Vitória do PS nas autárquicas afastará “tendências autocráticas e ditatoriais”, diz Carlos César

  • Lusa
  • 13 Setembro 2025

"Quando ouço o Chega falar sobre o país, lembro-me sempre de um canivete suíço que comprei numa loja ‘low cost’ de bugigangas": lá vistoso e barato era", diz Carlos César sobre o Chega.

O presidente socialista defendeu este sábado que a vitória do PS nas autárquicas será um “novo fôlego para a democracia portuguesa” e afastará “tendências autocráticas e ditatoriais”, avisando que o Chega parece bom na oposição, “mas não prestará” num governo.

Quando ouço o Chega falar sobre o país, lembro-me sempre de um canivete suíço que comprei numa loja ‘low cost’ de bugigangas: lá vistoso e barato era, mas quando se tratou de fazer obra com ele, desmanchou-se aos bocados! Parecia que servia, mas não serviu para nada. A extrema-direita parece boa na oposição, mas não prestará para nada que sirva ao povo num governo”, defendeu Carlos César na sua intervenção na abertura da Convenção Autárquica do PS, que decorre hoje em Coimbra.

Segundo o presidente do PS, e a menos de um mês das autárquicas, “é preciso um poder local forte e esclarecido” porque Portugal se confronta neste momento com “um poder central fraco e sem rumo e com a jogatana e os desmandos perigosos que nos chegam da extrema-direita”.

Para Carlos César, “uma grande votação nas candidaturas do PS” será um contributo para que Portugal continue “excecionado das tendências autocráticas e ditatoriais que minam outros espaços e continentes”. Na perspetiva do presidente socialista, “nunca a vitória do PS” significou tanto “para um novo fôlego para a democracia portuguesa”. “O manifesto de compromisso dos autarcas socialistas, que hoje simbolicamente é subscrito, vem nesse sentido”, apontou.

Segundo César, aquilo que é pedido aos autarcas do PS não são “fidelidades partidárias, mas sim fidelidade aos seus eleitores e atenção ao seu território” para que se distingam “como fatores de mobilização da cidadania, como exemplos de honestidade”. “Os portugueses, neste ano e meio, estão a ver que o Governo da AD não realizou nenhuma das soluções salvíficas e milagrosas que prometia“, referiu.

César avisou ainda para os “momentos de incerteza” que Portugal vive, considerando que “o Governo em pouco contribui para o que de positivo acontece, ou se pretende que aconteça”.

Durante o período trágico em que os incêndios destruíram recursos e lançaram o pânico nas comunidades e nas famílias, e os bombeiros se desdobravam em tarefas hercúleas, em pouco mais vimos os governantes e o primeiro-ministro do que na festança do Pontal e vimos os vendilhões do Chega numa campanha farisaica, que só merecia as chicotadas de outras eras no templo, em Jerusalém”, condenou.

O presidente do PS deixou ainda avisos sobre a situação económica porque, apesar das estimativas do Governo sobre a dívida pública, “os meios poderão vir a escassear, a desaceleração da atividade económica é previsível e as causalidades externas vão, com certeza, pesar na economia como nos orçamentos”.

César começou a sua intervenção com uma palavra à candidata do PS à Câmara de Lisboa, Alexandra Leitão, na sequência da tragédia no elevador da Glória, sublinhando o “sentido de responsabilidade, a decência, a prontidão e a sensibilidade que revelou”.

Uma saudação ao nosso secretário-geral, com ele, o PS está a recuperar a energia que é necessária para se confirmar como uma alternativa, centrada no concreto dos problemas do país, confiável no presente e para o futuro”, enfatizou.

Antes, tinha tomado a palavra a candidata do PS à Câmara de Coimbra, Ana Abrunhosa, cuja eleição foi um dos objetivos políticos assumidos pelo líder do PS, José Luís Carneiro.

Nós não podemos aumentar salários, mas podemos melhorar, mas podemos ter políticas que permitam às pessoas que, com os mesmos salários, tenham maior poder de compra”, defendeu Ana Abrunhosa, apontando medidas como a diminuição do preço da habitação, a melhoria dos transportes e a adoção de medidas para captar e fixar os jovens.

“Vamos trabalhar com todas as instituições fundamentais para que Coimbra seja a escolha […] de ficar, brilhar e prosperar”, acrescentou a ex-ministra da Coesão Territorial.

“Temos o objetivo de sermos o primeiro partido com mais votos”

O secretário-geral do PS assumiu este sábado, à chegada ao congresso, o objetivo de, nas autárquicas, ser “o primeiro partido com mais votos no país”, questionando o ‘timing’ de uma sondagem que põe o Chega em primeiro lugar quando não há legislativas à vista.

Nas autarquias temos o objetivo de sermos o primeiro partido com mais votos no país, mas os portugueses ditarão aquilo que entendem em relação ao futuro do enquadramento e da arquitetura do sistema político português“, respondeu aos jornalistas José Luís Carneiro à chegada à Convenção Autárquica Nacional do PS, que decorre em Coimbra e que assinala a rentrée do partido.

O líder do PS disse ter “convicções realistas” e reiterou que o objetivo é ganhar “o maior número de câmaras, o maior número de freguesias e o maior número de assembleias municipais”.

Questionado sobre a manutenção do objetivo tendo em conta uma sondagem recente que dá o Chega em primeiro lugar, Carneiro começou por sublinhar o “apreço imenso” pelo trabalho dos jornalistas, “contrariamente a outros que atacam” trabalho da comunicação social.

E porque tenho um grande respeito pelo vosso trabalho, devolvo com uma pergunta. Não acha estranho que, tendo eleições autárquicas, tendo a seguir eleições presidenciais, o mais certo seria avaliar quem está melhor posicionado para as eleições autárquicas ou para as eleições presidenciais. Não há, que eu saiba, eleições legislativas à vista”, apontou.

Questionando o ‘timing’ desta sondagem, o secretário-geral do PS referiu que nos estudos de opinião que o PS dispõe “o Chega aparece sempre em terceiro lugar”. “Compreendi como uma tentativa de levar a que haja um candidato putativo que possa desistir dos seus objetivos eleitorais para as presidenciais, para que os votos na direita se possam concentrar num dos candidatos”, respondeu, quando interrogado sobre qual entendia que era o motivo deste estudo de opinião nesta fase.

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