Powell explica corte nos juros: “O que mudou? Foi o arrefecer do mercado de trabalho”
O presidente da Reserva Federal disse que o primeiro corte nos juros este ano foi "gestão de risco", reconhecendo que o banco central teve de ter em conta o arrefecimento na criação de emprego.
“Então, o que mudou agora?”, perguntou Jerome Powell a si próprio esta quarta-feira sobre os motivos que levaram a Reserva Federal (Fed) a interromper uma longa pausa nas taxas de juro com um corte de 25 pontos base. “O que mudou agora é que se vê um quadro diferente dos riscos para o mercado de trabalho, estávamos a prever 150.000 [novos] empregos por mês na altura da última reunião e agora vimos as revisões e os novos números“.
A redução das Federal Funds Rates, juntamente com projeções que indicam mais dois cortes nas duas reuniões políticas restantes deste ano, num total de 50 pontos base, indicam que os membros da Reserva Federal começaram a minimizar o risco de que as políticas comerciais voláteis da administração alimentem uma inflação persistente e estão agora mais preocupados com o enfraquecimento do crescimento e a probabilidade de aumento do desemprego.
Na conferência de imprensa, Powell confirmou a viragem de foco do banco central. “Não quero dar demasiada ênfase à criação de empregos, mas é apenas um dos fatores que sugerem que o mercado de trabalho está realmente a arrefecer. E isso indica que é altura de ter isso em conta na nossa política“, sublinhou.
Do outro lado dos dois riscos que a Fed tem de gerir, os receios sobre o acelerar da inflação recuaram ligeiramente, explicou. “Na verdade, desde abril, para mim, os riscos de uma inflação mais elevada e persistente provavelmente diminuíram um pouco, em parte porque o mercado de trabalho enfraqueceu e o crescimento do PIB abrandou“, disse Powell.
Ainda assim o presidente da Fed classificou o corte anunciado esta quarta-feira como um “de gestão de riscos, porque as novas projeções de crescimento para este ano e para o próximo aumentaram um pouco e a inflação e o desemprego não se alteraram muito”.
As novas projeções económicas mostraram que os decisores, em média, ainda preveem que a inflação termine este ano em 3%, bem acima da meta de 2% do banco central, uma projeção inalterada em relação ao último conjunto de previsões em junho. A projeção para o desemprego também permaneceu inalterada em 4,5% e a projeção para o crescimento económico foi ligeiramente superior, passando de 1,4% para 1,6%.

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