Comissões dos mediadores de seguros cresceram 17% em 2024
Os mediadores de seguros representaram mais 23% de vendas de seguros no ano passado, mas as suas comissões subiram abaixo desse valor. Os corretores continuam melhor remunerados que os agentes.
A remuneração dos mediadores de seguros em Portugal atingiu perto de 1,3 mil milhões de euros em 2024, incluindo os agentes de seguros, os corretores, os bancos e os canais dos Correios. No entanto, a comissão média atribuído pelas seguradoras pela conquista de clientes ou renovação de contratos existentes, baixou para 9,1%, depois de registar 9,3% em 2023 e 9,5% em 2022.

O cálculo da remuneração foi calculado por ECOseguros com base na informação Remunerações da Mediação em Portugal, agora publicado pela ASF, entidade supervisora do setor, e pelo relatório Canais de Distribuição apresentado pela Associação Portuguesa de Seguradores (APS).
No estudo da ASF é separada a remuneração dos mediadores de seguradores apenas desagregando por agentes, corretores e ainda outras atividades que podem vender seguros mas com expressão total pouco relevante do ponto de vista de valor.
O relatório da APS já distingue os mediadores em várias categorias. Na categoria agentes separa agentes de seguros propriamente ditos e ainda bancos e os CTT – Correios, instituições que têm o estatuto de agentes.
Com base nestes pressupostos a remuneração total da mediação cresceu 17% em 2024, mas a parte do mercado vendido pelos mediadores cresceu 23%. Logo, a remuneração média baixou para 9,1% calculados sobre os prémios brutos emitidos pelas seguradoras. Um ano antes tinha sido 9,3% e, em 2022, atingiu 9,5%.
Após cálculos, com base nos dados da APS, no ano passado os bancos foram responsáveis por 42,4% do total da venda de seguros em Portugal, foram 6.071 milhões de euros a parte bancária de um total de 14.304 milhões de euros. A especialidade do setor bancário são seguros e produtos do ramo Vida em que venderam 72% do valor total.

Os agentes de seguros propriamente ditos venderam 5.011 milhões de seguros em 2024 e são o segundo canal no país, com uma especialização em seguros Não Vida onde comercializam dois terços dos prémios em valor, tendo expressão inferior no ramo Vida.
Os corretores de seguros, mediadores mais especializados em empresas e em aconselhar em riscos mais complexos, venderam 15% do total de seguros no ano passado, mas em Não Vida atingiram 25% e no conjunto foram remunerados em conjunto pelas seguradoras em cerca de 2,2 mil milhões de euros.
Os canais de venda direta das próprias seguradoras, balcões, online continuam a pesar pouco na venda de seguros. Já os CTT animaram em 2024, possivelmente pela entrada em vigor de um novo acordo estabelecido com a Generali.
Como funcionam as comissões
O mercado em 2024 dividiu-se entre 48,4% das receitas foram provenientes do ramo Vida e 51,4% dos ramos Não Vida. Terreno favorável aos bancos a venda de produtos de capitalização e PPR foi o fundamental de receita para a mediação enquanto a venda de produtos unit-linked, com baixas comissões para os mediadores significou cerca de 20% das vendas.

Já as vendas de seguros Não Vida, em que os agentes tradicionais são preponderantes, tem quase todas as vendas a resultar de seguros obrigatórios, como automóvel e Acidentes de Trabalho. Também contribuem os quase obrigatórios como os seguros multirriscos ligados a créditos hipotecários e, hoje em dia, os seguros de saúde que cobrem, entre coberturas coletivas de empresas e individuais, perto de 4 milhões de pessoas. Estas apólices, dada a maior facilidade na sua comercialização, são remuneradas de forma inferior pelas seguradoras, tornando o valor de 9,1% de comissão média ponderada perfeitamente plausível, confirmou a ECOseguros, fonte de privilegiado conhecimento do mercado segurador em Portugal.
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