 2%, bem abaixo dos picos de outubro de 2023, quando se encontram perto dos 4%. Para as empresas, o financiamento bancário expandiu 2,8%, contra os 2,7% de junho, marcando o ritmo mais acelerado desde junho de 2023.
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Paralelamente à dinâmica de crescimento do crédito à economia, os dados do BCE revelam também que o agregado monetário M3 (que agrega toda a massa monetária em circulação) registou um crescimento homólogo de 3,4% em julho, ligeiramente acima dos 3,3% verificados em junho.
Apesar desta subida, os dados revelam um abrandamento do crescimento do M3 que se arrasta desde o início do ano, quando este indicador atingiu os 3,5% em média nos três meses até julho, mas não suficiente para interromper uma tendência de subida desde setembro de 2023.
A evolução do M3 oferece pistas importantes sobre o rumo da economia. Quando cresce rapidamente, pode sinalizar pressões inflacionistas futuras, uma vez que há mais dinheiro disponível para ser gasto na compra de bens e serviços. Pelo contrário, um abrandamento do M3 pode indicar que a economia está a arrefecer ou que os bancos estão mais cautelosos na concessão de crédito, limitando a circulação de liquidez no sistema financeiro.
Os dados do crédito às famílias e empresas divulgados esta quinta-feira surgem numa altura em que o BCE parece estar a aproximar-se do final do ciclo de flexibilização monetária. Após manter as taxas inalteradas na reunião de julho, Christine Lagarde voltou a sinalizar na conferência de imprensa que futuras descidas serão avaliadas “reunião a reunião”, sugerindo que o espaço para novos cortes pode estar a esgotar-se.
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